Numa era em que os grandes Estados acumulam dívidas sem precedente e a inflação recusa retirar-se, os mercados de obrigações soberanas sinalizam uma inquietação profunda — dos Estados Unidos à Europa. Portugal, que construiu com esforço a reputação de aluno aplicado das finanças públicas, beneficia de uma relativa proteção, mas não escapa à maré que sobe: o custo de se financiar aumenta, e esse peso transfere-se, lenta mas inevitavelmente, para empresas e famílias.