Mercado formal cresce 3,6% com setor público em destaque; 62,2 milhões de vínculos

O governo identificou inconsistências nos dados salariais e suspendeu divulgação
Ministério do Trabalho descobriu divergências entre número de vínculos e registros com remuneração válida.

O Brasil registrou 62,2 milhões de vínculos formais em fevereiro de 2026, um crescimento de 3,6% que revela tanto a vitalidade quanto as tensões internas de uma economia em expansão desigual. O setor público avançou quase quatro vezes mais rápido que o privado, enquanto mulheres e trabalhadores historicamente marginalizados ganharam terreno no mercado formal. Mas por trás dos números de emprego, uma sombra metodológica se instala: o próprio governo suspendeu a divulgação de dados salariais após identificar inconsistências que colocam em dúvida a integridade do retrato estatístico.

  • O setor público criou 1,09 milhão de postos em doze meses — ritmo quase quatro vezes superior ao do setor privado —, levantando perguntas sobre a sustentabilidade e a natureza dessa expansão.
  • Das novas contratações públicas, cerca de 886,9 mil foram por tempo determinado, sinalizando uma estratégia de flexibilização que pode mascarar a fragilidade dos vínculos criados.
  • Mulheres cresceram a uma taxa de 4,7%, quase o dobro da taxa masculina, marcando um avanço histórico que reposiciona o perfil do mercado formal brasileiro.
  • Mesmo com o total de vínculos subindo de 60 para 62,2 milhões, os registros com remuneração válida caíram de 55,26 para 53,53 milhões — uma contradição que acende alertas sobre a qualidade dos dados.
  • O Ministério do Trabalho suspendeu a divulgação de informações salariais além de dezembro de 2025, deixando analistas e trabalhadores sem um retrato confiável do presente.

O mercado de trabalho formal brasileiro encerrou fevereiro de 2026 com 62,2 milhões de vínculos ativos, crescimento anual de 3,6% e 2,17 milhões de novos postos em relação ao mesmo período do ano anterior. Os dados, divulgados pelo Ministério do Trabalho via Rais Mensalizada, revelam uma economia que cria empregos, mas com dinâmicas profundamente distintas entre os setores.

O setor público foi o protagonista da expansão. Com 13,8 milhões de vínculos e alta de 8,6% em doze meses, os agentes públicos avançaram em ritmo quase quatro vezes superior ao dos trabalhadores celetistas, que somam 48 milhões e cresceram apenas 2,2%. Das novas contratações públicas, aproximadamente 886,9 mil foram por tempo determinado — um sinal de flexibilização que levanta dúvidas sobre a solidez desse crescimento.

Entre os destaques sociais, as mulheres ampliaram sua presença no mercado formal para 46,1%, com crescimento de 4,7% — quase o dobro da taxa masculina de 2,7%. Trabalhadores indígenas, pretos e pardos também avançaram, assim como jovens entre 18 e 24 anos, que somaram 1,21 milhão de novos vínculos em doze meses. Regionalmente, Norte, Nordeste e Centro-Oeste lideraram em termos proporcionais, enquanto Minas Gerais e São Paulo concentraram os maiores volumes absolutos.

No campo salarial, a remuneração média chegou a R$ 4.369 em dezembro de 2025, e a massa salarial mensal alcançou R$ 240,7 bilhões. Mas é justamente aqui que a narrativa encontra sua sombra: enquanto o número total de vínculos cresceu, os registros com remuneração válida caíram de 55,26 para 53,53 milhões. Diante dessas inconsistências, o governo optou por suspender a divulgação de dados salariais além de dezembro de 2025, sinalizando que uma revisão profunda dos registros pode estar em curso — e deixando em aberto a confiabilidade do retrato mais recente do trabalho no Brasil.

O mercado de trabalho formal brasileiro fechou fevereiro de 2026 com 62,2 milhões de vínculos ativos, marcando um crescimento anual de 3,6% e adicionando 2,17 milhões de postos em relação ao mesmo mês do ano anterior. Os números, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego através da Relação Anual de Informações Sociais Mensalizada, revelam uma economia que continua criando empregos, mas com dinâmicas muito distintas entre os setores público e privado.

O setor público foi o grande destaque, expandindo-se a um ritmo quase quatro vezes superior ao do mercado privado. Os agentes públicos — incluindo servidores estatutários, contratados por tempo determinado e ocupantes de cargos em comissão — totalizavam 13,8 milhões de vínculos, um aumento de 8,6% em doze meses que representou a criação de 1,09 milhão de postos. Desse total de novas contratações públicas, aproximadamente 886,9 mil foram por tempo determinado, sugerindo uma estratégia de contratação mais flexível no início do ano. Em contraste, os 48 milhões de trabalhadores celetistas — aqueles com carteira assinada no setor privado — cresceram apenas 2,2%, adicionando 1,04 milhão de vínculos. Entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, o mercado formal ganhou 1,39 milhão de trabalhadores, com os agentes públicos avançando 7,81% nesse período trimestral.

O comportamento sazonal do mercado de trabalho nos primeiros meses do ano explica parte dessa expansão. Setores específicos retomam contratações após férias coletivas e períodos de recesso, criando um pico artificial de admissões. Mesmo assim, o crescimento dos empregos privados permaneceu moderado: o número de celetistas passou de 47,6 milhões em dezembro para 48 milhões em fevereiro, uma alta de apenas 0,81%.

As mulheres ganharam espaço significativo no mercado formal durante esse período. O número de vínculos ocupados por mulheres chegou a 28,6 milhões em fevereiro, representando um crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior — quase o dobro da taxa de crescimento entre homens, que foi de 2,7%. Com isso, a participação feminina no mercado formal subiu de 45,6% para 46,1%. O levantamento também apontou avanços expressivos entre trabalhadores indígenas, pretos e pardos, além de um crescimento notável entre jovens de 18 a 24 anos, que adicionaram 1,21 milhão de vínculos em doze meses.

Regionalmente, o crescimento não foi uniforme. As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste apresentaram os maiores crescimentos proporcionais, com altas de 4,16%, 3,27% e 2,70%, respectivamente. Quando se considera o crescimento absoluto, Minas Gerais e São Paulo se destacam, com 271,2 mil e 148,5 mil novos vínculos respectivamente.

No que diz respeito aos salários, a massa salarial mensal — a soma de todos os rendimentos recebidos pelos trabalhadores — passou de R$ 235,7 bilhões em janeiro de 2025 para R$ 240,7 bilhões em dezembro do mesmo ano, um aumento de 2,1%. A remuneração média mensal chegou a R$ 4.369 em dezembro de 2025, contra R$ 4.208,6 em fevereiro, representando um aumento de 3,8%. O setor de serviços concentrou a maior parcela dessa massa salarial, com aproximadamente R$ 155 bilhões no último mês analisado.

No entanto, uma sombra paira sobre esses dados. O Ministério do Trabalho identificou inconsistências nos registros de remuneração enviados pelos empregadores. Embora o número de vínculos formais tenha crescido de 60 milhões para 62,2 milhões em um ano, a quantidade de registros com remuneração válida caiu de 55,26 milhões para 53,53 milhões — uma redução preocupante que sugere problemas na qualidade dos dados. Diante dessas divergências, o governo decidiu divulgar os dados salariais apenas até dezembro de 2025 e aprofundar a análise das informações antes das próximas atualizações da Rais Mensalizada. Essa decisão deixa em aberto questões sobre a confiabilidade das informações mais recentes e indica que uma revisão significativa dos registros pode estar em andamento.

O mercado de trabalho formal brasileiro registrou crescimento de 3,6% em um ano
— Ministério do Trabalho e Emprego
O governo identificou inconsistências nos dados de remuneração enviados pelos empregadores
— Ministério do Trabalho
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que o setor público cresceu tão mais rápido que o privado?

Model

Há dois fatores em jogo. Primeiro, o governo contratou bastante no início do ano — quase 900 mil postos foram por tempo determinado, o que sugere uma estratégia deliberada de expansão. Segundo, o setor privado está em ritmo mais cauteloso, talvez refletindo incerteza econômica.

Inventor

E essas mulheres que entraram no mercado — isso é tendência ou pico sazonal?

Model

Parece ser tendência real. O crescimento delas foi de 4,7%, quase o dobro do dos homens. Mas é cedo para dizer se vai se manter — precisamos ver os próximos meses.

Inventor

Minas Gerais criou muito mais empregos que São Paulo. O que explica isso?

Model

Minas Gerais adicionou 271 mil vínculos contra 148 mil de São Paulo. Pode ser que o estado esteja em um ciclo de expansão diferente, ou que setores específicos ali estejam aquecidos. Os dados não explicam o porquê.

Inventor

Esse problema com os dados salariais é grave?

Model

É preocupante. O governo está dizendo que há inconsistências, e a quantidade de registros com remuneração válida caiu enquanto o total de vínculos subiu. Isso levanta dúvidas sobre se sabemos realmente quanto as pessoas estão ganhando.

Inventor

Então os números de emprego são confiáveis, mas os de salário não?

Model

Basicamente, sim. O governo confia nos números de vínculos, mas admitiu que precisa revisar os dados salariais antes de continuar divulgando. É uma admissão de que algo não está certo nos registros dos empregadores.

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