Ele jamais teria ficado nos trilhos se ouvisse o trem
Na tarde de uma sexta-feira de outubro, em Duque de Caxias, uma criança de seis anos perdeu a vida nos trilhos de uma estação de trem — um espaço que deveria ser apenas passagem, mas se tornou o cenário de uma tragédia irreversível. Otávio Henrique brincava sob os cuidados de sua madrasta quando foi atingido por uma composição da Supervia, e a pergunta que agora guia a investigação é antiga e dolorosa: até onde vai a responsabilidade de quem cuida? A Justiça, ao soltar a madrasta para responder em liberdade, reconhece a ausência de intenção — mas a família e a sociedade seguem diante do peso insuportável de uma vida que não deveria ter terminado ali.
- Um menino de seis anos foi atingido por um trem enquanto brincava nos trilhos da estação Saracuruna, em Duque de Caxias, sob os olhos de sua madrasta.
- A madrasta afirmou ter pedido que a criança saísse dos trilhos, mas não agiu fisicamente para retirá-la — conduta que o delegado responsável classificou como negligência.
- Otávio Henrique chegou ao hospital em parada respiratória e não resistiu aos ferimentos, deixando a família em luto e clamando por justiça.
- Presa em flagrante, a madrasta foi solta pela Justiça para responder em liberdade por homicídio culposo, com medidas cautelares impostas pelo juiz.
- As investigações seguem abertas, com novos depoimentos previstos e a Supervia colaborando com a delegacia para esclarecer as circunstâncias do acidente.
Na tarde do dia 2 de outubro, o menino Otávio Henrique de Almeida Lemos, de seis anos, brincava nos trilhos da estação Saracuruna, em Duque de Caxias, quando foi atingido por um trem da linha Guapimirim da Supervia. Ele estava sob os cuidados de sua madrasta, Tayna Francinett Rodrigues, que agora responde por possível negligência perante a Polícia Civil.
Em depoimento, Tayna disse ter pedido à criança que saísse dos trilhos, mas que ele não obedeceu — e que ela própria não viu a locomotiva se aproximando. Para o delegado Paulo Roberto Lima, da 60ª DP de Campos Elíseos, isso não foi suficiente: a conduta foi caracterizada como negligente, pois a madrasta não interveio de forma efetiva para proteger a criança.
Otávio foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e levado ao Hospital Adão Pereira Nunes, onde chegou em parada respiratória por volta das 19h20. A equipe médica não conseguiu salvá-lo. Tayna foi presa em flagrante, mas o juiz Rafael de Almeida a soltou para responder em liberdade por homicídio culposo, com medidas cautelares que incluem apresentação mensal à Justiça e proibição de deixar a cidade.
Um familiar, que pediu anonimato, descreveu Otávio como um menino inteligente, amado e companheiro, e expressou a certeza de que ele teria reagido ao som do trem se tivesse ouvido. A Supervia lamentou a morte e afirmou colaborar com as investigações, reforçando que a linha férrea é área de circulação exclusiva dos trens. O caso segue em apuração, com novos depoimentos ainda por ser colhidos.
Na sexta-feira, 2 de outubro, um menino de seis anos chamado Otávio Henrique de Almeida Lemos brincava nos trilhos da estação Saracuruna, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, quando foi atingido por um trem da Supervia. A criança estava sob a supervisão de sua madrasta, Tayna Francinett Rodrigues, que agora é investigada pela Polícia Civil por possível negligência ou omissão de cuidados.
O acidente ocorreu nas imediações da estação Saracuruna. Uma composição da linha Guapimirim chegava à estação quando atingiu o menino. Em seu depoimento, Tayna afirmou que pediu à criança para sair dos trilhos, mas ele não obedeceu. Ela também disse não ter visto a locomotiva se aproximando. O delegado Paulo Roberto Lima, responsável pela 60ª DP de Campos Elíseos, caracterizou a conduta da madrasta como negligente, observando que embora ela tivesse alertado o menino, não interferiu na situação de forma adequada.
Otávio Henrique foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e levado ao Hospital Adão Pereira Nunes. Chegou à unidade de saúde por volta das 19h20 com parada respiratória. A equipe médica tentou reanimá-lo, mas a criança não resistiu aos ferimentos. Seu corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal no sábado.
Tayna foi presa em flagrante, mas a Justiça a soltou para responder em liberdade pelo crime de homicídio culposo — aquele em que não há intenção de matar. O juiz Rafael de Almeida entendeu que não havia necessidade de mantê-la presa até o julgamento. Ela recebeu medidas cautelares: comparecer mensalmente em juízo, não mudar de endereço sem informar à Justiça e estar proibida de deixar a cidade.
Um parente da criança, que pediu para não ser identificado, descreveu Otávio Henrique como um menino muito inteligente, amado pela família e companheiro. "Ele foi criado aqui em Caxias, ele jamais teria ficado nos trilhos se ouvisse o trem se aproximar", disse o familiar. O sentimento que prevalece agora é de tristeza e busca por justiça.
As investigações continuam em andamento. O delegado Paulo Roberto Lima informou que os familiares já foram ouvidos e outras pessoas ainda devem prestar depoimento para determinar as circunstâncias completas do fato. A Supervia, concessionária responsável pelos trens, lamentou profundamente a morte da criança e afirmou estar em contato com a delegacia para colaborar com a investigação. A empresa reforçou a importância de respeitar as normas de segurança e não caminhar na linha férrea, área destinada exclusivamente à circulação dos trens.
Citações Notáveis
Ele era um garoto muito inteligente, amava a família, era muito companheiro da gente. Todos adoravam ele.— Parente de Otávio Henrique
Ficou claro que ela não interferiu naquela situação, entendemos que a conduta dela foi negligente.— Delegado Paulo Roberto Lima, 60ª DP
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Como uma criança de seis anos acaba brincando sozinha nos trilhos de um trem?
Ela não estava sozinha — estava sob cuidados da madrasta. O que a investigação questiona é se essa supervisão foi adequada, se havia vigilância real naquele momento.
A madrasta disse que pediu para a criança sair dos trilhos. Por que isso não é suficiente para isentá-la?
Porque pedir não é o mesmo que garantir segurança. O delegado entendeu que ela não interferiu ativamente na situação, não removeu a criança do perigo, apenas deu uma ordem que não foi obedecida.
Ela foi presa, mas depois solta. O que isso significa?
Significa que a Justiça reconheceu que não havia risco de fuga ou destruição de provas, então a manteve em liberdade com restrições. Ela ainda responderá pelo crime, mas não na cadeia.
Qual é a diferença entre homicídio culposo e homicídio doloso neste caso?
Culposo é quando não há intenção de matar, mas há negligência que causa a morte. Ninguém acusa a madrasta de querer que a criança morresse — a acusação é de não ter cuidado adequadamente.
Como a família está lidando com isso?
Com dor e busca por justiça. Um parente disse que Otávio era muito amado, inteligente, companheiro. A perda é profunda, e agora esperam que o processo judicial esclareça responsabilidades.
O que muda para a Supervia depois disso?
A empresa reforçou a importância de respeitar as normas de segurança nos trilhos. Mas a questão real permanece: como crianças continuam tendo acesso a áreas tão perigosas?