Mendonça solicita posicionamento da PGR sobre transferência de Vorcaro para presídio comum

Um homem que trabalhava para Vorcaro tentou se suicidar sob custódia da PF em março de 2026, vindo a óbito dias depois.
A relação entre o político e o ex-banqueiro extrapola a amizade
Avaliação do ministro Mendonça sobre conexão entre senador Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro.

No cruzamento entre o poder financeiro e a justiça institucional, o ministro André Mendonça pediu à Procuradoria-Geral da República que se posicione sobre a transferência do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o sistema prisional comum — movimento que segue a rejeição de sua segunda proposta de delação premiada na Operação Compliance Zero. Vorcaro permanece detido preventivamente desde março, investigado por fraudes no Banco Master, enquanto a operação se expande para alcançar senadores, ex-governadores e familiares. O destino imediato do homem depende agora de instituições que deliberam em silêncio, num processo que pode levar semanas.

  • A Polícia Federal rejeitou pela segunda vez uma proposta de delação de Vorcaro, sinalizando que a cooperação entre investigado e investigadores chegou a um impasse.
  • Com a recusa, a PF argumenta que o ex-banqueiro não tem mais razão para permanecer na carceragem da Superintendência em Brasília e pressiona por sua transferência ao sistema prisional comum.
  • O ministro Mendonça acionou a PGR para que se manifeste antes de qualquer decisão, inserindo mais uma camada institucional num processo já marcado pela lentidão.
  • A operação cresceu para além de Vorcaro: um senador, um ex-governador, o pai do investigado e um ex-presidente de banco estadual já foram atingidos — e um funcionário morreu após tentativa de suicídio sob custódia.
  • Nem a PGR nem a defesa de Vorcaro responderam aos questionamentos da imprensa, deixando o desfecho suspenso num silêncio que pode durar semanas.

O ministro André Mendonça, do STF, solicitou na sexta-feira 12 de junho que a Procuradoria-Geral da República se manifeste sobre um pedido da Polícia Federal: transferir Daniel Vorcaro de uma carceragem para um presídio comum. A medida foi provocada pela rejeição de uma segunda proposta de delação premiada apresentada pelo ex-banqueiro, que está preso preventivamente desde março na Superintendência da PF em Brasília.

Vorcaro é o centro da Operação Compliance Zero, que apura fraudes no Banco Master — instituição liquidada pelo Banco Central. A operação começou em novembro de 2025, quando ele foi preso pela primeira vez ao tentar deixar o país, e foi se intensificando: em janeiro de 2026, mais de 5,7 bilhões de reais foram bloqueados; em março, ele foi preso novamente e permaneceu detido. Naquele mesmo mês, um homem que trabalhava para ele tentou se suicidar sob custódia da PF e morreu dias depois.

Desde então, a investigação se alastrou. O ex-presidente do Banco de Brasília foi preso em abril. Em maio, o senador Ciro Nogueira virou alvo — a PF cita pagamentos de propina, acusação que ele nega — e o ministro Mendonça afirmou que a relação entre os dois "extrapola a amizade". O pai de Vorcaro também foi preso, acusado de coordenar um grupo de intimidação e espionagem. O ex-governador do Rio Cláudio Castro foi alvo de buscas ligadas a movimentações de 3 bilhões de reais.

A operação passou da relatoria de Dias Toffoli para Mendonça em fevereiro de 2026 e segue se desdobrando. Agora, com o segundo acordo de delação rejeitado, a PF quer que Vorcaro deixe a carceragem da superintendência. A decisão final depende do posicionamento da PGR e da análise do ministro — um processo que, segundo indicam os precedentes do caso, pode se estender por semanas. Procuradas, nem a PGR nem a defesa de Vorcaro responderam até o fechamento da reportagem.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, pediu na sexta-feira 12 de junho que a Procuradoria-Geral da República se manifeste sobre um pedido da Polícia Federal: transferir o ex-banqueiro Daniel Vorcaro de uma carceragem para um presídio comum. A solicitação veio depois que os investigadores rejeitaram uma segunda tentativa de Vorcaro de firmar um acordo de delação premiada.

Vorcaro está detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília desde 19 de março, preso preventivamente enquanto é investigado na Operação Compliance Zero. A operação apura fraudes no Banco Master, instituição que foi liquidada pelo Banco Central. Os agentes da PF argumentam que o ex-banqueiro não deveria mais permanecer na carceragem da superintendência e pedem sua transferência para o sistema prisional comum.

O caso ganhou dimensões que extrapolam a figura de Vorcaro. A Operação Compliance Zero começou em novembro de 2025, quando o ex-banqueiro foi preso pela primeira vez — tentava deixar o Brasil — e depois solto dias depois. A segunda fase, em janeiro de 2026, resultou no bloqueio de mais de 5,7 bilhões de reais em valores ligados a ele. A terceira fase, deflagrada em março, o prendeu novamente, e desta vez ele permaneceu detido. Naquele mesmo mês, um homem que trabalhava para Vorcaro tentou se suicidar enquanto estava sob custódia da polícia e morreu dias depois.

Desde então, a operação se expandiu. Em abril, o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, foi preso sob suspeita de permitir operações sem lastro com o Master. Em maio, o senador Ciro Nogueira, do PP do Piauí, virou alvo da investigação — a PF cita pagamentos de propina de Vorcaro para o congressista, que negou as acusações. O ministro Mendonça afirmou que a relação entre os dois "extrapola a amizade". Nessa mesma fase, 18,85 milhões de reais foram bloqueados. Também em maio, o pai de Vorcaro foi preso; segundo a PF, ele coordenava um grupo de intimidação e espionagem. O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, também foi alvo de buscas em investigação que envolve o Master e movimentações de 3 bilhões de reais.

A operação começou sob relatoria do ministro Dias Toffoli em dezembro de 2025, passou para as mãos de André Mendonça em fevereiro de 2026 e desde então tem se desdobrado em múltiplas frentes. Vorcaro apresentou uma proposta de delação premiada cuja análise pelo ministro deve levar semanas, segundo informações da época. Agora, com a rejeição de uma segunda proposta, a PF quer que ele deixe a carceragem da superintendência.

O Poder360 procurou a Procuradoria-Geral da República para saber qual é o prazo para responder ao pedido de transferência, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. A defesa de Vorcaro também foi contatada e também não respondeu. A decisão sobre para onde o ex-banqueiro será transferido — ou se será — depende agora do posicionamento da PGR e da análise do ministro Mendonça, um processo que pode se estender por semanas.

A relação entre o político e o ex-banqueiro extrapola a amizade
— Ministro André Mendonça, sobre Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro
The Hearth Conversation Another angle on the story
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Por que a PF rejeitaria uma segunda proposta de delação? Não seria mais fácil aceitar e encerrar o caso?

Model

A delação premiada não é um acordo automático. A PF e o Ministério Público avaliam se o que o investigado oferece tem valor real — se ele realmente sabe de coisas importantes, se está sendo honesto. Se rejeitam uma segunda proposta, é porque acham que ele não está colaborando de verdade ou que o que oferece não compensa.

Inventor

E por que transferir Vorcaro para um presídio comum agora? O que muda?

Model

Enquanto ele está na carceragem da superintendência, está em um espaço controlado pela PF, onde pode ser interrogado, monitorado de perto. Um presídio comum é diferente — é o sistema prisional regular. É uma forma de dizer: você não está mais em negociação conosco, você é só um preso.

Inventor

A operação parece ter crescido muito além dele. Senador, ex-governador, presidente de banco...

Model

Isso é o que acontece quando você começa a puxar um fio. Vorcaro não agiu sozinho. Ele pagava pessoas, tinha conexões políticas, usava o sistema bancário. Cada pessoa que você prende te leva a outra. A operação virou uma investigação sobre como a fraude funcionava em toda a estrutura.

Inventor

Aquele homem que morreu em custódia — isso muda algo no caso?

Model

Muda tudo em termos de como as pessoas veem a operação. Não muda necessariamente o resultado legal, mas marca. Um homem tentou se matar enquanto estava sob custódia da PF. Isso fica na história do caso.

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Quanto tempo até sabermos para onde Vorcaro vai?

Model

Depende da PGR responder ao ministro Mendonça, e depois dele decidir. Pode ser semanas, pode ser mais. Não há pressa aparente.

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