Em algum ponto entre curar doenças e eliminar desconfortos, a medicina contemporânea cruzou uma fronteira que poucos perceberam. Tristeza, cansaço, envelhecimento e tédio — experiências que sempre compuseram o tecido da existência humana — passaram a ser tratados como falhas a corrigir. Especialistas alertam que confundir o sofrimento legítimo com a imperfeição natural da vida não apenas medicaliza o humano, mas pode aprofundar, paradoxalmente, os próprios males que se pretende curar.