Masayoshi Son se torna investidor estrangeiro nº 1 de Trump com acordos bilionários

Se tudo implodir, as consequências podem ser amplas
Alerta de especialista sobre os riscos de concentrar relações diplomáticas e comerciais em uma única pessoa.

Em um mundo onde o capital e o poder político se entrelaçam com crescente intimidade, o bilionário japonês Masayoshi Son construiu, ao longo de quase uma década, uma posição singular: a de principal interlocutor estrangeiro de Donald Trump na economia americana. Através de promessas de investimento que somam centenas de bilhões de dólares e de uma afinidade cultivada desde 2016, Son transformou o SoftBank em um ator incontornável da infraestrutura tecnológica dos Estados Unidos — e, por extensão, em um canal informal entre Tóquio e Washington. O que está em jogo não é apenas uma fortuna, mas a pergunta perene sobre o quanto uma relação pessoal pode sustentar interesses nacionais quando as marés políticas mudam.

  • O SoftBank avança sobre ativos estratégicos americanos — da OpenAI à Intel — com uma fluidez que outros investidores estrangeiros simplesmente não encontram em Washington.
  • A concentração de toda essa influência diplomática e econômica em uma única pessoa inquieta tanto diplomatas japoneses quanto analistas de segurança nacional.
  • Son escala suas apostas a cada ciclo político: cinquenta bilhões em 2016, cem bilhões após a reeleição de Trump, e agora a liderança do megaprojeto Stargate de quinhentos bilhões de dólares em IA.
  • O mercado precifica o risco: as ações do SoftBank sobem mais de sessenta por cento no ano, mas o grupo ainda negocia com desconto de quase quarenta por cento sobre o valor líquido de seus ativos.
  • O próximo passo — assumir controle de ativos físicos intensivos em empregos — é o terreno mais delicado, onde a proteção política de Trump pode ser tão necessária quanto perigosa de depender.

Masayoshi Son chegou a Washington com um roteiro que Trump reconheceu na hora. Fundador do SoftBank e homem que já perdeu e reconstruiu fortunas colossais, Son enxerga o mundo por uma lente que ressoa com a do presidente americano. Nos últimos oito meses, essa afinidade se aprofundou em algo maior: um relacionamento que movimenta bilhões e redefine o papel do Japão na política econômica dos Estados Unidos.

O SoftBank tornou-se um ator estrangeiro incontornável na economia americana. O grupo amplia sua participação na OpenAI, injetou dois bilhões de dólares na Intel e estuda assumir o controle da divisão de fundição da fabricante de chips — um ativo estratégico sensível. Há também o ambicioso complexo de robótica e inteligência artificial planejado para o Arizona. O que torna essa sequência notável é a ausência de fricção: enquanto outros investidores estrangeiros enfrentam desconfiança em Washington, Son navega com fluidez que surpreende.

A corte começou em dezembro de 2016, quando Son anunciou no Trump Tower um investimento de cinquenta bilhões de dólares. Quase uma década depois, prometeu cem bilhões adicionais e liderou, ao lado de Sam Altman e Larry Ellison, o anúncio do Stargate — megaprojeto de quinhentos bilhões em centros de dados de IA. Son aprendeu que a proximidade com o poder em Washington é necessária para concretizar sua ambição declarada: conduzir a humanidade a uma nova etapa através da inteligência artificial.

Mas essa proximidade tem custos. Diplomatas japoneses tentam, com cautela, tirar proveito da situação, ainda que incomodados com o papel de Son como mediador das relações bilaterais. O ex-diplomata Kunihiko Miyake resume o dilema com precisão: se Son não estiver próximo de Trump, ele não serve; se estiver próximo demais, é perigoso. A questão que paira é se uma relação pessoal pode sustentar os bilhões em jogo quando as circunstâncias políticas mudarem — e elas sempre mudam.

Masayoshi Son chegou a Washington com um roteiro que Donald Trump reconhecia na hora. Bilionário japonês que já perdeu e reconstruiu fortunas colossais, fundador do SoftBank, Son enxerga o mundo através de uma lente que não é tão diferente da do presidente americano. Nos últimos oito meses, essa afinidade se aprofundou em algo maior: um relacionamento que movimenta bilhões de dólares e redefine o papel do Japão na política econômica dos Estados Unidos.

O SoftBank transformou-se em um ator estrangeiro incontornável na economia americana. O grupo japonês está ampliando sua participação na OpenAI, injetou dois bilhões de dólares na Intel e estuda a possibilidade de assumir o controle da divisão de fundição da fabricante de chips, um ativo estratégico que desperta sensibilidades políticas. Paralelamente, o governo americano negocia sua própria participação de dez por cento na Intel, entrelaçando ainda mais os interesses de ambos os lados. Há também o ambicioso plano do SoftBank para um complexo gigantesco de robótica e inteligência artificial no Arizona, um projeto que simboliza a aposta de Son em que o futuro passa pela tecnologia americana.

O que torna essa sequência de movimentos notável é a ausência de fricção. Enquanto outros investidores estrangeiros enfrentam desconfiança e escrutínio em Washington, Son navegou com uma fluidez que surpreende. Joshua Walker, diretor-presidente da Japan Society, observa que em Washington, entre os círculos de Trump, Masayoshi virou a referência quando o assunto é Japão. Mas Walker também soa um alerta: quando uma relação tão crucial se concentra em uma única pessoa, o risco é real. Se tudo desabar, as consequências podem ser amplas.

A corte começou em dezembro de 2016, quando Son anunciou no Trump Tower um investimento de cinquenta bilhões de dólares. Era o tipo de anúncio grandioso que agrada ao presidente. Quase uma década depois, após a reeleição de Trump, Son prometeu cem bilhões adicionais. Semanas depois, ao lado de Sam Altman da OpenAI e Larry Ellison da Oracle, liderou o anúncio do Stargate, um megaprojeto de quinhentos bilhões de dólares em centros de dados de inteligência artificial. Son aprendeu que a proximidade com o poder em Washington é necessária para concretizar suas ambições, incluindo seu objetivo declarado de ser o homem a conduzir a humanidade a uma nova etapa através da inteligência artificial.

Até agora, os investimentos de Son não incluem controle de ativos físicos estratégicos e intensivos em empregos, como o aço. Esse é o próximo passo delicado. A tentativa da Nippon Steel de comprar a US Steel foi bloqueada pelo presidente Biden, mas recebeu sinal verde de Trump apenas depois que o republicano garantiu uma participação especial. Analistas sugerem que quanto mais empregos nos EUA o SoftBank puder alegar que gera, mais protegido Son estará, inclusive sob qualquer governo pós-Trump. Son já foi prejudicado quando o governo Biden bloqueou em 2021 a aquisição da Arm pela Nvidia, um negócio que teria transformado o SoftBank em um dos maiores acionistas da Nvidia.

As ações do SoftBank subiram mais de sessenta por cento neste ano. Investidores apontam sucessos como Alibaba, Arm, ByteDance e a esperança de que OpenAI se junte a essa lista de acertos. Mas o grupo negocia com um desconto de quase quarenta por cento em relação ao valor líquido de seus ativos, segundo o balanço mais recente. O mercado avalia o SoftBank em muito menos do que a soma de seus investimentos. Céticos dizem que o desconto reflete a dificuldade de quantificar os riscos das apostas de Son, como levantar financiamento para o Stargate. A OpenAI, por sua vez, enfrenta negociações difíceis com a Microsoft para se afastar de suas origens como organização sem fins lucrativos, conversas que terão impacto direto no investimento do SoftBank.

Os planos de Son parecem cada vez mais centrados nos Estados Unidos, não na China, embora o grupo ainda mantenha fortes laços no país, incluindo sua fatia na ByteDance. De ascendência coreana, Son fez o ensino médio na Califórnia e estudou economia e ciência da computação em Berkeley. Ele sempre se apresentou como alguém a meio caminho entre o Vale do Silício e o Japão, uma posição que o ajudou a firmar em 2008 o acordo com Steve Jobs para levar o iPhone ao Japão. Seu primeiro grande movimento nos EUA foi em 2013, com a compra da Sprint por vinte e dois bilhões de dólares, operação que levantou preocupações de segurança nacional, mas foi aprovada após ele concordar em retirar equipamentos da Huawei.

Mas essa proximidade com Trump desperta preocupações não apenas entre investidores, mas também entre diplomatas japoneses, que tentam, com cautela, tirar proveito da situação, ainda que incomodados com o papel de Son como mediador das relações. Kunihiko Miyake, professor visitante da Universidade Ritsumeikan e ex-diplomata japonês, resume o dilema: se Son não estiver próximo de Trump, ele não serve. Se estiver próximo demais, é perigoso. A questão que paira é se essa relação pessoal pode sustentar os bilhões em jogo quando as circunstâncias políticas mudarem.

Em Washington, com Trump e com os que o cercam, Masayoshi virou o cara de referência sobre o Japão
— Joshua Walker, diretor-presidente da Japan Society
O dilema é que, se Son não estiver próximo de Trump, ele não serve. Se estiver próximo demais, é perigoso
— Kunihiko Miyake, professor visitante da Universidade Ritsumeikan e ex-diplomata japonês
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que Trump e Son se entendem tão bem? Parecem vir de mundos completamente diferentes.

Model

Ambos têm uma visão de mundo que desafia o establishment. Trump é antissistema, Son também. Os dois já perderam e recuperaram fortunas colossais. Enxergam oportunidades onde outros veem risco. E Son aprendeu que em Washington, estar próximo do poder é tão importante quanto a qualidade do investimento.

Inventor

Mas por que o SoftBank não enfrenta a mesma desconfiança que outros investidores estrangeiros?

Model

Porque Son foi estratégico. Seus investimentos até agora são em tecnologia e infraestrutura de chips, não em ativos físicos sensíveis como aço ou defesa. E ele cultiva Trump pessoalmente desde 2016. Quando você promete cinquenta bilhões, depois cem bilhões, depois quinhentos bilhões em um megaprojeto, você ganha acesso.

Inventor

Qual é o risco real aqui?

Model

A concentração. Se tudo depende de Son estar próximo de Trump, e Trump sair do poder ou mudar de prioridades, o que acontece? Diplomatas japoneses estão nervosos porque sabem que essa relação é frágil. Se implodir, as consequências podem ser amplas para o Japão inteiro.

Inventor

O SoftBank está realmente tão dependente dessa relação?

Model

Não completamente. Son vê oportunidades reais em infraestrutura americana e inteligência artificial. Mas para acessar ativos mais sensíveis, como a divisão de fundição da Intel, ele precisa dessa proximidade. É um cálculo constante.

Inventor

E se Biden tivesse vencido novamente?

Model

Provavelmente não estaríamos falando sobre isso. Biden bloqueou a aquisição da Arm pela Nvidia em 2021. Son teria enfrentado muito mais resistência. A reeleição de Trump mudou completamente o cenário para o SoftBank.

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