Marco Silva pede reforços, mas reconhece que chegam com atraso

O verdadeiro julgamento do Benfica será em maio, não agora
Silva pede paciência aos adeptos enquanto a equipa se prepara para a estreia oficial na Liga Europa.

Em plena pré-época atípica, Marco Silva confronta a realidade de um clube grande que ainda não é o que quer ser: poucos jogadores disponíveis, pouco tempo para preparar, e um mercado que avança ao seu próprio ritmo. A derrota frente ao Flamengo não foi apenas um resultado — foi um espelho de um processo ainda incompleto, num momento em que a estreia oficial na Liga Europa já se aproxima. O treinador do Benfica pede ao seu povo aquilo que o futebol raramente concede com facilidade: paciência.

  • O Benfica perdeu 1-2 com o Flamengo numa tarde em que a equipa esteve lenta, sem agressividade e sem identidade reconhecível durante grande parte do jogo.
  • A pré-época é a mais curta de que há memória recente — apenas quatro semanas antes da estreia oficial na Suíça, com vários titulares ainda no Mundial.
  • Ausências por castigo, adaptações forçadas e lesões de jovens como Jaden Umeh acumulam pressão sobre um plantel já reduzido e em construção.
  • Marco Silva reconhece que os reforços necessários chegarão, mas não ao ritmo que todos desejam, e recusa-se a comentar rumores sobre nomes como João Palhinha.
  • O treinador apela à calma dos adeptos: o verdadeiro julgamento do Benfica será feito em maio, não em julho.

Marco Silva saiu do Estádio Algarve com a frustração visível de quem vê a sua equipa aquém do que imaginou. O Benfica perdeu 1-2 com o Flamengo numa tarde de julho, e o treinador sabia que tinha pouco tempo para corrigir o que vira — doze dias antes da estreia oficial na Liga Europa, frente ao St. Gallen, na Suíça.

Nas declarações após o jogo, Silva foi direto: a primeira parte foi lenta, sem agressividade, sem a velocidade de decisão que quer ver. O Benfica só acordou depois de sofrer o segundo golo, criou oportunidades para empatar, mas não conseguiu. Para um clube da sua dimensão, mesmo numa pré-época, o gosto é amargo.

O que torna esta preparação diferente é a pressa. Apenas quatro semanas de trabalho, com vários jogadores ainda no Mundial. As ausências obrigaram a adaptações — Rafa nas alas, jovens da formação em destaque forçado. Silva lançou vários miúdos, alguns pela primeira vez numa situação de verdadeiro relevo. Jaden Umeh, titular, saiu lesionado ao intervalo, mas tem o apoio total do treinador. Alguns destes jovens, garantiu Silva, vão ficar no plantel principal.

Sobre o mercado, o treinador foi honesto: os reforços virão, mas não tão depressa quanto todos gostariam. É a realidade do futebol moderno. Sobre João Palhinha, recusou comentar — não fala de jogadores que não sejam do Benfica. O foco está no que pode controlar.

No final, Silva pediu paciência. O verdadeiro Benfica não se mede em julho. Mede-se em maio.

Marco Silva saiu do banco de suplentes no Estádio Algarve com a frustração de quem vê a sua equipa perder quando esperava ganhar. O Benfica tinha caído 1-2 para o Flamengo numa tarde de julho, e o treinador das águias sabia que tinha pouco tempo para corrigir o que vira em campo. Doze dias depois, viria o jogo que realmente importa — a estreia oficial na Liga Europa, frente ao St. Gallen, na Suíça, numa pré-eliminatória que não admite erros.

Nas entrevistas que deu logo após o apito final, Silva foi claro sobre o que o preocupava: a equipa ainda não era aquela que ele quer que seja. A primeira parte tinha sido lenta, sem agressividade, sem a velocidade de decisão necessária para desestabilizar o adversário. Só depois do segundo golo sofrido é que o Benfica acordou, criou duas ou três oportunidades claras para empatar, mas não conseguiu. Para um clube da dimensão do Benfica, perder na pré-temporada deixa um gosto amargo, mesmo que o resultado não seja o mais importante nesta fase.

O que torna esta pré-época diferente de todas as outras é a pressa. Silva tem apenas quatro semanas para preparar a equipa antes daquele jogo na Suíça — muito menos do que o habitual. Alguns dos seus melhores jogadores ainda estão no Mundial, ausências que deixam buracos em posições críticas. Quando Kaminski chegou, por exemplo, o Benfica nem tinha uma solução para as alas. Rafa teve de ser adaptado para essa função. O castigo de Prestianni criou outro vazio. Tudo isto obrigou Silva a lançar vários jovens da formação, alguns deles a aparecerem pela primeira vez numa situação de verdadeiro destaque.

Sobre o mercado de transferências, Silva foi honesto: o Benfica quer reforços em posições específicas, e vai consegui-los, mas não tão depressa quanto todos gostariam. É a realidade do futebol moderno, do calendário apertado, das negociações que se arrastam. O terceiro jogador tinha chegado, outros viriam aos poucos. Enquanto isso, Silva tem de trabalhar com o que tem, implementar as suas ideias, fazer com que os jogadores entendam rapidamente o que ele quer. A atitude dos jogadores tem sido boa, abertos a aprender, dispostos a assimilar os processos que a nova equipa técnica traz. Alguns momentos no jogo com o Flamengo já deixaram entrever o que o Benfica pode fazer, ainda que a uma velocidade muito baixa, sem a intensidade que será possível alcançar.

Os jovens da formação mereceram atenção especial. Silva não quis nomear nomes, mas deixou claro que alguns deles vão ficar no plantel principal para a temporada. Jaden Umeh, que estreou como titular, teve uma lesão ao intervalo que pode atrasar a sua preparação, mas tem todo o apoio do treinador. Estes rapazes têm oportunidades à sua frente, e cabe a eles agarrá-las.

Quando lhe perguntaram sobre João Palhinha — um nome que circulava nos rumores de mercado — Silva recusou comentar. Não falaria de jogadores que não fossem do Benfica, disse. O foco tem de estar naquilo que pode controlar: a preparação da equipa que tem, o trabalho tático, a implementação das ideias.

No final, Silva pediu paciência. A verdadeira medida do Benfica não será em julho, nem em agosto. Será em maio, quando a temporada terminar. Até lá, haverá dificuldades, haverá conversas, haverá coisas que se dirão. Mas é preciso que as pessoas tenham calma. O jogo na Suíça é o próximo passo, e depois virão os jogadores do Mundial, que serão fundamentais. Aquilo que o Benfica será — o verdadeiro Benfica — será diferente daquilo que se viu contra o Flamengo. Disso Silva tem certeza.

Somos o Benfica e não gostamos de ter este feeling no final de um jogo que não ganhámos, mas a realidade é que a equipa tem que se ir preparando
— Marco Silva
É óbvio que não será tão rápido como todos nós queríamos, mas faz parte
— Marco Silva, sobre a chegada de reforços
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Como é que se prepara uma equipa quando metade dos melhores jogadores ainda estão noutro lado do mundo?

Model

É como tentar construir uma casa com alguns operários ainda em férias. Tens de trabalhar com quem está cá, implementar as ideias, e depois quando chegam os outros, tudo encaixa mais depressa. Mas exige paciência.

Inventor

A derrota com o Flamengo incomodou-o?

Model

Claro que incomodou. Somos o Benfica, entramos em todos os jogos para ganhar. Mas aquilo que vi foi uma equipa que ainda está a acordar, que ainda não tem a velocidade que vai ter. Não é desculpa, é realidade.

Inventor

Falou em reforços que chegam com atraso. Isso é um problema real ou apenas a forma como o mercado funciona?

Model

É a forma como o mercado funciona, mas é um problema real para nós neste momento. Queremos jogadores em posições específicas, vão chegar, mas não tão depressa quanto gostaríamos. Temos de trabalhar com o que temos enquanto isso.

Inventor

Os jovens da formação estão à altura?

Model

Alguns deles sim, sem dúvida. Têm características diferentes, têm fome, têm oportunidades à sua frente. Cabe a eles agarrá-las. Alguns vão ficar connosco, isso é certo.

Inventor

Quando é que o Benfica vai parecer realmente o Benfica?

Model

Em maio. Agora é só o começo. Há muita coisa que se vai falar, muita gente que vai ter pressa, mas o verdadeiro julgamento é no final. Até lá, é preciso ter calma.

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