Mais de 72 mil empresas já pedem compensação pelo aumento do salário mínimo

Menos de metade das empresas elegíveis tinham apresentado pedidos
Apesar da oportunidade de compensação estar disponível, apenas 72.415 de 218.219 empresas elegíveis tinham formalizado candidaturas até 8 de fevereiro.

Quando o salário mínimo nacional subiu de 665 para 705 euros em 2022, o Estado português abriu uma janela de compensação para amenizar o impacto sobre os empregadores. Pouco mais de uma semana após o início das candidaturas, 72.415 empresas já tinham solicitado reembolsos num total de 40,5 milhões de euros — menos de metade do universo de 218.219 entidades elegíveis. O prazo encerra a 1 de março, deixando em aberto a questão de saber se a baixa adesão reflete desconhecimento, burocracia ou simplesmente a resiliência silenciosa de quem absorveu o custo sem pedir ajuda.

  • O aumento unilateral do salário mínimo, decidido sem acordo com sindicatos ou patronato, criou uma pressão imediata sobre os custos laborais de milhares de empresas.
  • Apenas 72.415 das 218.219 empresas elegíveis formalizaram pedido — menos de metade — apesar de o programa estar amplamente divulgado e o prazo ser curto.
  • Cada empresa pode receber entre 56 e 112 euros por trabalhador afetado, dependendo do salário que esse funcionário auferia em dezembro de 2021.
  • O Governo prevê gastar 100 milhões de euros no total, mas os 40,5 milhões já solicitados sugerem que a adesão real ficará muito aquém das expectativas.
  • O prazo de candidatura encerra a 1 de março, sem possibilidade de segunda oportunidade, e os pagamentos deverão chegar às empresas entre março e abril.

Em fevereiro de 2022, com a subida do salário mínimo nacional de 665 para 705 euros, o Governo português criou um programa de compensação para as empresas do continente que sentissem o impacto direto dessa mudança. Passada pouco mais de uma semana desde a abertura das candidaturas, 72.415 empresas já tinham apresentado pedidos de reembolso, somando cerca de 40,5 milhões de euros em apoios solicitados.

O mecanismo era relativamente direto: as empresas podiam requerer entre 56 e 112 euros por cada trabalhador afetado, consoante o salário que esse funcionário recebia em dezembro de 2021. Quem ganhava exatamente 665 euros dava direito ao apoio máximo; quem recebia um valor intermédio gerava uma compensação reduzida, salvo se o salário tivesse sido revisto por instrumento de regulamentação coletiva em 2021.

O que tornava os números reveladores era o que faltava: o IAPMEI estimava 218.219 empresas elegíveis, abrangendo mais de um milhão de trabalhadores, mas menos de metade tinha formalizado candidatura. O Governo esperava gastar cerca de 100 milhões de euros no total — um valor que pressupunha uma adesão muito superior à registada até então.

O prazo encerrava a 1 de março, sem possibilidade de recurso posterior, deixando às empresas apenas três semanas para agir. Os pagamentos seriam processados nos 30 dias seguintes, situando as transferências entre março e abril. A baixa adesão levantava uma questão sem resposta clara: tratava-se de desconhecimento, de burocracia, ou de empresas que simplesmente absorveram o custo sem recorrer ao Estado?

Em fevereiro de 2022, quando o salário mínimo nacional saltou de 665 para 705 euros, o Governo abriu uma janela de compensação para as empresas que sentissem o impacto direto dessa subida. Até ao dia 8 de fevereiro, pouco mais de uma semana após o início das candidaturas, já 72.415 empresas tinham entregue pedidos de reembolso — um montante que somava aproximadamente 40,5 milhões de euros em apoios solicitados.

O programa funcionava de forma simples: as empresas com sede no continente, independentemente do seu tamanho ou forma jurídica, podiam requerer uma compensação entre 56 e 112 euros por cada trabalhador afetado. O valor dependia da situação específica de cada funcionário em dezembro de 2021. Se um trabalhador recebia exatamente 665 euros nessa altura, a empresa teria direito aos 112 euros completos. Se recebia mais do que isso mas menos de 705 euros, o apoio era de 56 euros — a menos que o salário tivesse sido acordado através de um instrumento de regulamentação coletiva revisto ou alterado em 2021, caso em que o apoio voltava a ser de 112 euros.

O que tornava estes números particularmente reveladores era o facto de representarem menos de metade do universo elegível. O IAPMEI estimava que 218.219 empresas em todo o país poderiam beneficiar deste apoio, abrangendo um total de 1.106.152 trabalhadores. Isto significava que, apesar da oportunidade estar amplamente divulgada, a maioria dos empregadores ainda não tinha formalizado o seu pedido. Entre os que o fizeram, 305.965 trabalhadores estavam abrangidos pelo apoio máximo de 112 euros, enquanto 111.140 recebiam a compensação reduzida de 56 euros.

O prazo para candidaturas era apertado: 1 de março. Isso deixava às empresas apenas três semanas para se registarem na plataforma criada especificamente para este fim. Após essa data, o direito caducaria — não haveria segunda oportunidade. O Governo tinha planeado gastar cerca de 100 milhões de euros no total com esta medida, o que sugeria que esperava uma adesão significativamente maior do que a que se verificava até àquela altura.

O pagamento seria processado num prazo máximo de 30 dias após o encerramento do período de candidaturas, o que colocava a transferência de fundos entre março e abril. Havia também uma vantagem adicional: este apoio era cumulável com outras medidas de apoio ao emprego aplicáveis ao mesmo posto de trabalho, incluindo os subsídios concedidos durante a pandemia de COVID-19.

A decisão de aumentar o salário mínimo tinha sido tomada unilateralmente pelo Governo, sem acordo prévio com os parceiros sociais — sindicatos e associações patronais. A compensação às empresas era, portanto, uma tentativa de mitigar o impacto económico dessa escolha política. Mas com menos de metade das empresas elegíveis a apresentarem candidaturas até ao dia 8 de fevereiro, ficava a questão de saber se a falta de conhecimento, a burocracia do processo, ou simplesmente a capacidade financeira das empresas explicavam a adesão moderada.

O Governo prevê gastar cerca de 100 milhões de euros com esta compensação à atualização do salário mínimo
— Ministro da Economia
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Porque é que menos de metade das empresas elegíveis apresentaram pedidos até àquela data?

Model

Há várias razões possíveis. Algumas empresas podem não ter conhecimento do programa, outras podem achar que o processo de registo é demasiado complexo, e há ainda aquelas que simplesmente não têm margem financeira para esperar 30 dias pelo reembolso.

Inventor

O valor do apoio — entre 56 e 112 euros por trabalhador — é realmente significativo para as empresas?

Model

Depende do tamanho da empresa. Para uma pequena empresa com 10 trabalhadores, isso pode representar 1.120 euros, o que é relevante. Mas para uma grande empresa com centenas de funcionários, é apenas uma gota num oceano de custos.

Inventor

Porque é que o Governo decidiu compensar as empresas se o aumento do salário mínimo era uma decisão política deliberada?

Model

Porque reconheceu que, especialmente para as pequenas e médias empresas, um aumento de 40 euros no salário mínimo pode ter impacto real nos custos operacionais. A compensação era uma forma de suavizar essa transição.

Inventor

E o facto de ser cumulável com outros apoios — isso muda a equação?

Model

Sim, porque significa que uma empresa que estava a receber subsídios de pandemia, por exemplo, podia agora receber também este apoio. Tornava a medida mais generosa do que parecia à primeira vista.

Inventor

Qual era o risco real se muitas empresas não apresentassem pedidos?

Model

O Governo teria gasto menos do que os 100 milhões previstos, e as empresas que não pedissem estariam a absorver integralmente o custo do aumento salarial. Seria uma oportunidade perdida.

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