Escrever, justamente o que todo mundo faz o tempo todo, é o que está proibido
Há algo de profundamente humano na necessidade de criar comunidade a partir de restrições: quando um estudante de Química em Florianópolis proibiu palavras em um grupo de WhatsApp e exigiu apenas assobios, não esperava que 740 pessoas de diferentes estados aceitassem o convite silencioso. O experimento, nascido em abril de 2025 na UFSC, revela que a linguagem não depende de letras para existir — e que o absurdo, quando levado a sério, pode gerar pertencimento genuíno.
- Um estudante criou uma regra impossível — falar sem palavras — e o WhatsApp respondeu com 740 membros dispostos a obedecer.
- A moderação é implacável: texto apagado na primeira vez, banimento permanente na segunda, sem exceções e sem negociação.
- O crescimento foi selvagem e sem publicidade: mais de 50 novos membros por dia entravam apenas porque outros membros compartilhavam o link.
- A restrição não silenciou o grupo — criou um coral improvisado de melodias assobiadas, sons aleatórios e figurinhas temáticas.
- O experimento desafia a lógica dos aplicativos de mensagem ao proibir exatamente o que todos fazem o tempo todo: escrever.
Em abril deste ano, Gabriel Martinez, estudante de Química da UFSC, criou um grupo de WhatsApp com uma regra única e absurda: a única comunicação permitida seria o assobio. Quatro meses depois, o que era uma brincadeira de campus havia reunido 740 pessoas de Paraná, Bahia e São Paulo em uma conversa inteiramente sem palavras escritas.
As regras são simples e inflexíveis. Textos são apagados imediatamente. Fotos não entram. Figurinhas aleatórias são deletadas. Só valem áudios de assobio, sons parecidos ou figurinhas relacionadas ao tema. Quem desobedece uma vez recebe aviso; quem insiste é banido para sempre.
Rhayane Wenzel Rockstroh, aluna de Química e moderadora, explica que a comunidade cresceu de forma completamente orgânica — os próprios membros espalhavam o link, sem publicidade ou campanha. Houve dias com mais de 50 entradas novas. A moderação é levada a sério por um grupo de estudantes que zela pelo cumprimento das regras.
O mais surpreendente é que a restrição não matou a comunicação — ela a reinventou. Dentro do grupo, emergiu uma linguagem própria: alguns soltam sons aleatórios, outros reconstroem melodias conhecidas em assobios, transformando o chat em um coral improvisado. O grupo não tem vínculo oficial com a UFSC, mas demonstra, à sua maneira absurda, que pertencimento pode nascer justamente onde as palavras estão proibidas.
Em abril deste ano, um estudante de Química da Universidade Federal de Santa Catarina teve uma ideia simples e absurda: criar um grupo de WhatsApp onde a única forma permitida de comunicação fosse assobiar. Quatro meses depois, Gabriel Martinez viu sua brincadeira de campus virar um fenômeno que atravessou fronteiras estaduais, reunindo 740 pessoas de lugares tão distantes quanto Paraná, Bahia e São Paulo em uma conversa que funciona inteiramente sem palavras escritas.
As regras do "grupo de assobiadores UFSC" são tão rigorosas quanto inusitadas. Mensagens de texto desaparecem na hora. Fotos não entram. Figurinhas aleatórias são deletadas. A única coisa que vale é enviar áudios de assobio, sons que se pareçam com assobio, ou figurinhas que façam referência ao tema. Quem desobedece uma vez recebe aviso. Quem tenta de novo é banido para sempre.
O que começou como uma brincadeira entre colegas de universidade cresceu de forma orgânica e acelerada. Segundo Rhayane Wenzel Rockstroh, aluna de Química e uma das moderadoras do grupo, houve dias em que mais de 50 pessoas entravam na comunidade, tudo porque os próprios membros compartilhavam o link entre si. Ninguém pagou publicidade. Ninguém fez campanha. O grupo simplesmente se espalhou.
Rhayane explicou como a moderação funciona na prática: "A principal regra é não falar sobre nada que não seja assobiando. Ou você manda áudios de assobio, ou você manda figurinhas de assobio. O pessoal é bem de boa com isso. A maioria entende as regras. Mas tem um ou outro que vai lá e manda uma mensagem de texto; a gente apaga a mensagem e avisa: se mandar de novo, é banido." A administração fica a cargo de um grupo de estudantes que levam a coisa a sério.
O que torna o experimento particularmente curioso é que a restrição não sufocou a comunicação — pelo contrário, criou uma linguagem própria. Dentro do grupo, há uma variedade surpreendente de tons e andamentos. Alguns membros soltam sons aleatórios. Outros capricham na melodia de músicas famosas, transformando a conversa em uma espécie de coral improvisado feito apenas de assobios. A comunicação acontece, mas de um jeito que ninguém esperaria em um aplicativo de mensagens.
É curioso notar que o grupo não tem vínculo oficial com a UFSC. É uma iniciativa completamente espontânea dos estudantes, nascida de uma ideia que poderia ter morrido em uma semana de piadas internas. Em vez disso, ela virou um espaço onde a regra do silêncio textual — justamente aquilo que todo mundo faz o tempo todo no WhatsApp — é o que está proibido. E de alguma forma, isso funcionou.
Citas Notables
A principal regra é não falar sobre nada que não seja assobiando. Ou você manda áudios de assobio, ou você manda figurinhas de assobio.— Rhayane Wenzel Rockstroh, moderadora do grupo
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que você acha que um grupo assim cresceu tanto? Parece uma piada que deveria morrer rápido.
Porque é genuinamente criativo. As pessoas estão cansadas de grupos de WhatsApp cheios de mensagens, memes, correntes. Aqui há uma regra clara, absurda, mas clara. E ela cria um espaço diferente.
Mas assobiar é difícil. Nem todo mundo consegue fazer direito.
Exatamente. Isso é parte do charme. Não é sobre ser bom em assobiar. É sobre aceitar uma limitação e brincar dentro dela. Alguns mandam sons aleatórios, outros tentam melodias. Todos estão no mesmo jogo.
E quando alguém manda uma mensagem de texto por acidente?
Apaga na hora. Se fizer de novo, é banido. A regra é rígida, mas as pessoas respeitam porque entendem que é o ponto todo. Sem essa rigidez, vira um grupo normal.
Você acha que isso vai durar?
Não sei. Pode ser que em alguns meses as pessoas se cansem. Ou pode ser que vire uma coisa permanente, um espaço que as pessoas voltam quando querem fazer algo diferente. O importante é que funcionou enquanto funcionou.