A gente procura os canais oficiais e ninguém faz nada
Grupo de mães relata episódios de violência psicológica e humilhação contra crianças de 8 anos, com denúncias encaminhadas à direção, coordenação e Secretaria de Educação desde abril. Crianças apresentam sintomas físicos e emocionais como crises de choro, náuseas, vômitos e resistência em frequentar a escola, segundo relatos das famílias.
- Denúncias de violência psicológica contra crianças de 8 anos na EMEF Rafael de Medina desde início de 2026
- Boletim de ocorrência registrado em 16 de abril de 2026
- Crianças apresentam sintomas como náuseas, vômitos, crises de choro e recusa em frequentar a escola
- Prefeitura afirma ter convocado professora em 23 de abril e acompanhado o caso desde então
Mães de alunos da EMEF Rafael de Medina denunciam supostas condutas agressivas e constrangedoras de professora durante aulas de Educação Física, relatando impacto emocional nas crianças desde início do ano letivo.
Uma assistente social publicou um vídeo nas redes sociais na semana passada denunciando o que ela e outras mães descrevem como um padrão de comportamento agressivo e constrangedor de uma professora de Educação Física na EMEF Rafael de Medina, em Araraquara. A filha dela, uma criança de 8 anos, é uma das alunas envolvidas. Segundo o relato, os episódios ocorrem desde o início de 2026, mas as famílias afirmam que nenhuma medida efetiva foi adotada apesar de múltiplas denúncias encaminhadas à direção da escola, à coordenação pedagógica e à Secretaria Municipal de Educação.
A mãe descreve uma conduta que se repete ao longo dos meses: a professora adota um comportamento agressivo e violento, as famílias reclamam, há uma pausa temporária, e depois o padrão retorna. O episódio mais recente que motivou a publicação do vídeo ocorreu na quinta-feira, 25 de junho, quando, segundo a mãe, a professora gritou diretamente no ouvido de uma criança durante um ensaio de apresentação. A mãe afirma que esse é o "modus operandi" da professora.
O impacto nas crianças vai além do constrangimento imediato. A filha da denunciante passou a apresentar sintomas físicos e emocionais relacionados ao medo das aulas: fica extremamente fragilizada, não quer ir para a escola, e houve ocasiões em que precisou ser trazida de volta para casa porque seu estômago embrulhava. Outras famílias relatam crises de choro, dores de cabeça, náuseas, vômitos e ansiedade generalizada. As mães argumentam que o problema não é individual, mas coletivo, afetando toda a turma, e que as soluções oferecidas pela escola — tratadas de forma isolada com cada família — não resolvem a questão.
As denúncias foram formalizadas. Um boletim de ocorrência foi registrado em 16 de abril de 2026, após um episódio ocorrido no dia anterior, no qual a criança foi intimidada. As famílias também encaminharam e-mails à Secretaria Municipal de Educação solicitando a abertura de procedimento administrativo. Seus pedidos incluem a instauração de sindicância administrativa, averiguação dos fatos, adoção de medidas para garantir a segurança dos alunos e eventual afastamento preventivo da professora durante as investigações. As mães fundamentam suas reclamações no Estatuto da Criança e do Adolescente, citando artigos que asseguram o direito à preservação da integridade física, psíquica e moral, e que proíbem tratamento desumano, violento ou constrangedor.
A Prefeitura de Araraquara respondeu às denúncias afirmando que tem conhecimento do caso e que adotou providências. Segundo a nota oficial da Secretaria Municipal de Educação, após receber queixas em abril, a coordenação pedagógica e a direção realizaram orientações registradas em atas nos dias 15 e 16 de abril. A professora foi convocada para prestar esclarecimentos em reunião no dia 23 de abril, recebendo orientações formais. A mãe também foi convocada para comparecer à Secretaria no dia 30 de abril, mas não compareceu, alegando um compromisso. A Prefeitura afirma que desde então o caso segue sendo acompanhado pela equipe técnica da Secretaria sem novas queixas registradas.
Quanto ao episódio de 25 de junho que motivou o vídeo, a Prefeitura oferece uma versão diferente: segundo a direção da escola, a professora teria chamado a atenção de uma aluna por repetidas vezes porque a menina estava jogando uma parte de sua blusa para os colegas usarem como bola de futebol, e a aluna teria chorado. A Secretaria afirma que iniciou imediatamente um processo de verificação dos fatos. O descompasso entre as narrativas — a mãe descrevendo um grito no ouvido como intimidação, a escola descrevendo uma chamada de atenção por comportamento inadequado — permanece no centro da disputa.
O que está em jogo agora é se as investigações da Prefeitura foram suficientes e se as medidas adotadas realmente resolveram o problema. As mães questionam a efetividade das orientações formais e pedem ações mais contundentes. A Prefeitura reafirma seu compromisso com a apuração responsável, assegurando o devido processo e a ampla defesa, mas o caso segue aberto, com as famílias aguardando respostas mais concretas.
Citas Notables
Minha filha, desde o início, fica extremamente fragilizada quando é aula. Ela não quer ir para a escola.— Assistente social Taís Pereira de Freitas, mãe de aluna
A gente procura os canais oficiais e ninguém faz nada.— Mãe denunciante
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que a mãe decidiu publicar o vídeo agora, se as denúncias já tinham sido feitas em abril?
Porque nada mudou. Ela diz que a Prefeitura convocou a professora, deu orientações, mas os episódios continuaram acontecendo. O vídeo foi uma forma de chamar atenção pública quando os canais oficiais não funcionaram.
A Prefeitura diz que não houve novas queixas desde abril. Como isso se encaixa com o relato da mãe?
A mãe não compareceu à reunião agendada em 30 de abril. Depois disso, talvez as famílias tenham parado de fazer reclamações formais, mas isso não significa que os episódios pararam. Pode significar que desistiram dos canais oficiais.
As crianças estão realmente sofrendo, ou as mães estão interpretando comportamento normal de professor de forma exagerada?
Os sintomas que descrevem — náuseas, vômitos, recusa em ir à escola — são reais. Seja qual for a intenção da professora, o efeito nas crianças é mensurável. Isso é o que importa para as famílias.
A Prefeitura ofereceu uma explicação diferente para o episódio de 25 de junho. Quem está certo?
Não sabemos. A mãe viu um grito no ouvido como intimidação. A escola viu uma chamada de atenção legítima. Sem investigação independente, é impossível saber qual versão é mais próxima do que realmente aconteceu.
O que as mães querem que aconteça agora?
Querem que a professora seja afastada enquanto a investigação acontece, e que haja uma sindicância administrativa real, não apenas orientações registradas em ata. Querem que o problema seja tratado como coletivo, não como se cada criança tivesse um problema individual.
Isso pode resultar em consequências legais para a professora?
Depende do que a investigação encontrar. Se os fatos se enquadrarem no que a lei chama de vexame ou constrangimento de menores, sim. Mas primeiro precisa haver apuração real dos fatos.