O seu partido mais uma vez enredado no escândalo de corrupção
Aprovação positiva de Lula caiu de 32% para 31% no dia da operação, com avaliação ruim/péssima em 38%, mas indicadores se recuperaram após. Impacto político é menor para Lula do que para Flávio Bolsonaro, já que acusações recaem sobre Wagner, não diretamente no presidente.
- Aprovação positiva de Lula caiu de 32% para 31% no dia 18 de junho
- Desaprovação do governo recuou de mais de 40% para 38% nos últimos meses
- Jaques Wagner, líder do governo no Senado, foi atingido pela operação da PF sobre o Banco Master
Pesquisa diária do Real Time Big Data registra queda na aprovação de Lula após operação da PF contra o Banco Master atingir o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, mas recuperação ocorre no dia seguinte.
Os números que a empresa Real Time Big Data coleta todos os dias contam uma história de impacto rápido e recuperação mais rápida ainda. No dia 18 de junho, quando a Polícia Federal avançou sobre as investigações do Banco Master — atingindo em cheio Jaques Wagner, o líder do governo no Senado — a aprovação positiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva caiu um ponto percentual, de 32% para 31%. A avaliação ruim ou péssima subiu para 38%. Mas era um tremor, não um terremoto. No dia seguinte, os números voltaram ao patamar anterior.
Lucas Thut Sahd, diretor-executivo da Real Time Big Data, explicou em entrevista ao programa VEJA em Foco que o monitoramento diário da empresa havia detectado esse impacto negativo na imagem presidencial. A associação entre o caso e o PT pesou. "Já notamos que caiu a sua popularidade por ver o seu partido mais uma vez enredado no escândalo de corrupção", disse. O efeito, porém, foi contido — uma queda de um ponto que se desfez em horas.
Sahd ponderou que o dano político para Lula tende a ser menor do que aquele sofrido por Flávio Bolsonaro em situação análoga. A diferença é estrutural: as acusações contra Wagner recaem sobre ele, não sobre o presidente. "Jaques Wagner não é o presidente Lula, obviamente. Então não tem uma ligação direta 100%, mas é o líder do seu governo. Então abala bastante a imagem do presidente do partido", explicou. O senador é o rosto do governo no Senado, mas não é o rosto do governo.
O contexto mais amplo, porém, aponta para uma trajetória de recuperação. Nos últimos meses, Lula vinha apresentando melhora gradual nos indicadores de aprovação. A desaprovação, que havia superado os 40%, recuou para 38%. Sahd atribuiu essa recuperação a medidas econômicas voltadas à população de menor renda — o programa Desenrola, o debate sobre redução da jornada de trabalho. "A tentativa do presidente de recuperar a economia do país, principalmente impactar a vida do cidadão mais pobre, tem surtido efeito na avaliação do presidente", afirmou.
Mas Sahd também alertou que o escândalo do Banco Master pode deixar marcas duradouras. Esses episódios de corrupção influenciam as intenções de voto, disse. E há mais por vir: novas revelações envolvendo aliados de diferentes campos políticos podem surgir ao longo da pré-campanha para 2026. O que aconteceu em 18 de junho pode ser apenas o primeiro capítulo de uma história que ainda está sendo escrita.
Citações Notáveis
Já notamos que caiu a sua popularidade por ver o seu partido mais uma vez enredado no escândalo de corrupção— Lucas Thut Sahd, diretor-executivo do Real Time Big Data
A tentativa do presidente de recuperar a economia do país, principalmente impactar a vida do cidadão mais pobre, tem surtido efeito na avaliação do presidente— Lucas Thut Sahd
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que uma queda de um ponto percentual em um dia importa, se recupera no dia seguinte?
Porque mostra que o público reage a escândalos, mesmo que brevemente. É um sinal de que a notícia chegou, foi processada, e depois a vida seguiu. Mas o padrão importa — se tivesse caído e não recuperado, seria diferente.
Então Lula está protegido porque Wagner é o acusado, não ele?
Parcialmente. Wagner é o líder do governo no Senado, então a mancha toca o partido inteiro. Mas você está certo — se fosse o próprio Lula acusado, a queda seria muito maior e duraria mais tempo.
E essas medidas econômicas que Sahd menciona — o Desenrola, a jornada de trabalho — estão realmente funcionando?
Segundo os dados que a Real Time Big Data coleta, sim. A desaprovação caiu de mais de 40% para 38%. Não é transformador, mas é movimento na direção certa, especialmente entre quem tem menos renda.
O que preocupa Sahd sobre 2026?
Que isso não vai parar. Mais escândalos virão, envolvendo gente de vários lados políticos. E cada um deles mexe com as intenções de voto. O Banco Master pode ser só o começo.
Então a aprovação de Lula é frágil?
Não frágil — fluida. Reage a eventos, mas tem uma base que se recupera. O que importa agora é se as medidas econômicas conseguem manter essa recuperação antes que o próximo escândalo chegue.