A alternativa é correr o risco de uma nova guerra mundial
Em um momento de rara convergência diplomática, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva chegou à China com uma proposta que transcende fronteiras: reunir potências como Índia, Turquia e China em torno de um esforço coletivo para negociar a paz na Ucrânia. Lula seria o primeiro líder mundial a encontrar Xi Jinping após a visita do presidente chinês a Moscou — uma posição que o Brasil interpretou como janela estratégica para reafirmar sua voz no concerto das nações. Por trás da iniciativa, a convicção de que a ausência de diálogo não é neutralidade, mas sim um passo silencioso em direção ao abismo.
- O Brasil chega à China em posição incomum: Lula será o primeiro chefe de Estado a se reunir com Xi após o encontro do líder chinês com Putin em Moscou.
- A proposta brasileira — unir China, Índia e Turquia em um grupo mediador — enfrenta ceticismo imediato: a Ucrânia recusa qualquer acordo que não restaure seu território, e os EUA temem que um cessar-fogo apenas consolide os ganhos russos.
- O assessor Celso Amorim articula o argumento central: sem diálogo, o risco não é apenas a continuidade da guerra, mas a escalada para um conflito de proporções mundiais.
- A China surge como peça-chave da estratégia brasileira, valorizada pela recente mediação entre Irã e Arábia Saudita — um precedente que o Brasil usa para justificar a viabilidade da iniciativa.
- O conflito permanece travado entre posições irreconciliáveis, e a proposta de Lula ainda busca seu primeiro ponto de apoio concreto entre as partes envolvidas.
Luiz Inácio Lula da Silva chegou à China carregando mais do que uma agenda diplomática — trazia uma proposta concreta para tentar interromper a guerra na Ucrânia. O momento era estratégico: Xi Jinping havia acabado de retornar de Moscou, onde se encontrara com Vladimir Putin, e Lula seria o primeiro líder mundial a se reunir com o presidente chinês depois daquele encontro. O Brasil via nisso uma oportunidade para reafirmar sua relevância nos assuntos globais.
A visita era a segunda visita de Estado concedida pela China desde o fim das restrições da pandemia. Além de Xi, Lula se reuniria com o primeiro-ministro Li Qiang e seria recebido na Assembleia Popular. O objetivo central era apresentar diretamente ao líder chinês a ideia de formar um grupo de nações mediadoras — incluindo Índia, Turquia e a própria China — para abrir caminho a negociações de paz.
Celso Amorim, principal conselheiro de Lula em política externa, explicou a lógica da proposta: o Brasil queria ouvir o que Xi havia trazido de Moscou, mas mantinha a convicção de que era preciso falar sobre paz. A alternativa, segundo o governo, era o risco de uma nova guerra mundial — catastrófica especialmente para as populações ucranianas e russas da região. Lula já havia conversado com Zelensky e se oferecido para dialogar com Putin, com quem conviveu durante seus primeiros mandatos.
A China era vista como o ator com maior capacidade de influência sobre Moscou. Amorim destacou a recente mediação chinesa entre Irã e Arábia Saudita como prova de que Pequim possuía ferramentas diplomáticas capazes de abrir negociações consideradas impossíveis. Mas os obstáculos eram concretos: a Ucrânia rejeitava qualquer acordo que não restaurasse seu território, e os Estados Unidos alertavam que um cessar-fogo apenas consolidaria os ganhos russos e daria ao exército de Moscou tempo para se reorganizar. A proposta brasileira chegava a Pequim em busca de seu primeiro ponto de apoio real.
Luiz Inácio Lula da Silva chegava à China em um momento de peso diplomático. Apenas dias antes, o presidente chinês Xi Jinping havia estado em Moscou conversando com Vladimir Putin. Agora Lula seria o primeiro chefe de Estado a se encontrar com Xi após aquele encontro — uma posição que o Brasil via como oportunidade estratégica para reafirmar sua voz nos assuntos globais.
A viagem era tratada como um capítulo importante na tentativa brasileira de recuperar influência internacional. Durante a visita de Estado — apenas a segunda que a China concedia desde o fim das restrições da pandemia — Lula se reuniria não apenas com Xi, mas também com o primeiro-ministro Li Qiang e seria recebido na Assembleia Popular da China. O presidente brasileiro pretendia apresentar diretamente ao líder chinês uma ideia que vinha amadurecendo: a formação de um grupo de nações que pudesse ajudar a negociar a paz na Ucrânia.
Celso Amorim, assessor especial da Presidência e principal conselheiro de Lula em política externa, explicava a lógica por trás da proposta. O Brasil queria ouvir o que Xi trazia de suas conversas em Moscou, mas seguia acreditando que, apesar das dificuldades enormes, era preciso falar sobre paz. A alternativa, na visão do governo, era correr o risco de uma nova guerra mundial — algo extremamente perigoso para o planeta e desastroso especialmente para as populações ucranianas, mas também para os russos daquela região.
Lula já havia conversado com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e se oferecido para conversar com Putin, com quem havia convivido durante seus dois primeiros mandatos. A ideia era reunir países como Índia, Turquia e China em torno de um esforço comum. Amorim argumentava que havia espaço para que outros países ajudassem, desde que houvesse um papel definido para eles. O Brasil e a Turquia, por exemplo, poderiam ajudar a legitimar as conversas e dar a elas um caráter mais multilateral.
A China, naquele momento, era vista como o ator com maior capacidade de persuasão sobre a Rússia. Amorim lembrava que Pequim havia conseguido recentemente negociar a paz entre Irã e Arábia Saudita — um feito considerado quase impossível que havia sido elogiado mundialmente. Era um cartão de visita poderoso para a diplomacia chinesa, que possuía, nas palavras do assessor, uma "diplomacia milenar" e conhecia os caminhos para abrir negociações.
Mas havia obstáculos reais. A Ucrânia, em guerra, rejeitava qualquer acordo de paz que não restaurasse todo o seu território capturado pelos russos. Os Estados Unidos, por sua vez, alertavam que um cessar-fogo naquele momento apenas garantiria os ganhos que Moscou já havia obtido e daria ao exército russo tempo para se reagrupar e se fortalecer. A China buscava se posicionar como mediadora, mas o caminho para uma solução era repleto de posições irreconciliáveis e desconfianças profundas entre as partes.
Citas Notables
Nós vamos querer ouvir o que o Xi Jinping traz de Moscou. E nós continuamos acreditando que, apesar de ser muito difícil, a gente tem que falar da paz— Celso Amorim, assessor especial da Presidência
Não é uma coisa fácil, mas a alternativa é você correr o risco de ter uma nova guerra mundial. É extremamente perigoso para mundo— Celso Amorim
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que o Brasil acredita que pode fazer diferença em uma negociação que envolve potências nucleares?
Porque o Brasil não é parte do conflito. Lula já conversou com Zelensky e Putin conhece o presidente há anos. Há espaço para um intermediário que nenhum dos lados vê como inimigo.
E a China? Por que ela aceitaria compartilhar esse papel mediador com o Brasil?
A China quer se posicionar como mediadora global, especialmente após negociar a paz entre Irã e Arábia Saudita. Ter o Brasil ao lado a legitima, dá mais peso multilateral ao processo.
Mas a Ucrânia não quer negociar sem recuperar seu território. Como isso muda com mais países na mesa?
Não muda necessariamente. Mas talvez mais vozes internacionais pressionando a Rússia, ou oferecendo garantias de segurança, abra caminhos que não existem agora.
E se nada disso funcionar?
Então o risco que Amorim mencionou — uma escalada para uma guerra maior — fica mais próximo. É por isso que o Brasil insiste que falar de paz é urgente, mesmo que pareça impossível.
Qual é o verdadeiro interesse do Brasil aqui?
Recuperar influência. Mostrar que o Brasil ainda tem voz em questões globais, que pode ser um ator importante mesmo não sendo uma superpotência.