É importante a conversa entre os países do Brics, principalmente os três ameaçados
Trump impôs tarifa adicional de 25% sobre importações indianas, elevando sobretaxa a 50%, em retaliação por comércio com Rússia. Celso Amorim confirmou telefonemas entre líderes do Brics para coordenar estratégia frente às sanções comerciais americanas.
- Trump impôs tarifa adicional de 25% sobre importações indianas, elevando sobretaxa total a 50%
- Lula fala com Modi nesta quinta-feira sobre tarifas americanas
- Modi viaja à China no final do mês em primeira visita em sete anos
- Celso Amorim conversou com chanceler chinês Wang Yi na quarta-feira
Lula conversa com Modi nesta quinta sobre sobretaxas dos EUA, com Xi Jinping previsto em seguida. Brasil, Índia e China coordenam resposta às retaliações comerciais americanas.
Lula está preparando uma série de conversas telefônicas com líderes de potências emergentes para discutir as novas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos. A primeira ligação acontece nesta quinta-feira com o primeiro-ministro indiano Narendra Modi, seguida por um diálogo planejado com o presidente chinês Xi Jinping. O assessor especial da Presidência, Celso Amorim, confirmou os contatos e explicou a urgência: Brasil, Índia e China enfrentam retaliações comerciais americanas relacionadas ao comércio com a Rússia.
A situação ganhou urgência esta semana quando o governo Trump determinou uma sobretaxa adicional de 25% sobre as importações indianas, elevando a tarifa total para 50% sobre produtos do país. A medida é uma retaliação indireta contra a Rússia, punindo nações que continuam comprando petróleo russo apesar dos apelos americanos para que Délhi encerre suas relações comerciais com Moscou. A nova tarifa entrará em vigor em 21 dias.
Amorim conversou na quarta-feira com Wang Yi, chanceler chinês e diretor do Escritório de Relações Internacionais do Partido Comunista — um cargo de peso estratégico equivalente ao do próprio assessor brasileiro. Durante esse contato, Amorim sinalizou o interesse de Lula em falar também com Xi Jinping. "Antecipei esse interesse", disse Amorim, indicando que a coordenação entre os três países não é casual, mas parte de uma estratégia deliberada.
O assessor justificou a importância dessas conversas apontando para a necessidade de diálogo entre membros do Brics — o bloco que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. "É importante a conversa entre os países do Brics, principalmente os três que foram ameaçados por sanções adicionais por causa de ter comércio com a Rússia", afirmou. Embora não tenha confirmado uma data exata para o telefonema com Xi, Amorim deixou claro que ambos os presidentes têm disposição para o diálogo, dependendo apenas das agendas.
A reaproximação entre Índia e China, dois gigantes asiáticos que enfrentaram tensões nos últimos anos, também ganha momentum. Modi deve viajar para a China no final deste mês em sua primeira visita ao país vizinho em sete anos, passando antes pelo Japão. Wang Yi está previsto para chegar em Nova Délhi nos próximos dias para acertar os detalhes do encontro bilateral entre Modi e Xi. Nos últimos meses, essa aproximação já se manifestou através de visitas de altos funcionários indianos à China, incluindo o assessor de Segurança Nacional Ajit Doval, o chanceler S Jaishankar e o ministro da Defesa Rajnath Singh.
Essas conversas e encontros refletem uma estratégia coordenada das três maiores economias emergentes para responder coletivamente às pressões comerciais americanas. Enquanto Trump amplia as tarifas contra países que mantêm relações comerciais com a Rússia, Brasil, Índia e China buscam fortalecer seus laços e apresentar uma frente unida nas negociações internacionais.
Citações Notáveis
É importante a conversa entre os países do Brics, principalmente os três que foram ameaçados por sanções adicionais por causa de ter comércio com a Rússia— Celso Amorim, assessor especial da Presidência
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que Lula precisa falar especificamente com Modi e Xi agora, neste momento?
Porque os três países estão sob a mesma ameaça. Trump acabou de aumentar as tarifas contra a Índia para 50%, e Brasil e China também enfrentam retaliações por causa do comércio com a Rússia. É o momento de coordenar uma resposta.
Mas por que isso é tão urgente? Não poderiam esperar semanas?
Porque a tarifa indiana entra em vigor em 21 dias. Se não conversarem agora, perdem a oportunidade de alinhavar uma estratégia conjunta antes que as medidas se tornem realidade.
Celso Amorim mencionou que "antecipou" o interesse em falar com Xi. O que isso significa?
Significa que Amorim já estava pensando em incluir a China nessas conversas quando falou com Wang Yi. Não foi uma ideia de última hora — faz parte de um plano maior de coordenação entre os três.
A Índia e a China têm histórico de tensões. Por que Modi viajaria para lá agora?
Porque a pressão comercial americana é maior que as diferenças antigas. Quando ameaças externas aumentam, rivais históricos tendem a se aproximar. É pragmatismo geopolítico.
O que o Brasil ganha com essas conversas?
Lula quer se posicionar como mediador e líder do Brics. Se conseguir coordenar uma resposta conjunta, o Brasil sai fortalecido como potência que consegue unir gigantes asiáticos contra pressões externas.