Quem vai encontrar uma solução é o povo venezuelano
Em um momento de tensões hemisféricas renovadas, o presidente Lula anunciou que viajará a Washington em março para um encontro direto com Donald Trump — um gesto que reconhece, ao mesmo tempo, a distância acumulada entre as duas maiores democracias do Ocidente e a necessidade urgente de reduzi-la. A visita ocorre sob a sombra da crise venezuelana, onde a captura de Nicolás Maduro por forças americanas reconfigurou o tabuleiro regional e exige dos líderes uma navegação cuidadosa entre soberania, influência e responsabilidade democrática.
- A captura de Maduro por forças dos EUA lançou a região em um estado de incerteza, forçando Brasília a reagir antes mesmo de compreender plenamente o que havia acontecido.
- Lula se viu em posição delicada: precisava falar com a nova liderança venezuelana sem ter uma posição oficial do Brasil formada, revelando a velocidade com que os eventos superaram a diplomacia.
- A viagem a Washington em março é uma tentativa deliberada de reabrir canais diretos com Trump, apostando que o contato pessoal pode desfazer o distanciamento acumulado entre os dois governos.
- O presidente brasileiro defende que a solução para a Venezuela deve vir dos próprios venezuelanos, pedindo a Trump que respeite a soberania do país e evite aprofundar a interferência externa.
- O encontro bilateral se perfila como um teste para o multilateralismo que Lula defende: a capacidade de dialogar com adversários ideológicos sem abrir mão de princípios.
O presidente Lula anunciou nesta terça-feira, à margem do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe 2026, na Cidade do Panamá, que viajará a Washington no início de março para um encontro direto com Donald Trump. Para Lula, a conversa "olhando olho no olho" é indispensável para restaurar as relações entre os dois países, que ele considera as principais democracias do Ocidente. O presidente acredita que o diálogo direto pode normalizar os laços bilaterais, fortalecer o multilateralismo e abrir caminho para o crescimento econômico.
A agenda da visita vai além das relações bilaterais. Lula também sinalizou que conversará novamente com Delcy Rodríguez, que assumiu a presidência da Venezuela após a captura de Nicolás Maduro por forças americanas. O brasileiro já havia falado duas vezes com a líder venezuelana no dia do ataque, mas sem entrar em detalhes, pois ela estava visivelmente abalada. Antes de o Brasil emitir qualquer posição oficial, Lula chegou a perguntar diretamente a Rodríguez se o país havia sido atacado e se Maduro havia sido capturado.
Sobre a crise venezuelana, Lula foi categórico: nem o Brasil nem os Estados Unidos têm a chave para resolver o problema. "Quem vai encontrar uma solução para o povo da Venezuela é o povo venezuelano", afirmou, pedindo paciência e pedindo a Trump que respeite a soberania do país vizinho. A viagem a Washington, portanto, carrega um duplo propósito — reaproximar dois governos distantes e tentar moderar a postura americana em relação à região.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta terça-feira que viajará a Washington no início de março para um encontro direto com Donald Trump. Falando à imprensa na porta de seu hotel na Cidade do Panamá, onde participa do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe 2026, Lula enfatizou a necessidade de uma conversa "olhando olho no olho" entre os dois líderes para restaurar as relações bilaterais.
Segundo Lula, o encontro é fundamental porque Brasil e Estados Unidos são as duas principais democracias do Ocidente. Ele expressou convicção de que o diálogo direto permitirá normalizar as relações, fortalecer o multilateralismo e criar condições para que as economias voltem a crescer. "É isso que o povo espera de todos nós", afirmou o presidente aos jornalistas.
Além da agenda com Trump, Lula sinalizou que terá uma nova conversa com Delcy Rodríguez, atual presidente da Venezuela. Rodríguez assumiu o poder após a captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos. O presidente brasileiro já havia conversado duas vezes com a líder venezuelana no dia do ataque americano, mas disse que não entrou em detalhes porque ela estava muito preocupada com os acontecimentos recentes. Antes que o governo brasileiro emitisse uma posição oficial, Lula perguntou à chavista se a Venezuela havia realmente sido atacada e se Maduro havia sido capturado.
Em relação à crise venezuelana, Lula defendeu que o país resolva seus próprios problemas internamente. Pediu a Trump que permita à Venezuela "cuidar da sua própria soberania" e dos interesses democráticos do país. Para o presidente brasileiro, nem o Brasil nem os Estados Unidos encontrarão uma solução para a crise venezuelana. "Quem vai encontrar uma solução para o povo da Venezuela é o povo venezuelano", declarou, pedindo paciência diante de uma situação que considera muito recente.
A viagem a Washington marca um momento delicado nas relações Brasil-EUA, com Lula buscando estabelecer um canal de diálogo direto com Trump enquanto navega questões complexas envolvendo a Venezuela e a política externa americana na região. O encontro bilateral será uma oportunidade para que os dois presidentes discutam não apenas a normalização das relações bilaterais, mas também a postura dos Estados Unidos em relação aos assuntos internos de países vizinhos.
Notable Quotes
Dois chefes de Estado precisam conversar olhando um no olho do outro para que a gente possa discutir as boas relações entre o Brasil e os Estados Unidos— Presidente Lula
É importante que o presidente Trump permita que a Venezuela possa cuidar da sua soberania, cuidar dos interesses democráticos da Venezuela— Presidente Lula
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que Lula insiste tanto em um encontro presencial com Trump? Não seria mais seguro começar por canais diplomáticos tradicionais?
Lula vê isso como uma questão de igualdade entre democracias. Ele quer estabelecer que Brasil e EUA conversam de chefe de Estado para chefe de Estado, não através de intermediários. É uma afirmação de soberania.
E quanto à Venezuela? Lula parece estar em uma corda bamba — reconhecendo a nova liderança, mas pedindo que os EUA recuem.
Exatamente. Ele está tentando legitimar Delcy Rodríguez internacionalmente enquanto pressiona Trump para não interferir demais. É delicado porque o Brasil precisa manter boas relações com Washington, mas também com seus vizinhos.
Lula realmente acredita que a Venezuela pode resolver isso sozinha, ou está apenas dizendo o que precisa dizer?
Provavelmente ambos. Diplomaticamente, ele não pode parecer que está cedendo à interferência americana. Mas realista? Ele sabe que a situação é complexa demais para qualquer país resolver sozinho.
O que muda se Trump concordar em respeitar a soberania venezuelana?
Muda tudo. Significa que a região pode respirar. Significa que Lula conseguiu fazer Trump ouvir. E significa que o Brasil tem espaço para sua própria política externa na América Latina.