A economia vai crescer mais do que os pessimistas estão prevendo
No início de março de 2023, o presidente Lula confrontou publicamente as projeções de mercado para o crescimento do PIB brasileiro, recusando-se a aceitar estimativas abaixo de 1% como destino inevitável. Em reunião ministerial no Palácio do Planalto, ele defendeu que o otimismo governamental não é vaidade, mas instrumento de política — pois nenhum apostador confia em um cavalo cujo próprio dono anuncia fraqueza. A tensão entre a confiança presidencial e a sobriedade dos analistas revelava, mais do que uma disputa de números, uma disputa sobre quem tem o direito de narrar o futuro econômico de um país.
- Lula rejeitou abertamente as previsões de crescimento do PIB abaixo de 1%, chamando-as de pessimismo infundado diante de seus próprios ministros.
- A pesquisa Focus do Banco Central, divulgada no mesmo dia, mantinha a estimativa em 0,90% — exatamente o tipo de número que o presidente se recusava a aceitar.
- O presidente apostou nas micro e pequenas empresas como motor silencioso de uma surpresa econômica positiva que os analistas estariam ignorando.
- Lula sinalizou confiança na aprovação do novo arcabouço fiscal e da reforma tributária no Congresso, usando até o humor do ministro Haddad como termômetro político.
- Com o balanço dos 100 primeiros dias anunciado para a semana seguinte, o governo se preparava para transformar o otimismo em agenda concreta.
Na manhã de uma segunda-feira, Lula subiu ao púlpito de uma reunião ministerial no Palácio do Planalto e fez uma declaração reveladora: ele simplesmente não acreditava nos números que os economistas previam. As estimativas de crescimento do PIB abaixo de 1% eram, para ele, pessimismo sem fundamento. "Não concordo com as avaliações negativas de que o PIB vai crescer zero não sei das quantas", disse, com o tom de quem espera ser surpreendido positivamente.
Por trás dessa postura havia uma filosofia deliberada. Lula argumentou que manifestar otimismo é dever de governo — ninguém aposta em um cavalo se o próprio dono avisa que o animal está cansado. O motor desse crescimento, segundo ele, estaria nas micro e pequenas empresas espalhadas pelo país, um setor que os grandes modelos financeiros tenderiam a subestimar.
No mesmo dia, a pesquisa Focus do Banco Central mantinha sua estimativa em 0,90% para 2023 — exatamente o intervalo que Lula rejeitava. A distância entre a confiança presidencial e a expectativa do mercado era visível e simbólica.
O presidente também expressou certeza de que o novo arcabouço fiscal, apresentado pelo ministro Fernando Haddad na semana anterior, e a reforma tributária seriam aprovados no Congresso. Chegou a citar o bom humor de Haddad como sinal de que as reformas avançariam. Para encerrar o ciclo inicial de seu governo, Lula anunciou que na semana seguinte faria o balanço dos primeiros 100 dias — e revelaria os próximos passos de sua administração. Os primeiros cem dias logo seriam passado; o que importava, dizia ele, era o que viria depois.
Na segunda-feira de manhã, dentro do Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu ao púlpito de uma reunião ministerial e fez uma declaração que resumia seu otimismo sobre a economia brasileira: ele simplesmente não acreditava nos números que os economistas estavam prevendo. As estimativas de crescimento do PIB abaixo de 1% — aquelas que circulavam entre analistas e instituições financeiras — ele rejeitava como pessimismo infundado.
"Não concordo com as avaliações negativas de que o PIB vai crescer zero não sei das quantas, 0,1%", disse Lula, sua fala transmitida pela TV Brasil. O tom era de quem estava convencido de que algo diferente aconteceria. Ele acreditava que o Brasil cresceria mais do que aqueles que ele chamava de pessimistas estavam prevendo, e que eventos econômicos surpreenderiam positivamente quem estava apenas esperando pelo pior.
O presidente enxergava o motor desse crescimento em um lugar específico: nas micro e pequenas empresas espalhadas pelos rincões do país. Era ali, segundo sua visão, que o salto econômico teria origem. Mas havia também uma filosofia por trás dessa confiança pública. Lula argumentava que era dever do governo manifestar otimismo sobre a economia, porque ninguém aposta em um cavalo se o próprio dono do animal disser que ele está cansado ou com problemas. A mensagem importava tanto quanto os números.
Naquele mesmo dia, porém, a pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central — aquela que capta a percepção do mercado sobre indicadores econômicos — mantinha sua estimativa de crescimento do PIB em 2023 em 0,90%. Era exatamente o tipo de número que Lula estava rejeitando. A distância entre a confiança presidencial e a expectativa do mercado era evidente.
Além do crescimento, Lula expressava confiança de que seu governo conseguiria aprovar duas medidas que considerava cruciais: o novo arcabouço fiscal, anunciado na semana anterior pelo ministro da Fazenda Fernando Haddad, e uma reforma tributária que a equipe econômica havia priorizado. Ele até usou a expressão corporal de Haddad como evidência de que as coisas estavam acontecendo — o ministro estava feliz, portanto as reformas passariam. "Nós estamos acreditando que vai passar a nossa tão sonhada nova política tributária neste país", afirmou.
O presidente reforçava que a obsessão do governo era fazer o país voltar a crescer e gerar empregos. Essa era a prioridade que definia sua gestão naquele momento. E para marcar o passo de seu governo, Lula anunciou que na segunda-feira seguinte faria o balanço dos seus primeiros 100 dias, ocasião em que revelaria os próximos passos de sua administração. Os 100 dias iniciais, disse ele, logo fariam parte do passado. O que importava era o que viria a seguir.
Citas Notables
Não concordo com as avaliações negativas de que o PIB vai crescer zero não sei das quantas, 0,1%— Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Ninguém aposta em um cavalo se o próprio dono do animal disser que ele está cansado ou com problemas— Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que o presidente sente necessidade de contradizer publicamente as previsões dos economistas? Não seria mais prudente deixar os números falarem?
Porque a confiança é um ativo econômico real. Se o presidente disser que o cavalo está cansado, ninguém aposta nele. A mensagem que você envia sobre a economia afeta como as pessoas e as empresas se comportam.
Mas a pesquisa Focus mantém a estimativa em 0,90%. Isso não contradiz diretamente o que Lula está dizendo?
Sim, mas Lula está apostando que o mercado está errado — que as micro e pequenas empresas vão surpreender, que coisas vão acontecer que ninguém está esperando. É uma aposta, não uma negação dos números.
E quanto ao arcabouço fiscal e à reforma tributária? Por que ele menciona isso junto com o crescimento?
Porque são as ferramentas que ele acredita que vão permitir esse crescimento. Sem essas reformas, a economia fica presa. Com elas, há espaço para expansão.
Qual é o risco de fazer essas declarações otimistas se o crescimento não chegar?
O risco é que você fica marcado como alguém que não entende a realidade econômica. Mas Lula está apostando que os próximos meses vão validar sua confiança antes que isso se torne um problema.