Sessenta por cento não votariam nele, mesmo patamar de Bolsonaro
Lula atribui desaprovação à falta de comunicação sobre realizações do governo, citando comparações com gestões anteriores focadas em políticas únicas. Flávio Bolsonaro lidera cenários de primeiro turno com 21-27% das intenções, mas perderia para Lula em segundo turno por margem de 10 pontos percentuais.
- Pesquisa Genial/Quaest: 49% desaprovam Lula, 48% apoiam (empate técnico)
- Flávio Bolsonaro lidera primeiro turno com 21-27% das intenções de voto
- Flávio perderia para Lula em segundo turno por margem de 10 pontos percentuais
- 60% dos eleitores que conhecem Flávio não votariam nele
- 54% dos eleitores veem indicação de Flávio por Bolsonaro como erro estratégico
Pesquisa Genial/Quaest mostra empate técnico na aprovação de Lula (49% desaprovam, 48% apoiam), enquanto Flávio Bolsonaro lidera pré-candidatos de direita mas enfrenta alta rejeição de 60% do eleitorado.
Lula atribui sua desaprovação a um problema de comunicação. Em declarações recentes, o presidente argumentou que seu governo não está conseguindo mostrar adequadamente o que realizou, sugerindo que até mesmo seus ministros desconhecem a amplitude das ações implementadas. Ele comparou a situação com gestões anteriores, lembrando que Fernando Henrique Cardoso foi julgado principalmente pela política do real, enquanto José Serra como ministro da Saúde ficou marcado pelos genéricos. A implicação é clara: quando um governo tem múltiplas frentes de trabalho, fica mais difícil para a população compreender seu alcance.
Os números mais recentes confirmam uma situação de estabilidade, ainda que delicada. A pesquisa Genial/Quaest divulgada na terça-feira, última do ano, aponta 49% de desaprovação contra 48% de apoio ao governo Lula. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, trata-se de um empate técnico — resultado que se repete nos últimos levantamentos. Em relação a novembro, houve uma oscilação pequena: a aprovação subiu um ponto, enquanto a rejeição caiu ligeiramente.
No campo da oposição, um nome emergiu com força. Flávio Bolsonaro, indicado há pouco mais de dez dias pelo ex-presidente Jair Bolsonaro como seu sucessor para 2026, largou à frente dos demais pré-candidatos de direita. A pesquisa Genial/Quaest, a primeira a medir seu desempenho desde o anúncio, mostra que em cenários de primeiro turno, o senador acumula entre 21% e 27% das intenções de voto, ficando atrás apenas de Lula, que marca entre 34% e 41% dependendo da composição de candidatos testada. No cenário que inclui o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas, Lula atinge 41%, Flávio fica com 23% e Tarcísio com 10%.
O problema para Flávio surge quando o levantamento passa para o segundo turno. Contra Lula, ele perderia por dez pontos percentuais — a mesma margem que o presidente mantém contra Tarcísio e contra Ratinho Júnior, governador do Paraná. Contra Ronaldo Caiado, de Goiás, e Romeu Zema, de Minas Gerais, a vantagem de Lula sobe para 11 e 12 pontos respectivamente. Comparando com novembro, Lula ampliou sua distância para os governadores de direita em geral, embora tenha visto Flávio se aproximar após receber o aval paterno. Em agosto, quando o senador foi testado pela última vez, Lula tinha 16 pontos a mais no confronto direto.
A rejeição é o maior obstáculo para Flávio. Sessenta por cento dos eleitores que o conhecem dizem que não votariam nele — exatamente o mesmo patamar de rejeição registrado por Bolsonaro, que está inelegível e preso por tentativa de golpe de Estado. Para comparação, Lula tem 54% de rejeição entre os que o conhecem, e Tarcísio tem 47%. Ratinho Júnior, Zema e Caiado enfrentam rejeições menores, de 39%, 35% e 40% respectivamente.
A escolha de Bolsonaro em indicar o filho é vista como um erro pela maioria. Cinquenta e quatro por cento dos entrevistados desaprovam a decisão, incluindo 56% dos eleitores independentes — grupo que será decisivo na próxima eleição. Entre os eleitores de direita não bolsonaristas, 38% acham que Bolsonaro não deveria ter indicado Flávio. Entre aqueles que veem a escolha como um erro, 19% acreditam que Michelle Bolsonaro seria melhor opção, 16% preferem Tarcísio e 11% citam Ratinho Júnior.
Flávio também enfrenta dificuldades para unificar a oposição. Legendas como PP, União Brasil, Republicanos e PSD tentam reverter o apoio de Bolsonaro ao filho, e há risco de que não se alinhem com o senador. O próprio Flávio já sinalizou que sua eventual desistência teria "um preço", em referência a uma anistia para o ex-presidente — comentário que gerou má repercussão e foi seguido por afirmações de que sua candidatura é "irreversível". No mercado financeiro, a leitura de que Flávio é pouco competitivo contra Lula contribuiu para o dólar fechar em alta de 0,74% e o Ibovespa registrar queda de 2,42%.
Entre os aliados de Flávio, porém, a reação foi diferente. O grupo recebeu a pesquisa com alívio, avaliando que o resultado muda o "clima psicológico" da pré-campanha. O desempenho numérico superior ao de Tarcísio foi interpretado como um fator que reorganiza o debate dentro da oposição. Valdemar Costa Neto, presidente do PL, indicou que pretende usar a pesquisa para convencer o Centrão a apoiar o correligionário.
Citações Notáveis
Nós talvez não estejamos mostrando o que temos que mostrar. Acho que nós ainda não estamos mostrando o que somos capazes de fazer.— Lula, sobre desaprovação de seu governo
A rejeição a Flávio se estende ao mercado, com dólar fechando em alta de 0,74% e Ibovespa registrando queda de 2,42%.— Reação do mercado financeiro à pesquisa
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que Lula insiste que o problema é comunicação e não desempenho?
Porque a margem entre aprovação e desaprovação é tão fina que qualquer explicação serve. Mas há algo real ali — um governo com múltiplas frentes de ação fica invisível quando a população só vê inflação e desemprego.
Flávio lidera a direita mas perde para Lula em segundo turno. Isso o torna fraco ou apenas realista?
Realista. Nenhum pré-candidato de direita vence Lula em segundo turno segundo essa pesquisa. Flávio lidera porque tem o nome do pai, não porque conquistou a oposição.
Sessenta por cento de rejeição é o mesmo que Bolsonaro. Como Flávio pode vencer com isso?
Não pode. Pelo menos não com esses números. A rejeição é um teto que não deixa crescer. Diferente de Tarcísio, que tem 28% de desconhecimento — espaço para crescer.
O mercado caiu quando a pesquisa saiu. O que o mercado teme?
Que Lula se reeleja e não faça ajuste fiscal. Para o mercado, Flávio era a esperança de mudança. A pesquisa mostrou que essa esperança é frágil.
Flávio diz que sua candidatura é "irreversível". Acredita nisso?
Não. Ele já deixou claro que há um preço — anistia para Bolsonaro. Se a pressão aumentar, ele pode recuar. A palavra "irreversível" é apenas para ganhar tempo.