Lula diz que problema do agro com PT é ideológico, mas foca em produtividade

O que está em jogo é recuperar a capacidade produtiva sem desmatamento
Lula resume sua posição sobre o agronegócio em entrevista a rádios de Goiás.

Em Goiás, o presidente Lula reconheceu publicamente uma fratura ideológica entre seu governo e o agronegócio, mas recusou-se a deixar essa tensão ditar seus rumos. Sua mensagem foi a de que governar para 215 milhões de pessoas exige separar a política da produção — e que o crescimento agrícola pode coexistir com a proteção ambiental, independentemente de quem aprova ou desaprova essa equação.

  • A desconfiança histórica do agronegócio em relação ao PT persiste, e Lula a admite abertamente — mas a trata como ruído ideológico, não como sinal de falha política.
  • O Parlamento francês ameaça bloquear o acordo Mercosul-UE por causa do uso de agrotóxicos no Brasil, adicionando pressão externa à já tensa relação do governo com o setor rural.
  • Lula reivindica o recorde de investimentos públicos no agronegócio sob governos petistas e promete um novo plano safra, tentando separar o discurso da realidade orçamentária.
  • O presidente projeta crescimento do PIB de 2% ou mais, desafiando a previsão de 0,9% do FMI — e vê nessa diferença a prova de que sua estratégia econômica está funcionando.
  • O novo PAC, a ser anunciado em 2 de julho, surge como o próximo movimento concreto de um governo que busca crescimento sem abrir mão de critérios ambientais.

Em entrevista a emissoras de rádio em Goiás, o presidente Lula admitiu sem rodeios que a tensão entre seu governo e o setor agrícola tem raízes ideológicas — mas deixou claro que essa constatação não altera suas prioridades. Para ele, o que importa é expandir a capacidade produtiva do Brasil sem desmatamento, independentemente da aprovação dos ruralistas.

Lula defendeu o histórico petista no campo, afirmando que seu governo foi o que mais destinou recursos ao agronegócio. Reconheceu a desconfiança política do setor, mas insistiu que ela não deve obscurecer resultados concretos. Um novo plano safra foi prometido para sustentar o crescimento nos próximos ciclos.

O presidente também respondeu às críticas do Parlamento francês, que ameaça vetar o acordo Mercosul-UE enquanto o Brasil não rever suas práticas com defensivos agrícolas. Lula enquadrou a questão como uma necessidade competitiva: produzir com qualidade é, antes de tudo, uma exigência do mercado global.

No horizonte imediato, o novo PAC será anunciado em 2 de julho. Lula projeta crescimento do PIB de 2% ou mais para o ano — bem acima dos 0,9% previstos pelo FMI — e vê nessa diferença a demonstração de que suas políticas econômicas têm substância. O agronegócio, nesse quadro, é um setor entre muitos: relevante, mas não o único destinatário de um governo que diz governar para todos.

O presidente Lula reconheceu nesta quinta-feira que existe uma fratura ideológica entre seu governo e o setor agrícola, mas deixou claro que não pretende deixar essa tensão determinar suas prioridades. Em entrevista a um grupo de emissoras de rádio em Goiás, ele afirmou que pouco importa se os produtores rurais o aprovam ou não — o que está em jogo, segundo ele, é recuperar e expandir a capacidade produtiva brasileira sem abrir mão da proteção ambiental na Amazônia.

Lula argumentou que seu governo foi historicamente o que mais investiu recursos no agronegócio. Ele reconheceu que o setor tem razões políticas e ideológicas para desconfiar de administrações petistas, mas insistiu que essas questões não devem ofuscar o trabalho concreto de aumentar a produção e as exportações agrícolas. O presidente prometeu um novo plano safra robusto para manter o crescimento do setor nos próximos ciclos.

No mesmo discurso, Lula abordou as críticas internacionais sobre o uso de agrotóxicos em produtos brasileiros. O Parlamento francês anunciou que não votará o acordo entre Mercosul e União Europeia enquanto não houver mudanças nas práticas de aplicação de defensivos agrícolas. Lula respondeu que ser racional e cultivar uma agricultura de qualidade é uma necessidade competitiva, não apenas uma questão ambiental. Ele também sinalizou que não se deixa abalar por críticas pessoais, focando em resultados mensuráveis.

O presidente reiterou que seu trabalho não é agradar um setor específico, mas sim criar melhores condições para os 215 milhões de brasileiros. Nessa lógica, o agronegócio é um dos muitos setores que recebem atenção, não o único. Lula projetou um crescimento do PIB de 2% ou superior para este ano, desafiando a previsão do Fundo Monetário Internacional de apenas 0,9%. Ele vê nessa diferença uma oportunidade de demonstrar que suas políticas econômicas funcionam.

O novo Programa de Aceleração do Crescimento será anunciado em 2 de julho, marcando o próximo passo na estratégia de expansão econômica do governo. Lula deixou implícito que esse programa incluirá medidas para o setor agrícola, mas dentro de um contexto mais amplo de desenvolvimento nacional que não abre mão de critérios ambientais e de qualidade.

O que está em jogo é recuperar e aumentar a capacidade produtiva do país sem desmatamento ou queimada na Amazônia
— Presidente Lula
Tenho noção do que nós fizemos e que o problema deles com a gente é ideológico
— Presidente Lula
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que o presidente insiste que o problema é ideológico se está oferecendo mais recursos ao agro?

Model

Porque reconhecer a ideologia não significa capitular a ela. Lula está dizendo: eu sei que vocês desconfiam de mim por razões políticas, mas vou fazer meu trabalho mesmo assim.

Inventor

E quanto às críticas sobre agrotóxicos? Isso não coloca em risco as exportações?

Model

Ele vê isso como um desafio competitivo, não uma ameaça. Se o Brasil quer vender para a Europa, precisa se adequar aos padrões deles. É pragmatismo, não ideologia.

Inventor

O presidente está realmente priorizando o agro ou apenas dizendo isso?

Model

Ele está priorizando a produtividade do Brasil como um todo. O agro é parte disso, mas não é o centro. Isso frustra o setor porque eles querem ser o centro.

Inventor

E se o PIB não crescer 2%? Como fica essa narrativa?

Model

Fica frágil. Mas Lula está apostando que consegue. O PAC de julho é o teste real dessa aposta.

Inventor

Ele realmente acredita que pode ignorar a desaprovação do agro?

Model

Não ignora. Reconhece. Mas recusa deixar que isso mude sua direção. É uma forma de dizer: vocês têm razão em desconfiar, mas vou fazer isso mesmo.

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