Lula defende soberania em negociação com Trump sobre minerais críticos e terras raras

Não aceitamos que nos imponham nada
Lula rejeita modelo de cooperação dos EUA e defende exploração soberana de minerais brasileiros.

Em um momento em que o controle sobre minerais críticos define o poder industrial do século XXI, o presidente Lula anuncia que levará à Casa Branca uma posição clara: o Brasil negociará seus vastos recursos geológicos, mas jamais os entregará sem soberania. O país detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo e produz apenas 1% da oferta global — uma lacuna que resume tanto o potencial quanto o dilema brasileiro. A reunião prevista para março com Donald Trump será, em essência, um encontro entre a necessidade americana de diversificar cadeias de suprimento e a recusa brasileira de se tornar apenas um fornecedor de matéria-prima bruta.

  • O Brasil possui uma das maiores riquezas geológicas do planeta em terras raras, mas converte quase nada dessa reserva em poder produtivo real — e os Estados Unidos querem mudar isso nos seus próprios termos.
  • Washington apresentou a vários países um modelo de cooperação para exploração coordenada de minerais críticos; o Brasil enviou um representante para avaliar, mas recusou aderir ao arranjo.
  • Lula deixou claro que não aceita imposições: quer que a transformação e o processamento dos minerais ocorram em território brasileiro, com liberdade para vender a quem o país escolher.
  • Para se proteger da imprevisibilidade de Trump, Lula planeja levar todas as suas propostas por escrito à Casa Branca — uma estratégia defensiva em tempos em que decisões podem ser revertidas por uma postagem nas redes sociais.
  • Além dos minerais, a agenda de março inclui tarifas comerciais americanas sobre produtos brasileiros e cooperação no combate ao crime organizado e ao tráfico internacional de drogas.

Lula anunciou, durante visita oficial à Índia, que discutirá com Donald Trump a exploração de minerais críticos e terras raras — mas deixou claro que a conversa será sobre soberania, não submissão. O Brasil guarda a segunda maior reserva de terras raras do planeta, atrás apenas da China, e ainda assim responde por apenas 1% da produção global. Esse contraste define o dilema que o presidente quer resolver.

Os minerais críticos não são abstrações: são os insumos que alimentam chips, baterias e toda a infraestrutura da transição energética. Quem os controla molda o futuro industrial. Por isso os Estados Unidos têm buscado parcerias globais para garantir acesso a esses recursos. O Brasil avaliou o modelo de cooperação proposto por Washington, mas decidiu não aderir. Lula foi direto: não quer transformar o território brasileiro em um "santuário da humanidade", nem aceitar que o país seja reduzido a exportador de matéria-prima bruta. A preferência é processar e transformar os minerais dentro do Brasil, vendendo-os depois para quem o país escolher.

A reunião na Casa Branca, acertada em ligação telefônica no ano passado, está marcada para março. Minerais serão o tema central, mas não o único: Lula também quer discutir as tarifas americanas sobre produtos brasileiros e ampliar a cooperação no combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas — aproveitando a abertura que Trump já sinalizou ao falar sobre o tráfico oriundo da Venezuela.

Há um detalhe revelador na preparação brasileira. Lula criticou o hábito de Trump de anunciar decisões pelas redes sociais e disse temer que "o vento distorça as palavras". Por isso, planeja levar todas as propostas formalizadas por escrito. É uma estratégia defensiva que reflete a lógica das negociações contemporâneas: quando a outra parte pode mudar de posição em um tuíte, o papel se torna o único terreno seguro. Lula diz estar otimista — mas a cautela com que se prepara revela que sabe exatamente o que está em jogo.

Lula está preparando uma conversa com Donald Trump sobre um dos ativos mais valiosos que o Brasil possui: minerais críticos e terras raras. O presidente fez a declaração durante uma visita oficial à Índia, deixando claro que a negociação será sobre controle, não submissão. O Brasil, segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos, guarda a segunda maior reserva de terras raras do planeta — apenas a China tem mais. Apesar dessa riqueza geológica extraordinária, o país produz apenas 1% da oferta global, um contraste que resume o dilema que Lula quer resolver.

Os minerais críticos e as terras raras não são abstrações econômicas. São os insumos que fazem funcionar a tecnologia contemporânea: chips para celulares e computadores, baterias para a transição energética, componentes para indústrias avançadas. Quem controla essas substâncias controla, em boa medida, o futuro industrial. Por isso os Estados Unidos têm se movimentado para estruturar parcerias globais em torno desses recursos. Recentemente, Washington apresentou a vários países um modelo de cooperação para exploração coordenada. O Brasil enviou um representante para avaliar a proposta, mas decidiu não aderir.

Lula foi direto ao ponto sobre o que quer: "O Brasil tem muitos minerais críticos e terras raras, mas não queremos transformar o território brasileiro em um santuário da humanidade." A frase carrega uma recusa clara a qualquer arranjo que transformasse o país em mero fornecedor de matéria-prima bruta. O presidente insistiu que prefere negociar de forma soberana, com a transformação e exploração desses minerais acontecendo dentro do Brasil, não fora dele. E, uma vez processados, o país venderá para quem escolher vender. "Não aceitamos que nos imponham nada", afirmou.

O encontro na Casa Branca foi acertado em uma ligação telefônica entre Lula e Trump no ano passado. A reunião está marcada para março, após o presidente brasileiro passar pela Coreia do Sul. Mas minerais não serão o único tema. Lula também quer discutir as tarifas que os Estados Unidos mantêm sobre setores da indústria brasileira — o chamado "tarifaço" — e colaboração no combate ao crime organizado e ao tráfico internacional de drogas. O presidente vê uma abertura: Trump já sinalizou interesse em combater o tráfico que sai da Venezuela, e Lula quer expandir essa cooperação para incluir o Brasil.

Há um detalhe revelador em como Lula está se preparando. Ele criticou a forma como Trump anuncia decisões pelas redes sociais, dizendo que tem receio de que "o vento possa distorcer as palavras". Por isso, planeja levar todas as suas propostas por escrito. Tudo documentado, formalizado, sem margem para interpretações posteriores ou mudanças de rumo via rede social. É uma estratégia defensiva que reflete a dinâmica atual das negociações internacionais: quando a outra parte pode mudar de posição em um tuíte, é melhor ter tudo em papel. Lula disse estar otimista com a conversa que se aproxima, mas a preparação cuidadosa sugere que ele sabe exatamente o que está em jogo.

O Brasil tem muitos minerais críticos e terras raras, mas não queremos transformar o território brasileiro em um santuário da humanidade
— Presidente Lula
Prefiro negociar de forma soberana para que o processo de transformação desses minerais críticos seja feito e explorado em nosso país, dentro do nosso país, e não fora
— Presidente Lula
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que o Brasil não aceitou logo a proposta de cooperação que os Estados Unidos apresentaram?

Model

Porque cooperação, nesse contexto, frequentemente significa aceitar um papel subordinado. O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, mas produz apenas 1% do que o planeta consome. Lula quer mudar isso — quer que o processamento e a transformação aconteçam aqui, não em outro lugar.

Inventor

Mas não seria mais rápido e mais lucrativo deixar que os americanos ou chineses processassem tudo?

Model

Talvez no curto prazo. Mas quem controla o processamento controla o valor agregado, o emprego, a tecnologia. Lula está pensando em soberania econômica de longo prazo, não em ganhos imediatos.

Inventor

Trump é conhecido por mudar de ideia rapidamente. Como Lula planeja lidar com isso?

Model

Levando tudo por escrito. Lula disse explicitamente que tem medo de que "o vento distorça as palavras". Ele quer documentação formal, não promessas que podem virar tweets contraditórios amanhã.

Inventor

E se Trump simplesmente impuser tarifas maiores como forma de pressão?

Model

Aí entra a outra parte da negociação — o combate ao tráfico, a questão das tarifas já existentes. Lula está tentando construir um pacote onde ambos os lados ganham algo, não apenas uma troca unilateral de recursos.

Inventor

O Brasil realmente pode processar esses minerais em escala comercial?

Model

Essa é a questão real. Ter a reserva é uma coisa. Ter infraestrutura, tecnologia e capital para transformá-la é outra. Lula está apostando que essa conversa com Trump pode abrir caminhos para isso acontecer.

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