Lula diz que acordo com Trump não sairá imediato de reunião na Malásia

O acordo será feito pelos negociadores, não por nós
Lula explica que a reunião com Trump é apenas o começo de um processo mais longo de negociação técnica entre os dois países.

Entre dois continentes e duas visões de mundo, Lula parte para a Malásia carregando não a promessa de um acordo, mas a disposição para iniciá-lo. O encontro com Trump em Kuala Lumpur, marcado para o domingo, representa menos um destino do que um limiar — o momento em que a diplomacia presidencial cede espaço ao trabalho paciente dos técnicos. Na história das relações Brasil-Estados Unidos, este é mais um capítulo de uma negociação que nunca é simples, mas que raramente deixa de ser necessária.

  • Lula embarca para a Malásia com expectativas calibradas: quer avançar, mas avisa que acordos finais não nascem de cúpulas, e sim de mesas de negociação menos visíveis.
  • Tarifas americanas sobre produtos brasileiros — incluindo carne e café — pressionam a economia e criam urgência real para que o Brasil encontre uma saída diplomática.
  • A tensão vai além do comércio: Brasília quer questionar as sanções americanas a ministros do Supremo Tribunal Federal, tornando a pauta politicamente delicada.
  • Um telefonema entre os dois presidentes desbloqueou o caminho para este encontro após um período de 'truncamento' nas negociações, sinalizando que a relação bilateral estava mais fria do que o admitido.
  • As próximas semanas serão o verdadeiro teste: ministérios brasileiros e secretários americanos precisarão transformar a boa vontade presidencial em números e cronogramas concretos.

Lula deixou Jacarta na sexta-feira com uma mensagem de cautela deliberada: o encontro com Trump em Kuala Lumpur, no domingo, não será o momento de assinar nada. O presidente brasileiro foi explícito ao dizer que a reunião marca o início de um processo, não seu desfecho — os acordos reais virão depois, quando técnicos e ministros dos dois países se debruçarem sobre os detalhes.

O tom foi de pragmatismo sem ingenuidade. Questionado sobre prazos, Lula respondeu com uma frase que misturava urgência e realismo: queria que o acordo fosse ontem, mas se vier amanhã já estará bom. Minerais críticos e terras raras estão na pauta, assim como produtos agrícolas. Nos bastidores, o Brasil trabalha para retirar carne e café das tarifas impostas por Trump — dois produtos em que o Brasil é fornecedor relevante para o mercado americano e cuja ausência já se faz sentir nos preços ao consumidor nos EUA.

Além do comércio, Lula sinalizou que pretende questionar as punições americanas a ministros do Supremo Tribunal Federal, tornando a conversa mais ampla e politicamente sensível. Descreveu as negociações anteriores como tendo sofrido um 'certo truncamento', mas disse que um telefonema direto com Trump ajudou a reabrir o caminho para este encontro.

O presidente prometeu uma reunião 'sem frescura', baseada em objetividade. A mensagem subjacente era de interesse mútuo: resolver as tarifas é bom para o Brasil, mas também para o consumidor americano. O domingo em Kuala Lumpur, portanto, não é um fim — é o ponto de partida para semanas de negociações que dirão se os dois países conseguem encontrar terreno comum.

Luiz Inácio Lula da Silva partiu para a Malásia nesta sexta-feira com uma mensagem clara: não chegue esperando um acordo fechado no domingo. O presidente brasileiro, que se encontrará com Donald Trump em Kuala Lumpur no período da tarde de 26 de outubro, deixou claro que a reunião marca apenas o início de um processo mais longo de negociação entre técnicos e ministros dos dois países.

Falando antes de decolar de Jacarta, Lula explicou que sua presença no encontro reflete confiança no potencial de sucesso, mas que os detalhes finais virão depois, quando negociadores brasileiros e secretários americanos se debruçarem sobre os números e as propostas. "Se eu não acreditasse que fosse possível fazer um acordo, eu não participaria da reunião", disse, ressalvando que o trabalho real acontecerá nos bastidores, longe dos holofotes da cúpula presidencial.

O tom de Lula foi pragmático quando questionado sobre prazos. Questionado pelo Estadão sobre quanto tempo o Brasil considerava razoável para um acerto, respondeu com uma mistura de esperança e realismo: quanto mais rápido melhor, mas sem ilusões sobre cronogramas mágicos. "Se eu pudesse te dar uma resposta, eu te daria. Eu queria que fosse ontem, mas se for amanhã já está bom."

O presidente não entrou em detalhes sobre quais setores específicos seriam abordados, apesar de pressão dos jornalistas. Minerais críticos, incluindo terras raras, estão na pauta, assim como produtos agrícolas que enfrentam tarifas americanas elevadas. Nos bastidores, o Brasil trabalha com a expectativa de que carne e café sejam removidos das tarifas que Trump impôs.

Lula também sinalizou que quer discutir o que chamou de "equívocos nas taxações" impostas ao Brasil, além de questionar as punições que os EUA aplicaram a ministros do Supremo Tribunal Federal. Descreveu as negociações anteriores como tendo sofrido um "certo truncamento", mas disse que um telefonema entre ele e Trump ajudou a desbloquear o caminho para este encontro.

O presidente prometeu uma reunião "sem frescura" com Trump, baseada em objetividade e sinceridade. Citou exemplos concretos que afetam consumidores americanos: o preço elevado da carne nos EUA e a inflação do café no mercado interno americano, ambos produtos nos quais o Brasil é um fornecedor importante. A mensagem subjacente era clara: há interesse mútuo em resolver isso.

Lula reafirmou que o Brasil sempre esteve disponível para conversar e que deseja reconstituir uma relação civilizada com os Estados Unidos. A reunião de domingo, portanto, não é um fim em si, mas um ponto de partida para semanas de negociações técnicas que determinarão se os dois países conseguem encontrar terreno comum em questões comerciais que afetam bilhões de dólares em comércio bilateral.

Se eu não acreditasse que fosse possível fazer um acordo, eu não participaria da reunião
— Lula
Quero discutir um pouco as punições dadas a ministros brasileiros da Suprema Corte que não têm nenhuma explicação
— Lula
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que Lula insiste em dizer que não há acordo pronto se ele está tão confiante?

Model

Porque ele sabe que Trump gosta de anúncios dramáticos. Ao rebaixar as expectativas, Lula protege o Brasil de parecer fraco se as negociações forem lentas, e deixa espaço para que qualquer progresso pareça uma vitória.

Inventor

E quanto aos minerais críticos? Por que ele não respondeu sobre isso?

Model

Porque ainda não sabe qual é a sua melhor carta. O Brasil quer usar terras raras como moeda de troca, mas precisa entender primeiro o que Trump realmente quer. Falar cedo é perder poder de negociação.

Inventor

Ele mencionou punições a ministros do STF. Isso não é arriscado?

Model

É um sinal de que Lula quer mudar o tom da relação. Ele está dizendo: vamos resolver tudo, inclusive as coisas que nos magoaram. É um gesto de boa fé, mas também uma forma de colocar na mesa que há feridas a cicatrizar.

Inventor

O que significa "sem frescura"?

Model

Significa sem teatro, sem discursos inflamados. Lula está prometendo pragmatismo puro. Ele quer que Trump saiba que não vai sair dali reclamando ou fazendo drama. Quer negociar como homem de negócios, não como político.

Inventor

E se o encontro não der em nada?

Model

Então as negociações técnicas começam do zero, e o Brasil terá que aceitar que as tarifas continuam. Mas Lula não acredita que isso vai acontecer. Ele está apostando que há espaço comum demais para não haver acordo.

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