O povo palestino corre o risco de desaparecer sem um Estado independente
Diante da Assembleia Geral da ONU, em setembro de 2025, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva ergueu a voz em defesa do povo palestino, advertindo que sua existência como povo está em risco real de extinção. Sua fala não foi apenas um protesto contra as operações militares israelenses em Gaza, mas um questionamento mais profundo sobre os limites da ordem internacional — e sobre quem, afinal, detém o poder de vetá-la. Ao denunciar a cumplicidade dos que poderiam agir e não agem, Lula situou o conflito palestino no coração de uma crise civilizatória que transcende fronteiras e coloca em xeque os próprios valores que o Ocidente sempre proclamou defender.
- Lula declarou na ONU que dezenas de milhares de mulheres e crianças inocentes estão soterradas em Gaza, e que a fome é usada deliberadamente como arma de guerra.
- Os Estados Unidos vetaram a resolução que reconheceria a Palestina como estado-membro da ONU e impediram que o presidente Abbas ocupasse fisicamente a bancada palestina na Assembleia.
- O presidente brasileiro afirmou que o massacre em Gaza sepultou tanto o Direito Internacional Humanitário quanto o mito da superioridade ética do Ocidente.
- Mais de 150 países apoiam a Solução de Dois Estados, reafirmada na conferência do dia anterior, mas um único veto continua a bloquear seu avanço concreto.
- O conflito ameaça se alastrar para Líbano, Síria, Irã e Catar, alimentando uma escalada armamentista sem precedentes que preocupa líderes de todo o mundo.
- Na véspera, o presidente francês Macron anunciou o reconhecimento oficial da França ao Estado Palestino, sinalizando uma fissura crescente dentro do próprio bloco ocidental.
Na terça-feira, diante da Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente Lula colocou a Palestina no centro do debate internacional com uma das falas mais contundentes de seu mandato. Reconhecendo que os ataques do Hamas são indefensáveis, ele argumentou que nada justifica o que chamou de genocídio em Gaza — onde, sob escombros, jazem dezenas de milhares de civis inocentes. Para Lula, aquele cenário não apenas viola o Direito Internacional Humanitário, mas enterra definitivamente o mito da superioridade ética do Ocidente.
O presidente denunciou que o massacre só é possível pela cumplicidade de quem poderia detê-lo. Em Gaza, a fome é usada como instrumento de guerra e populações inteiras são deslocadas à força, sem qualquer responsabilização. Ainda assim, Lula expressou admiração pelos judeus — dentro e fora de Israel — que se opõem à punição coletiva imposta ao povo palestino.
A posição brasileira ancora-se na Solução de Dois Estados, aprovada pela ONU há mais de sete décadas mas nunca ratificada por Israel. Mais de 150 nações a apoiam, mas um único veto a paralisa: o dos Estados Unidos, que sob o governo Trump bloquearam a resolução que reconheceria a Palestina como estado-membro oficial. A frustração de Lula estendeu-se ainda ao fato de Mahmoud Abbas ter sido impedido pelo país anfitrião de discursar presencialmente na Assembleia, sendo forçado a participar de forma virtual.
O discurso também alertou para consequências geopolíticas mais amplas. O alastramento do conflito para Líbano, Síria, Irã e Catar, na avaliação de Lula, impulsiona uma corrida armamentista sem precedentes. No dia anterior, Emmanuel Macron havia anunciado o reconhecimento francês do Estado Palestino — um sinal de que a frente ocidental começa, ainda que timidamente, a se fragmentar em torno dessa questão.
Na terça-feira, diante da Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva proferiu um discurso que colocou a Palestina no centro do debate internacional, declarando que o povo palestino enfrenta o risco real de desaparecer. A fala representou mais um capítulo da crítica brasileira às operações militares israelenses na Faixa de Gaza e, particularmente, aos obstáculos impostos pelos Estados Unidos ao reconhecimento de um Estado Palestino independente.
Lula foi direto ao ponto: nenhuma situação melhor exemplifica o uso desproporcional e ilegal da força do que a palestina. Reconheceu que os ataques terroristas do Hamas são indefensáveis, mas argumentou que absolutamente nada justifica o genocídio que ocorre em Gaza. Sob toneladas de escombros, disse, estão enterradas dezenas de milhares de mulheres e crianças inocentes. Ali também, conforme sua caracterização, foram sepultados tanto o Direito Internacional Humanitário quanto aquilo que o Ocidente sempre proclamou ser sua superioridade ética.
O presidente brasileiro enfatizou que o massacre não aconteceria sem a cumplicidade daqueles que poderiam evitá-lo. Em Gaza, segundo sua denúncia, a fome funciona como arma de guerra e o deslocamento forçado de populações ocorre sem qualquer punição. Apesar da gravidade dessa acusação, Lula expressou admiração pelos judeus que, dentro e fora de Israel, se opõem ao que chamou de punição coletiva.
O cerne da posição brasileira repousa na chamada Solução de Dois Estados, um arranjo aprovado pela ONU há mais de sete décadas mas nunca ratificado por Israel. Para Lula, essa é a única forma de garantir a sobrevivência do povo palestino. Mais de 150 membros das Nações Unidas apoiam essa solução, reafirmada na própria conferência do dia anterior, mas um único veto a obstrui. Os Estados Unidos, sob o governo Trump, vetaram a resolução que reconheceria a Palestina como estado-membro oficial da organização.
A frustração de Lula estendeu-se também à questão protocolar. Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, foi impedido pelo país anfitrião de ocupar pessoalmente a bancada palestina naquele momento que Lula considerou histórico. Abbas teve de discursar virtualmente na conferência do dia anterior. Essa exclusão, na visão do presidente brasileiro, representa não apenas uma questão de cortesia diplomática, mas um sinal do quanto o reconhecimento palestino permanece bloqueado pelas potências ocidentais.
O discurso de Lula também apontou para riscos geopolíticos maiores. O alastramento do conflito para o Líbano, Síria, Irã e Catar, segundo sua avaliação, alimenta uma escalada armamentista sem precedentes na região. A mensagem era clara: o que ocorre em Gaza não é um problema isolado, mas um catalisador para instabilidade muito mais ampla.
O tema da Palestina dominou a agenda da Assembleia Geral daquele ano. No dia anterior, durante conferência específica sobre o assunto, o presidente francês Emmanuel Macron anunciou que a França passou a reconhecer oficialmente o Estado Palestino. A declaração de Macron, seguida pela fala de Lula, sinalizava que pelo menos alguns líderes ocidentais estavam dispostos a desafiar a posição tradicional dos Estados Unidos sobre a questão palestina.
Citas Notables
Nenhuma situação é mais emblemática do uso desproporcional e ilegal da força do que a da Palestina. Os atentados terroristas perpetrados pelo Hamas são indefensáveis sob qualquer ângulo. Mas nada, absolutamente nada, justifica o genocídio em curso em Gaza.— Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Ali, sob toneladas de escombros, estão enterradas dezenas de milhares de mulheres e crianças inocentes. Ali também estão sepultados o Direito Internacional Humanitário e o mito da superioridade ética do Ocidente.— Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que Lula escolheu usar a palavra "desaparecer" em vez de outras formas de descrever o sofrimento palestino?
Porque desaparecer é absoluto. Não é apenas sofrer ou estar em risco — é deixar de existir como povo. Ele estava dizendo que sem um Estado independente, a Palestina não sobrevive como entidade política ou cultural.
E quanto à crítica sobre a "superioridade ética do Ocidente"? Por que isso importa em um discurso sobre Gaza?
Porque o Ocidente sempre se apresentou como guardião de direitos humanos e direito internacional. Se Gaza acontece sob essa bandeira, então aquela narrativa desmorona. Lula estava dizendo: vocês não podem reivindicar superioridade moral enquanto isso acontece.
O veto americano é realmente o obstáculo principal, ou há outras razões pelas quais a Solução de Dois Estados não avança?
O veto é simbólico e real ao mesmo tempo. Israel nunca ratificou a solução, mas sem o apoio americano, não há pressão internacional suficiente para forçar a questão. Um veto americano bloqueia qualquer ação da ONU.
Lula elogiou judeus que se opõem aos ataques. Isso era necessário?
Sim. Sem isso, sua crítica poderia ser lida como antissemita. Ele estava sendo claro: a questão é política e militar, não religiosa. Há judeus que concordam com ele.
A menção a Líbano, Síria, Irã e Catar — isso era aviso ou previsão?
Ambas as coisas. Ele estava dizendo que o conflito já está se expandindo e que isso alimenta uma corrida armamentista. Era um apelo para que o mundo entendesse que Gaza não é um problema isolado.