Quer combater crime organizado? Entregue os nossos que estão lá
Num momento em que as relações entre Brasil e Estados Unidos navegam por águas turbulentas, o presidente Lula reagiu com tristeza e ceticismo à decisão americana de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Reconhecendo a brutalidade das facções para as comunidades brasileiras, ele questiona se a motivação de Washington é genuína ou política — e exige, em troca, que os EUA entreguem fugitivos condenados que vivem em solo americano. No fundo, o gesto de Lula é um lembrete de que soberania e reciprocidade não são concessões, mas condições.
- A classificação americana do PCC e CV como terroristas pegou Lula de surpresa e o deixou, em suas próprias palavras, 'muito triste' — não pela conclusão, mas pela suspeita de que ela serve a uma agenda política de Washington, não ao combate real ao crime.
- O presidente virou o argumento: se os EUA querem combater o crime organizado brasileiro, que comecem entregando Alexandre Ramagem, condenado a 16 anos e supostamente escondido nos EUA, e Ricardo Magro, apontado como o maior contrabandista de combustível do país, que mora em Miami.
- Lula expôs uma contradição incômoda: as armas que armam as facções brasileiras têm origem norte-americana, e Delaware seria palco de lavagem de dinheiro brasileiro — sugerindo que Washington deveria varrer sua própria calçada antes de apontar o dedo.
- O presidente alertou que o Brasil não aceitará ser tratado como 'republiqueta' e criticou a viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA para pressionar pela classificação terrorista, ironizando que, se o senador pedisse o mesmo contra milicianos, ele próprio poderia ser preso.
- O episódio revela uma disputa de narrativas: de um lado, Washington sinalizando pressão sobre o crime organizado brasileiro; do outro, Brasília exigindo reciprocidade e denunciando o que vê como instrumentalização política de uma decisão com consequências diplomáticas reais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou a sexta-feira (29 de maio) com uma notícia que o incomodou profundamente. Os Estados Unidos classificaram o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas — uma decisão que Lula admite ser tecnicamente defensável, mas que ele enxerga como politicamente motivada.
Falando durante um evento da Petrobras em Sergipe, Lula reconheceu que as facções são 'terroristas para as comunidades brasileiras', mas questionou a sinceridade da iniciativa americana. 'O Trump quer o Osama Bin Laden de não sei das quantas e nós queremos os terroristas brasileiros que estão lá', disse o presidente, sugerindo que Washington persegue sua própria agenda, não uma parceria real no combate ao crime.
Como resposta, Lula cobrou reciprocidade concreta: a extradição de Alexandre Ramagem, ex-deputado condenado a 16 anos de prisão e supostamente refugiado nos EUA, e de Ricardo Magro, descrito como o maior contrabandista de combustível do Brasil, que vive em Miami. O presidente afirmou ter entregue pessoalmente a Trump o nome e a fotografia da casa de Magro, e que a Polícia Federal apreendeu quase 250 milhões de litros de combustível contrabandeado ligados a ele.
Lula também apontou contradições estruturais: as armas que chegam às mãos das facções brasileiras têm origem norte-americana, e o estado de Delaware seria usado para lavar dinheiro de origem brasileira. Para o presidente, os EUA precisam olhar para dentro antes de fazer exigências ao Brasil — e o país não aceitará ser tratado como 'moleque' ou 'republiqueta' nas negociações internacionais.
Por fim, Lula criticou o senador Flávio Bolsonaro, que teria viajado aos EUA para pressionar pela classificação terrorista do PCC e CV. O presidente ironizou: se Flávio pedisse o mesmo contra milicianos, ele próprio poderia acabar preso. Lula também notou que o secretário Marco Rubio não estava presente em seu encontro recente com Trump, lançando dúvidas sobre a legitimidade e a coordenação da decisão americana.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acordou nesta sexta-feira (29 de maio) com uma notícia que o deixou, em suas palavras, "muito triste". Os Estados Unidos haviam classificado o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas — uma decisão que Lula reconhece como tecnicamente correta, mas politicamente suspeita.
Falando durante um anúncio de investimentos da Petrobras em Sergipe, Lula não poupou críticas ao secretário de Estado americano Marco Rubio e, por extensão, ao presidente Donald Trump. O petista admitiu que as facções são de fato "terroristas para as comunidades brasileiras", mas questionou a motivação por trás da classificação. "O Trump quer o Osama Bin Laden de não sei das quantas e nós queremos os terroristas brasileiros que estão lá", disse, sugerindo que a decisão americana não reflete uma preocupação genuína com o crime organizado brasileiro, mas sim uma agenda política própria.
O presidente aproveitou a ocasião para cobrar dos Estados Unidos aquilo que, em sua visão, deveria ser a verdadeira prioridade: a extradição de dois nomes específicos. O primeiro é Alexandre Ramagem, ex-deputado condenado a 16 anos de prisão, que Lula afirma estar "escondido" nos EUA. O segundo é Ricardo Magro, advogado do Grupo Refit e descrito por Lula como "o maior contrabandista de combustível desse país". Segundo o presidente, a Polícia Federal e a Receita Federal apreenderam quase 250 milhões de litros de combustível contrabandeado ligado a Magro — quantidade que foi entregue à Petrobras. Magro, disse Lula, está morando em Miami, e o presidente afirmou ter entregue a Trump o nome e a fotografia da casa do contrabandista.
Lula também levantou a questão das armas que alimentam o crime organizado no Brasil. Ele ressaltou que o armamento contrabandeado que chega às mãos das facções tem origem norte-americana, criando uma contradição na postura dos EUA. Durante uma visita a Trump no início do mês, Lula entregou um documento mostrando a disposição do Brasil em combater o crime organizado. Agora, o presidente cobrava reciprocidade: "Vamos começar entregando o Ramagem... Vamos começar entregando o maior contrabandista de combustível desse país... Quer combater o crime organizado? Entregue os nossos que estão lá nos Estados Unidos".
O presidente também apontou a hipocrisia que vê na postura americana em relação à lavagem de dinheiro. Ele mencionou Delaware, estado americano onde, segundo Lula, há lavagem de dinheiro de origem brasileira — sugerindo que os EUA deveriam começar a limpar sua própria casa antes de fazer exigências ao Brasil. Essa crítica faz parte de um argumento maior: o de que o Brasil não aceitará ser tratado como "moleque" ou "republiqueta" nas negociações internacionais.
Por fim, Lula direcionou críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que teria viajado aos Estados Unidos para pedir pessoalmente a classificação terrorista do PCC e CV. O presidente ironizou a situação, sugerindo que se Flávio estivesse pedindo intervenção para prender milicianos, ele mesmo seria preso. Lula também fez questão de notar que Marco Rubio não estava presente no encontro que teve com Trump recentemente, questionando assim a legitimidade da decisão americana.
Citas Notables
O Trump quer o Osama Bin Laden de não sei das quantas e nós queremos os terroristas brasileiros que estão lá— Presidente Lula
Não aceitará que o Brasil seja tratado como 'moleque' ou 'republiqueta' nas negociações internacionais— Presidente Lula
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que Lula está "muito triste" com uma decisão que, tecnicamente, reconhece como correta?
Porque a tristeza não é sobre a classificação em si — é sobre o que ela representa. Lula vê uma decisão americana que ignora os criminosos brasileiros que estão nos EUA e que o Brasil quer de volta. É como se os americanos estivessem dizendo: "Seus criminosos são terroristas, mas não são os terroristas que nos interessam".
E por que Lula menciona Delaware e lavagem de dinheiro?
Porque está dizendo: vocês têm seus próprios problemas. Se querem combater crime organizado, comecem em casa. Delaware é um estado americano conhecido por ser um porto seguro para operações financeiras questionáveis. Lula está invertendo a lógica — não é o Brasil que precisa de lição.
A crítica a Flávio Bolsonaro é apenas política?
Não é só política. Lula está questionando a legitimidade do processo. Se Flávio foi aos EUA pedir essa classificação, por que o Brasil não foi consultado adequadamente? E há uma ironia: Flávio está pedindo intervenção americana contra criminosos, mas Lula vê isso como uma tentativa de usar os EUA contra inimigos políticos domésticos.
O que Lula quer que aconteça agora?
Quer que os americanos entreguem Ramagem e Magro. Quer que os EUA reconheçam que combater crime organizado é uma via de mão dupla. E quer deixar claro que o Brasil não vai aceitar ser tratado como um país menor, dependente das decisões americanas.
Essa postura muda algo na relação Brasil-EUA?
Muda o tom. Lula está estabelecendo limites. Está dizendo: podemos trabalhar juntos, mas não como subordinados. É uma negociação, não uma obediência.