Lula convoca ministros para discutir alternativas após derrota da MP do IOF

Derrotaram o povo brasileiro, a possibilidade de melhorar a qualidade de vida
Lula criticou a decisão do Congresso de rejeitar a taxação de fintechs e bets como alternativa ao IOF.

Na manhã de 9 de outubro, o presidente Lula acordou com uma derrota legislativa que vai além dos números: o Congresso rejeitou a Medida Provisória que taxaria fintechs e bets, privando o governo de bilhões destinados a políticas sociais. Lula, em entrevista à rádio Piatã na Bahia, enquadrou a decisão não como uma derrota política, mas como uma questão de justiça — um país onde o trabalhador paga 27,5% de imposto de renda enquanto os mais ricos recusam contribuir com 12% sobre transações financeiras. A resposta virá na quarta-feira seguinte, quando ministros se reunirão para traçar novos caminhos.

  • O Congresso retirou de pauta a MP alternativa ao IOF, deixando o governo sem os bilhões planejados para financiar benefícios sociais — a medida perdeu validade sem sequer ser votada.
  • Lula não conteve a irritação: afirmou que a derrota não foi do governo, mas do povo brasileiro, que perdeu a possibilidade de ver sua qualidade de vida melhorada.
  • A contradição apontada pelo presidente é incômoda: trabalhadores comuns pagam 27,5% de IR, enquanto os mais ricos se recusaram a pagar entre 12% e 18% sobre operações em plataformas financeiras.
  • A oposição, liderada por vozes como a do governador Ronaldo Caiado, enquadrou a MP como um instrumento eleitoral para engordar o caixa do governo às vésperas de 2026.
  • Lula pediu calma aos ministros Haddad e Gleisi Hoffmann logo após a votação e convocou uma reunião ministerial para o dia 15, quando o governo buscará alternativas de arrecadação.

O presidente Lula chegou à quinta-feira, 9 de outubro, com uma derrota concreta: o Congresso havia retirado de pauta a Medida Provisória que taxaria fintechs, bets e outras operações financeiras como alternativa ao aumento do IOF. Sem votação, a MP perdeu validade. Em entrevista à rádio Piatã, na Bahia, Lula não disfarçou a frustração — mas também não se limitou a lamentar. Transformou a derrota em argumento moral.

O núcleo de sua crítica era direto: o governo havia proposto uma alíquota de 18% sobre transações em plataformas financeiras, depois recuou para 12%, e mesmo assim o Congresso recusou. Enquanto isso, o trabalhador comum paga 27,5% de imposto de renda sobre o salário. Para Lula, não se tratava de uma disputa política — era uma questão de justiça. 'Eles acham que derrotaram o governo, mas derrotaram o povo brasileiro', afirmou.

A reação imediata foi de contenção. Logo após a votação, Lula ligou para o ministro Fernando Haddad e para Gleisi Hoffmann, pedindo que não remoessem o ocorrido. Ele seguiria viagem — Bahia, São Paulo, Roma — e só voltaria a Brasília no dia 15, quando reuniria os ministros para discutir alternativas de arrecadação, especialmente formas de fazer o sistema financeiro pagar o que considera ser sua parte justa.

A oposição leu a MP como uma manobra eleitoral para ampliar benefícios sociais às vésperas de 2026. O governador Ronaldo Caiado foi explícito ao chamar a votação favorável de 'presente de R$ 30 bilhões para o governo torrar em medidas populistas'. Lula, por sua vez, insistiu que o que estava em jogo era a proteção das políticas de inclusão social construídas em sua gestão — e que, sem recursos, essas conquistas poderiam ser ameaçadas. A reunião de quarta-feira seria o primeiro passo de uma batalha que, ficou claro, vai muito além de uma votação no Congresso.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acordou na quinta-feira, 9 de outubro, com uma derrota nas mãos. Na noite anterior, o Congresso Nacional havia retirado de pauta a Medida Provisória que funcionaria como alternativa ao aumento do IOF — uma tentativa do governo de arrecadar bilhões taxando fintechs, bets e outras operações do sistema financeiro. Sem votação, a medida perdeu validade. E Lula, em entrevista à rádio Piatã, na Bahia, não escondeu a irritação.

O presidente havia entrado no assunto por conta própria, enquanto falava sobre políticas de inclusão social. Sua frustração era clara: o Congresso, disse ele, não havia derrotado o governo — havia derrotado o povo brasileiro. A frase ecoava uma convicção que Lula repetiu durante a entrevista: nunca houve na história do país uma política de inclusão social que chegasse perto do que sua gestão vinha realizando. E agora, justamente quando precisava de recursos para garantir esses benefícios, enfrentava uma recusa.

O cerne da discórdia era simples, mas revelador. O governo havia proposto uma alíquota de 18% sobre transações em plataformas financeiras. Depois negociou para 12%. Mesmo assim, o Congresso recusou. Lula apontou a contradição que o incomodava: o trabalhador comum paga 27,5% de imposto de renda sobre seu salário, enquanto os ricos se recusavam a pagar entre 12% e 18% sobre operações financeiras. Não era, em sua visão, uma questão de derrota política — era uma questão de justiça. "Eles acham que derrotaram o governo, mas derrotaram o povo brasileiro, a possibilidade de melhorar a qualidade da vida do povo", disse.

A reação foi rápida. Logo após a votação na quarta-feira, Lula ligou para Fernando Haddad, ministro da Fazenda, e para Gleisi Hoffmann, ministra da Secretaria de Relações Institucionais. Pediu que relaxassem. Não havia sentido em passar o fim de semana remoendo o que havia acontido no Congresso. Ele seguiria para a Bahia, depois para São Paulo, depois para Roma. Voltaria a Brasília na quarta-feira seguinte — dia 15 — e aí sim reuniria o governo para discutir como proceder.

O plano era claro: encontrar alternativas. O sistema financeiro, especialmente as fintechs — algumas delas agora maiores que bancos tradicionais — precisava pagar o imposto devido ao país. Mas como? Essa era a pergunta que os ministros teriam de responder. A Medida Provisória havia sido encarada por integrantes da oposição como uma estratégia de Lula para garantir recursos em caixa durante um ano eleitoral, permitindo expandir benefícios sociais e fortalecer suas chances de reeleição. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, havia sido explícito: votar a favor seria "votar para aumentar impostos e dar um presente de R$ 30 bilhões para o governo Lula torrar em 2026 — com mais medidas populistas e irresponsáveis".

Mas para Lula, a questão transcendia a política eleitoral. Tratava-se de proteger as políticas de inclusão social que sua gestão havia construído. "É preciso garantir que benefícios sociais não sejam destruídos", disse. E havia uma advertência implícita em suas palavras: se o povo não tomasse cuidado, poderia vir um governo que destruísse tudo aquilo que havia sido feito em matéria de inclusão social. A reunião de ministros na quarta-feira seria o primeiro passo para responder à derrota. Mas a batalha, estava claro, era maior que uma votação no Congresso.

O Congresso não derrotou o governo, derrotou o povo brasileiro
— Presidente Lula, em entrevista à rádio Piatã
O trabalhador paga 27,5% de IR no salário e os ricos não querem pagar 12%, 18%
— Presidente Lula, criticando a rejeição da medida
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que Lula entrou nesse assunto da MP do IOF durante uma entrevista sobre inclusão social? Parecia uma mudança de rumo.

Model

Não era mudança de rumo — era o mesmo assunto. Para ele, a MP era parte da inclusão social. O dinheiro arrecadado financiaria benefícios. Quando o Congresso derrubou a medida, derrubou, na visão dele, a possibilidade de expandir esses programas.

Inventor

Mas por que a oposição viu isso como um presente eleitoral? Ronaldo Caiado foi bem direto.

Model

Porque era ano de eleição. Bilhões em caixa significam mais capacidade de expandir benefícios sociais, o que historicamente ajuda candidatos à reeleição. A oposição não estava errada em ler assim — mas Lula genuinamente acreditava que era necessário.

Inventor

E por que fintechs? Por que não aumentar o IOF tradicional?

Model

Porque o IOF tradicional afeta o trabalhador comum — quem movimenta dinheiro no banco. Fintechs e bets são operações de maior volume financeiro, muitas vezes envolvendo pessoas mais ricas. Era uma forma de taxar quem tem mais capacidade de pagar.

Inventor

A reunião de ministros na quarta-feira resolveria o problema?

Model

Não. Resolveria como o governo responderia. A derrota já havia acontecido. A reunião era para encontrar um plano B — outra forma de arrecadar, ou aceitar que os bilhões não viriam.

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