Lula e Macron discutem Conselho da Paz de Gaza e situação na Venezuela

Iniciativas de paz devem estar alinhadas aos mandatos da ONU
Posição compartilhada por Lula e Macron durante conversa sobre o novo Conselho da Paz para Gaza.

Em meio à criação de um novo fórum de paz americano para Gaza, Lula e Macron conversaram por quase uma hora na terça-feira, alinhando uma visão comum: iniciativas de segurança internacional devem passar pela ONU, não contorná-la. A recusa francesa ao convite de Washington e a hesitação brasileira revelam uma tensão mais profunda sobre quem detém a legitimidade para ordenar o mundo em tempos de crise.

  • Os Estados Unidos criaram um Conselho da Paz para Gaza sem ancora-lo à estrutura da ONU, provocando desconforto imediato entre aliados tradicionais.
  • Macron recusou o convite americano, citando escopo excessivamente amplo e riscos ao respeito à Carta das Nações Unidas — uma rejeição direta ao modelo de Washington.
  • Lula, que ainda não respondeu ao convite, usou a ligação com Macron para consolidar uma posição comum antes de decidir o próprio caminho.
  • Por trás da discussão sobre Gaza, Lula enxerga uma oportunidade estratégica: pressionar pela reforma do Conselho de Segurança da ONU com maior representatividade regional.
  • A conversa também tocou na Venezuela, com ambos os líderes condenando o uso da força e reafirmando o valor da estabilidade global como princípio compartilhado.

Na terça-feira, Lula e Macron falaram por quase uma hora sobre o novo Conselho da Paz criado pelos Estados Unidos para coordenar a reconstrução de Gaza. A conversa revelou algo além da pauta imediata: uma divisão crescente sobre como o mundo deveria gerir crises internacionais.

Um dia antes, Lula havia falado com Trump sobre o mesmo tema, sugerindo que o conselho se limitasse a Gaza e garantisse representação palestina. Com Macron, reforçou uma posição compartilhada — que qualquer iniciativa de paz deveria estar alinhada aos mandatos do Conselho de Segurança da ONU e aos princípios da Carta das Nações Unidas.

Macron já havia dito não ao convite americano. A diplomacia francesa apontou duas razões: o escopo do conselho era amplo demais, indo além de Gaza, e havia dúvidas sobre o respeito à Carta da ONU. Lula, por sua vez, ainda não havia respondido — e a ligação com o presidente francês era também uma forma de calibrar sua própria decisão com um aliado europeu relevante.

O que dava peso especial ao momento era o pano de fundo: a criação desse fórum paralelo reacendeu a batalha que Lula trava há anos pela reforma do Conselho de Segurança, com mais membros permanentes que reflitam a geopolítica atual. Para ele, a iniciativa americana ilustrava exatamente por que o sistema precisava mudar.

Os dois líderes também convergiram sobre a Venezuela, condenando o uso da força e reafirmando a importância da estabilidade regional. O padrão que emergiu da conversa era nítido: enquanto Trump constrói estruturas paralelas, Lula e Macron insistem que a ordem internacional deve passar pela ONU — e o Brasil, se entrar no conselho, o fará com condições.

Lula pegou o telefone na terça-feira e conversou com Emmanuel Macron por quase uma hora. O assunto era Gaza — ou mais precisamente, o novo Conselho da Paz que os Estados Unidos criaram para coordenar a reconstrução da Faixa de Gaza. Mas a conversa entre o presidente brasileiro e o francês revelou algo mais profundo: uma divisão crescente sobre como o mundo deveria lidar com crises internacionais.

O timing não era casual. Um dia antes, Lula havia falado com Donald Trump sobre esse mesmo conselho. Na ocasião, o presidente brasileiro fez duas sugestões diretas: que o conselho limitasse seu trabalho especificamente a Gaza, e que garantisse representação palestina nas discussões. Agora, conversando com Macron, Lula reforçava uma posição que ambos compartilhavam — que qualquer iniciativa de paz e segurança deveria estar alinhada aos mandatos do Conselho de Segurança da ONU e aos princípios da Carta das Nações Unidas.

Macron havia recebido o mesmo convite que Lula. Mas o presidente francês disse não. Segundo Pascal Confavreux, porta-voz da diplomacia francesa, a recusa se baseava em duas preocupações centrais: o escopo do conselho era muito amplo, indo além de Gaza, e havia dúvidas sobre se a iniciativa respeitaria adequadamente a Carta das Nações Unidas. Era uma rejeição clara ao modelo que Washington estava propondo.

Para Lula, porém, a situação era mais complexa. Ele ainda não havia respondido ao convite americano. A conversa com Macron, portanto, não era apenas uma troca de informações — era uma oportunidade de alinhar posições com um aliado europeu importante enquanto o Brasil decidia seu próprio caminho.

O que tornava tudo isso particularmente significativo era o que estava por trás da discussão. A criação deste Conselho da Paz havia reacendido uma batalha diplomática que Lula vinha travando desde seu primeiro mandato: a reforma do Conselho de Segurança da ONU. O presidente brasileiro acredita que o conselho precisa de maior representatividade regional, com mais membros permanentes que reflitam a realidade geopolítica atual. A atitude da Casa Branca — criando um fórum paralelo fora da estrutura tradicional da ONU — só reforçava seu argumento de que o sistema internacional precisava mudar.

Durante a ligação, Lula e Macron também abordaram a Venezuela. Ambos condenaram o uso da força em violação ao direito internacional e concordaram sobre a importância de manter a paz e a estabilidade não apenas na América do Sul, mas globalmente. Era uma convergência de visões sobre como as grandes potências deveriam se comportar em relação aos conflitos regionais.

O que emergiu dessa conversa era um padrão claro: enquanto Trump criava estruturas paralelas para lidar com crises internacionais, líderes como Lula e Macron insistiam que essas iniciativas deveriam passar pela ONU, não ao seu redor. Para Lula, isso era parte de uma estratégia maior — usar a pressão criada por essas novas estruturas para finalmente conseguir a reforma do Conselho de Segurança que ele vinha pedindo há anos. O Brasil ainda não havia decidido se entraria neste conselho, mas a conversa com Macron deixava claro que, se o fizesse, seria com condições.

Iniciativas sobre paz e segurança devem estar alinhadas aos mandatos do Conselho de Segurança e aos princípios e propósitos da Carta da ONU
— Posição conjunta de Lula e Macron, conforme nota do Palácio do Planalto
A recusa francesa baseou-se no escopo ampliado do conselho e preocupações com o respeito à Carta das Nações Unidas
— Pascal Confavreux, porta-voz da diplomacia da França
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que Lula ainda não respondeu ao convite se Macron já recusou?

Model

Porque o Brasil está em uma posição diferente da França. Lula quer usar essa situação como alavanca para reformar a ONU, não simplesmente rejeitar a iniciativa americana.

Inventor

E se ele disser sim, não estaria validando exatamente o que Macron rejeitou?

Model

Talvez. Mas Lula pode dizer sim com condições — exigindo que o conselho respeite os mandatos da ONU e inclua a Palestina. É uma forma de participar sem capitular.

Inventor

Macron parece estar fazendo uma aposta diferente.

Model

Macron está dizendo que a ONU já existe e funciona. Criar algo paralelo enfraquece a instituição. Lula concorda em princípio, mas vê uma oportunidade nessa fratura.

Inventor

Qual é a oportunidade?

Model

Se os EUA estão criando estruturas fora da ONU, é porque a ONU não está funcionando como deveria. Isso fortalece o argumento de Lula para uma reforma profunda do Conselho de Segurança.

Inventor

Então a conversa entre eles era sobre Gaza, mas realmente era sobre poder?

Model

Era sobre ambos. Gaza é real, urgente. Mas a estrutura através da qual você resolve Gaza — isso é poder. E Lula quer mudar essa estrutura.

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