Sua história é muito rica, não mudaria nada
Luis Galarreta, nascido em Lima em 1971 com uma malformação congênita que levou à amputação dos braços ainda na infância, percorreu um caminho político sinuoso que o conduziu do centro-direita crítico ao fujimorismo até se tornar o principal aliado de Keiko Fujimori. Sua trajetória encarna uma das tensões mais recorrentes da vida pública: a distância entre as convicções declaradas e as alianças construídas ao longo do tempo. Hoje vice-presidente do Parlamento Andino e candidato a vice-presidente na chapa de Keiko, Galarreta representa tanto a resiliência humana diante da adversidade física quanto a maleabilidade das posições políticas diante das oportunidades do poder.
- Um homem que nasceu sem o uso pleno dos braços e foi submetido à amputação aos três meses de vida tornou-se, décadas depois, figura central na disputa pelo segundo cargo mais alto do Peru.
- A tensão de sua trajetória reside na contradição: o mesmo político que em 2011 denunciou violações de direitos humanos e corrupção no governo Alberto Fujimori hoje defende publicamente o legado daquele período.
- A virada ocorreu em 2015, quando Galarreta abandonou o Partido Popular Cristão e migrou para a Fuerza Popular, transformando-se rapidamente em porta-voz e presidente do Congresso em 2017.
- Sua reconfiguração discursiva — reconhecendo erros do fujimorismo, mas ressaltando seus supostos acertos — consolidou sua posição como peça estratégica na campanha presidencial de Keiko Fujimori.
- O caso Galarreta expõe as dinâmicas da política peruana, onde críticas históricas podem ser ressignificadas e alianças reformuladas em função de objetivos eleitorais maiores.
Luis Galarreta chegou ao mundo em Lima, em 1971, com uma malformação congênita nos membros superiores causada por um medicamento ingerido por sua mãe durante a gravidez. Com apenas três meses de vida, médicos recomendaram a amputação dos braços — uma decisão que seus pais descreveram como extremamente dolorosa. Hoje, aos 55 anos, ele usa ganchos como próteses e ocupa posição de destaque na política peruana como candidato a vice-presidente na chapa de Keiko Fujimori.
Sua carreira política teve início distante do fujimorismo. Formado no Movimento pela Liberdade, o grupo de Mario Vargas Llosa, Galarreta tentou o Congresso em 2001 sem sucesso, elegeu-se vereador de Lima em 2003 e conquistou seu primeiro mandato federal em 2006, reelegendo-se em 2011 pelo Partido Popular Cristão. Naquele período, era um crítico contundente do legado de Alberto Fujimori, denunciando violações de direitos humanos, problemas institucionais e corrupção nos anos 1990.
O ponto de inflexão veio em 2015, quando Galarreta deixou o Partido Popular Cristão e ingressou na Fuerza Popular de Keiko Fujimori. A mudança foi rápida e profunda: tornou-se porta-voz da campanha presidencial de 2016 e, no ano seguinte, presidiu o Congresso peruano. Sua postura pública em relação ao fujimorismo também se transformou — passou a reconhecer os erros do período, mas a defender seus resultados positivos.
Atualmente vice-presidente do Parlamento Andino e candidato a vice na chapa de Keiko, Galarreta encarna as contradições e estratégias da política peruana, onde posições críticas podem ser reconfiguradas e alianças reescritas. O que permanece inalterado é sua presença persistente nos espaços de poder, construída apesar — ou talvez por causa — das adversidades que marcaram sua vida desde o primeiro dia.
Luis Galarreta nasceu em Lima em 1971 com uma malformação congênita nos membros superiores. Quando tinha apenas três meses de vida, médicos recomendaram a amputação dos braços. Sua mãe havia ingerido durante a gravidez um medicamento que comprometeu o desenvolvimento fetal, uma decisão que Galarreta descreve como tendo sido "muito difícil" para seus pais. Hoje, aos 55 anos, ele usa ganchos como próteses e se tornou um dos principais aliados políticos de Keiko Fujimori, integrando sua chapa presidencial e ocupando o cargo de vice-presidente do Parlamento Andino.
Sua trajetória política começou longe do fujimorismo. Galarreta construiu sua carreira inicial dentro do Movimento pela Liberdade, o grupo liderado pelo escritor Mario Vargas Llosa. Sua primeira tentativa eleitoral ocorreu em 2001, quando disputou uma vaga no Congresso pelo bloco Unidade Nacional, sem êxito. Dois anos depois, foi eleito vereador de Lima. Em 2006, conquistou seu primeiro mandato como deputado e se reelegeu em 2011, período em que integrava o Partido Popular Cristão, uma agremiação de centro-direita que mantinha distância do movimento fujiorista.
Naquela época, Galarreta era crítico feroz do legado político da família Fujimori. Em 2011, atacou duramente o governo do ex-presidente Alberto Fujimori, pai de Keiko, afirmando que a década de 1990 havia sido marcada por problemas institucionais, violações de direitos humanos e casos de corrupção. Essa postura o colocava em campo oposto ao da candidata que viria a ser sua companheira de chapa anos depois.
O ponto de inflexão chegou em 2015. Galarreta deixou o Partido Popular Cristão alegando motivos pessoais e ingressou na Fuerza Popular, a agremiação comandada por Keiko Fujimori. A mudança representou uma guinada política significativa e o transformou rapidamente em um dos principais aliados da candidata. No novo partido, assumiu o papel de porta-voz durante a campanha presidencial de 2016 e, no ano seguinte, chegou à presidência do Congresso peruano.
Com a migração para o fujimorismo, sua postura pública em relação ao legado dos anos 1990 também se transformou. Galarreta passou a defender publicamente o governo de Alberto Fujimori, reconhecendo que houve erros e crimes, mas argumentando que o período apresentou resultados positivos em outras áreas. Essa reconfiguração discursiva consolidou sua posição como figura central no movimento fujiorista.
Atualmente, Galarreta ocupa dois cargos de destaque: é vice-presidente do Parlamento Andino e integra a chapa presidencial de Keiko Fujimori como candidato a vice-presidente. Sua trajetória reflete as dinâmicas estratégicas da política peruana, onde alianças se reformulam e posições anteriormente críticas podem ser ressignificadas em nome de objetivos políticos maiores. O que permanece constante é sua presença como figura de relevo nos espaços de poder, apesar das limitações físicas que marcaram sua vida desde o nascimento.
Citas Notables
Minha história é muito rica, não mudaria nada. Durante a gravidez, minha mãe tomou um medicamento que afetava o desenvolvimento dos fetos.— Luis Galarreta, em entrevista ao canal da jornalista Milagros Leiva
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Como um político que criticava duramente Alberto Fujimori em 2011 conseguiu se tornar um dos principais aliados de sua filha apenas quatro anos depois?
A mudança não foi gradual. Galarreta saiu do Partido Popular Cristão em 2015 e entrou direto na Fuerza Popular. Não há registro de uma transição suave — foi uma decisão clara e rápida que o posicionou imediatamente como porta-voz da campanha de Keiko.
Ele explica essa mudança em algum lugar?
Ele diz que saiu do PPC por "motivos pessoais", mas não detalha o que isso significa. O que sabemos é que sua crítica anterior ao governo Fujimori — sobre violações de direitos humanos, corrupção, problemas institucionais — desapareceu do discurso público.
E como ele reconcilia isso com sua própria história? Ele não sofreu as consequências daquele período?
Não há registro de que Galarreta tenha sido afetado diretamente pelas políticas dos anos 1990. Sua deficiência é congênita, anterior ao governo Fujimori. Talvez por isso a mudança de posição tenha sido possível — não havia conflito pessoal direto.
Ele fala sobre sua deficiência em público?
Sim, em uma entrevista ao canal da jornalista Milagros Leiva, ele descreveu sua história como "muito rica" e disse que não mudaria nada. Falou sobre a decisão dos pais de aceitar a amputação recomendada pelos médicos. Mas isso é raro — a deficiência não é tema central em sua atuação política.
Qual é o significado real dessa trajetória?
Mostra como a política peruana funciona: alianças se reformulam, críticas anteriores são recontextualizadas, e figuras políticas podem ocupar posições de poder mesmo após mudanças radicais de posição. Galarreta é um exemplo de como a lealdade política pode superar a consistência ideológica.