Lorival Nogueira Luz Junior assume reestruturação e divisão da Raízen em duas empresas

Dois negócios com ciclos e riscos totalmente diferentes agora respiram separados
A divisão da Raízen em Energia e Combustíveis responde à necessidade de separar operações incompatíveis sob uma mesma estrutura.

Em um dos movimentos corporativos mais significativos do setor energético brasileiro, a Raízen anunciou sua divisão em duas empresas distintas — Raízen Energia e Raízen Combustíveis —, nomeando Lorival Nogueira Luz Junior para conduzir essa transformação até 2027. O acordo, sustentado por R$ 3,5 bilhões da Shell e pela conversão de 45% da dívida em ações, reflete a busca por clareza e foco em um conglomerado que cresceu unindo mundos muito diferentes: o da cana-de-açúcar e o dos postos de combustível. Separar o que foi construído junto é, muitas vezes, o caminho mais honesto para que cada parte encontre seu próprio destino.

  • A Raízen carrega uma estrutura financeira que mistura ativos biológicos de longo prazo com os riscos voláteis da distribuição de combustíveis — uma tensão que a reestruturação busca desfazer.
  • A Shell injeta R$ 3,5 bilhões e aceita converter 45% da dívida em ações a R$ 0,25 cada, sinalizando que o custo de não agir seria maior do que o de reconstruir.
  • Lorival Nogueira Luz Junior assume o comando com mandato explicitamente temporário: fica até que as duas empresas estejam de pé por conta própria ou até que todos os ativos sejam vendidos.
  • O prazo é dezembro de 2027 — e dentro dele a Raízen Energia precisará vender ativos não essenciais enquanto a Raízen Combustíveis busca um investidor estratégico.
  • A separação não é apenas operacional: é uma aposta de que duas empresas focadas valem mais, juntas, do que um conglomerado sobrecarregado.

O conselho da Raízen, presidido por Rubens Ometto, escolheu por unanimidade Lorival Nogueira Luz Junior para liderar a reestruturação da companhia — uma das operações mais complexas do setor energético brasileiro nos próximos dezoito meses. Sua missão é dividir a empresa em duas entidades independentes e conduzir a venda de ativos estratégicos dentro de um cronograma exigente.

O acordo que viabiliza essa transformação tem três pilares. A Shell aportará R$ 3,5 bilhões em capital novo, com possibilidade de contribuição adicional de até R$ 500 milhões pela Aguassanta Participações, holding de Ometto. Em paralelo, 45% da dívida reestruturada será convertida em ações ao preço de R$ 0,25 cada, aliviando o passivo imediato da companhia. O terceiro pilar é a própria separação operacional.

A Raízen Energia reunirá os ativos biológicos e industriais — canaviais, usinas e geração de energia —, enquanto a Raízen Combustíveis ficará responsável pela distribuição sob a bandeira Shell no Brasil. A lógica é criar duas empresas mais focadas, cada uma com modelo de negócio e estrutura de capital adequados à sua natureza.

Lorival permanecerá no cargo até que a segregação esteja concluída ou até que todos os ativos sejam vendidos, o que vier depois. O prazo final é 31 de dezembro de 2027 — tempo suficiente para reorganizar o que foi construído junto, mas com pouca margem para atrasos.

O conselho de administração da Raízen, presidido por Rubens Ometto — fundador da Cosan —, escolheu por unanimidade Lorival Nogueira Luz Junior para liderar uma das operações mais complexas do setor energético brasileiro nos próximos dezoito meses. O executivo assumirá a tarefa de reestruturar a companhia e dividi-la em duas entidades separadas, um processo que envolve bilhões de reais em capital novo, conversão de dívida e a venda de ativos estratégicos.

O acordo que sustenta essa transformação repousa em três pilares bem definidos. O primeiro é a injeção de dinheiro fresco: a Shell contribuirá com R$ 3,5 bilhões, enquanto a Aguassanta Participações, holding de Ometto, pode aportar até R$ 500 milhões adicionais. Esse capital novo é essencial para estabilizar a estrutura financeira da empresa antes da divisão. O segundo pilar é a conversão de dívida em participação acionária — 45% da dívida reestruturada será transformada em ações ao preço de R$ 0,25 cada, um mecanismo que reduz o passivo imediato da companhia. O terceiro pilar é a própria segregação operacional.

A Raízen será dividida em duas empresas distintas: Raízen Energia e Raízen Combustíveis. Essa separação responde a uma lógica clara de negócio. A Raízen Energia concentrará os ativos biológicos e industriais — os canaviais, as usinas de processamento, as operações de geração de energia —, enquanto a Raízen Combustíveis gerenciará a distribuição de combustíveis sob a bandeira Shell no Brasil, um negócio com dinâmica e riscos completamente diferentes. Ao separar esses dois universos, a companhia busca criar duas entidades mais focadas, cada uma com seu próprio modelo de negócio e estrutura de capital.

O mandato de Lorival é tão delicado quanto a tarefa que lhe foi confiada. Segundo a ata da decisão, ele permanecerá no cargo até que o plano de segregação seja implementado — ou seja, até que as duas empresas estejam efetivamente operando de forma independente. Se o processo de desinvestimento se estender além desse ponto, ele continuará na função até que todos os ativos sejam vendidos ou realocados. Essa flexibilidade reflete a incerteza inerente a uma operação dessa magnitude.

O cronograma é ambicioso. A segregação das duas empresas deve estar concluída até 31 de dezembro de 2027. Nesse mesmo período, a Raízen Energia deverá vender ativos não essenciais, operações de energia específicas e potencialmente algumas de suas usinas. Simultaneamente, a companhia buscará um investidor estratégico para a Raízen Combustíveis, uma operação que pode definir a trajetória da distribuição de combustíveis no Brasil nos próximos anos. O que estava unificado será separado, reorganizado e, em parte, vendido — tudo dentro de um prazo que deixa pouca margem para atrasos.

O conselho escolheu por unanimidade Lorival Nogueira Luz Junior para liderar a reestruturação
— Conselho de administração da Raízen, presidido por Rubens Ometto
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que a Shell e Ometto decidiram dividir a Raízen agora, neste momento específico?

Model

Porque a empresa acumulou dívidas e riscos que ficaram incompatíveis. Misturar canaviais com distribuição de combustíveis criava uma estrutura confusa — dois negócios com ciclos, margens e riscos totalmente diferentes. A divisão permite que cada uma respire.

Inventor

E Lorival Nogueira Luz Junior — quem é ele para tocar uma operação dessa escala?

Model

Um executivo escolhido por unanimidade, o que significa que tanto Shell quanto Ometto confiaram nele. Seu mandato é flexível justamente porque ninguém sabe exatamente quanto tempo levará. Ele fica até terminar o trabalho.

Inventor

Os números parecem apertados. R$ 3,5 bilhões da Shell, conversão de dívida, venda de ativos — como isso se encaixa?

Model

É um tripé. O dinheiro novo estabiliza. A conversão reduz o passivo imediato. E a venda de ativos gera caixa para pagar o resto. Nenhum dos três funciona sozinho.

Inventor

E a Raízen Combustíveis — ela vai ficar com a Shell ou ser vendida?

Model

Ainda está em aberto. O plano prevê uma busca por investidor, mas não há compromisso fechado. Pode ser que a Shell mantenha, pode ser que venda. Isso dependerá do que o mercado oferecer até 2027.

Inventor

Qual é o risco maior aqui?

Model

Que o cronograma não aguente. Dezoito meses para dividir uma empresa dessa complexidade, vender ativos e encontrar investidores é muito pouco tempo. Se algo atrasar — regulação, mercado, diligência —, tudo se estende.

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