Estudo revela 8 hábitos que podem adicionar até 24 anos à expectativa de vida

A solidão pode ser pior do que o cigarro para a longevidade
Relações sociais são tão críticas quanto hábitos físicos para aumentar expectativa de vida, especialmente em idosos.

Por nove anos, mais de 700 mil veteranos americanos foram acompanhados em silêncio pela ciência, que registrava seus hábitos e suas mortes. O que emergiu desse longo olhar não foi uma fórmula mágica, mas uma confirmação antiga: dormir bem, mover o corpo, nutrir vínculos e evitar o que corrói — esses gestos cotidianos, somados, podem estender a vida em mais de duas décadas. O estudo, apresentado em Boston, lembra que longevidade não é um destino reservado à genética, mas um caminho construído em escolhas repetidas ao longo dos anos.

  • O abuso de opioides combinado com sedentarismo foi o fator mais letal identificado, aumentando o risco de morte precoce entre 30% e 45% durante os nove anos do estudo.
  • Mais de 30 mil participantes morreram durante a pesquisa, fornecendo aos cientistas um mapa brutal e preciso dos comportamentos que encurtam a vida.
  • Oito hábitos — de alimentação equilibrada a relações sociais saudáveis — foram identificados como pilares de longevidade, com potencial de acrescentar até 24 anos à expectativa de vida quando adotados aos 40 anos.
  • Especialistas alertam que a solidão pode ser tão prejudicial quanto o cigarro, e que o estresse crônico eleva em até 14% o risco de morte por câncer.
  • Mesmo quem começa a mudar os hábitos aos 60 anos ainda colhe benefícios reais, embora menores — a mensagem central é que nunca é tarde, mas começar cedo potencializa os resultados.

Um estudo de nove anos acompanhou mais de 700 mil veteranos de guerra nos Estados Unidos e identificou oito hábitos que, praticados em conjunto, podem adicionar até 24 anos à expectativa de vida. Os dados foram apresentados em Boston, no congresso anual da Sociedade Americana de Nutrição, e revelaram padrões claros entre os participantes que sobreviveram ao longo do período — de 2011 a 2019 — e os comportamentos que os mantiveram vivos.

Os oito hábitos avaliados foram alimentação saudável, sono de qualidade, exercício físico regular, controle do estresse, moderação no consumo de álcool, abandono do tabagismo, manutenção de boas relações sociais e não utilização de opioides. O achado mais alarmante foi que o abuso de opioides combinado com sedentarismo apresentou a associação mais forte com morte precoce, elevando o risco entre 30% e 45%.

O geriatra Natan Chehter, da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, explica que uma dieta equilibrada pode aumentar a expectativa de vida em até 13 anos, e que na velhice adaptações são necessárias — como substituir proteínas animais por vegetais e reforçar o consumo de frutas e verduras. Sobre o sono, ele desfaz um equívoco comum: idosos dormem menos, mas isso não significa dormir pior; o que muda é a estrutura do sono, com menos tempo nos estágios profundos.

A atividade física é igualmente essencial. Exercícios aeróbicos melhoram o desempenho cardiovascular e ajudam a controlar pressão e glicemia, enquanto exercícios resistidos preservam a massa muscular. Já o estresse — que aumenta o risco de morte por câncer em até 14% — pode ser combatido com reorganização da rotina, lazer e práticas como yoga e meditação.

As relações sociais merecem atenção especial: para idosos frequentemente distantes da família, grupos de convivência e amizades ativas são vitais. A solidão, segundo especialistas, pode ser tão prejudicial à longevidade quanto o cigarro. Fumar e beber em excesso, por sua vez, elevam o risco de morte em até 20%, muitas vezes associados a outros hábitos negativos.

Os números finais são expressivos: homens e mulheres que adotaram todos os oito hábitos aos 40 anos ganharam entre 22,6 e 23,7 anos de expectativa de vida. O efeito foi menor para quem começou aos 60, mas ainda significativo. Por ser um estudo observacional, outros fatores não mensurados podem influenciar os resultados — ainda assim, a mensagem é inequívoca: começar cedo potencializa os ganhos, mas nunca é tarde demais para mudar.

Um estudo de nove anos acompanhando mais de 700 mil veteranos de guerra nos Estados Unidos identificou oito hábitos que, quando praticados em conjunto, podem adicionar até 24 anos à expectativa de vida de uma pessoa. Os pesquisadores apresentaram suas descobertas em Boston, no congresso anual da Sociedade Americana de Nutrição, após analisar dados coletados entre 2011 e 2019. Durante esse período, mais de 30 mil dos participantes faleceram, permitindo aos cientistas identificar padrões claros entre aqueles que sobreviveram e os comportamentos que os mantiveram vivos por mais tempo.

Os oito hábitos avaliados foram: alimentação saudável, sono de qualidade, exercício físico regular, controle do estresse, redução do consumo de álcool, abandono do tabagismo, manutenção de boas relações sociais e não utilização de opioides. A pesquisa levou em conta informações detalhadas sobre atividade física, padrões de sono, dieta, consumo de álcool e saúde mental dos voluntários. O achado mais preocupante foi que o abuso de opioides combinado com falta de atividade física apresentou a associação mais forte com morte precoce, aumentando o risco entre 30% e 45% durante os anos do estudo. Vale notar que esse problema é particularmente grave nos Estados Unidos, onde opioides são prescritos com frequência para tratamento de dor, diferentemente do Brasil, onde seu uso é mais restrito.

Segundo Natan Chehter, geriatra membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, uma dieta saudável deve ser balanceada, contendo carboidratos, proteínas e gorduras em proporções adequadas, sem excessos, acompanhada de ingestão suficiente de líquidos. Ele ressalta que começar cedo é fundamental — estudos indicam que alimentação saudável pode aumentar a expectativa de vida em até 13 anos. Na velhice, as dificuldades práticas como problemas dentários ou uso de próteses exigem adaptações, frequentemente levando à substituição de proteínas de origem animal por vegetais e cereais. Frutas e verduras tornam-se essenciais para fornecer os micronutrientes que o corpo necessita.

Quanto ao sono, existe um equívoco comum: idosos dormem menos, mas isso não significa necessariamente que durmam pior. O que ocorre é uma mudança na estrutura do sono — passam menos tempo nos estágios profundos, como o REM, ficando mais propensos a acordar durante a noite. Chehter recomenda observar o quão descansado se sente ao acordar e, se houver dificuldades, investigar o que as causa. Consumo de cafeína próximo à hora de dormir, excesso de tempo em telas ou atividades que exigem atenção na cama podem prejudicar a sonolência. Quando problemas persistem, é importante buscar ajuda médica, pois depressão ou ansiedade podem estar afetando a qualidade do sono.

A atividade física é igualmente crucial. Idosos podem e devem se exercitar, idealmente nunca parando completamente. Para quem nunca praticou, acompanhamento profissional ajuda a identificar movimentos a evitar conforme limitações de saúde. Exercícios aeróbicos melhoram o desempenho cardiovascular, aumentam disposição e fôlego, facilitam perda de peso e ajudam a controlar pressão arterial e índice glicêmico. Exercícios resistidos — musculação, pilates e certos tipos de fisioterapia — mantêm ou aumentam a massa muscular, também essencial para a saúde.

O estresse, um dos grandes males da sociedade moderna, aumenta o risco de morte por câncer em até 14%. Chehter sugere que muitas vezes basta reorganizar a rotina: distribuir melhor o tempo, incluir atividades físicas e lazer, ou práticas integrativas como yoga e meditação. O equilíbrio é a chave — não negligenciar o autocuidado enquanto se cuida de outros e do trabalho. Isso se conecta diretamente às relações sociais: para idosos frequentemente afastados da família, participar de grupos de terceira idade e manter conexões com amigos é vital. A solidão pode ser tão prejudicial à longevidade quanto o cigarro.

Fumar e consumir álcool em excesso aumentam o risco de morte em até 20%, frequentemente combinados com estresse, sono inadequado e má alimentação. Chehter observa que quem mantém bons hábitos dificilmente será fumante ou beberá excessivamente, mas ressalta que ajuda médica ou grupos como Alcoólicos Anônimos podem ser necessários. Quanto aos opioides, quando bem controlados podem ser benéficos, mas a questão é garantir aplicação correta. No Brasil, diferentemente dos EUA, opioides são reservados para casos graves como câncer, onde o risco de dependência é menor. O abuso de analgésicos mais fracos é mais comum no país.

Os dados finais são significativos: homens e mulheres que adotaram todos os oito hábitos aos 40 anos ganharam entre 23,7 e 22,6 anos de expectativa de vida. O efeito foi menor para quem começou aos 60 anos, mas ainda presente. Como se trata de um estudo observacional, é importante reconhecer que a relação pode não ser tão direta — outros fatores não contabilizados podem influenciar a expectativa de vida. Ainda assim, a mensagem é clara: nunca é tarde para começar, embora começar cedo potencialize os resultados.

O importante é buscar equilíbrio, não negligenciando o autocuidado em relação ao cuidado com os outros e com nossos empregos
— Natan Chehter, geriatra
Idosos podem, sim, se exercitar — assim como pessoas de todas as idades. O ideal mesmo é nunca parar
— Natan Chehter, geriatra
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que um estudo com veteranos de guerra especificamente? Há algo único nessa população?

Model

Provavelmente porque veteranos têm registros médicos muito bem documentados e acompanhamento sistemático ao longo dos anos. Isso facilita rastrear quem morreu, quando e por quê. É uma população grande e com dados confiáveis.

Inventor

E esse número de 24 anos — é realista? Parece muito.

Model

É o ganho máximo quando você adota todos os oito hábitos aos 40 anos. Se você já fuma, bebe demais e não se exercita, o impacto é maior. Mas sim, é um número agregado. Começar aos 60 dá menos ganho, mas ainda significativo.

Inventor

O estudo menciona que opioides foram um fator importante. Por que isso importa tanto?

Model

Nos EUA, opioides são prescritos rotineiramente para dor. O abuso é epidêmico lá. Combinado com sedentarismo, virou um dos maiores preditores de morte precoce. No Brasil não é tão grave porque temos menos acesso.

Inventor

Então se eu começar aos 60, não vale a pena?

Model

Vale, sim. O efeito é menor, mas ainda está presente. O médico deixa claro que nunca é tarde. Mas a mensagem subjacente é: quanto mais cedo você começa, melhor. Aos 40 você ganha 24 anos. Aos 60, menos. Aos 70, ainda menos.

Inventor

A solidão ser tão prejudicial quanto o cigarro — isso é surpreendente?

Model

Para quem estuda longevidade, não. Relações sociais afetam tudo: sistema imunológico, pressão arterial, até comportamentos de risco. Um idoso isolado tende a negligenciar outros hábitos também.

Inventor

E se alguém não conseguir fazer todos os oito?

Model

O médico não diz que você precisa de todos. Mas quanto mais você faz, melhor. A ideia é equilíbrio — um pouco de atenção a cada aspecto da vida, não perfeição em um só.

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