Custos que beiram o absurdo não deixam espaço para lucro
Em Porto Alegre, a Lojas Colombo encerra sua presença no Iguatemi e no Praia de Belas após um impasse sobre custos que a rede descreveu como insustentáveis — um gesto que vai além de uma simples mudança de endereço. Ao anunciar datas para novas aberturas fora dos shoppings, a empresa sinaliza que o modelo dominante do varejo organizado está sendo silenciosamente questionado por quem o sustentou por décadas. É um momento em que a viabilidade econômica força escolhas que redesenham a geografia do comércio urbano.
- A Colombo rompeu com dois dos shoppings mais relevantes de Porto Alegre após classificar as taxas cobradas como 'impraticáveis' e próximas do absurdo — uma crítica rara e direta ao modelo dos centros comerciais.
- A saída não foi uma retirada silenciosa: a rede tornou público seu descontentamento, transformando uma disputa contratual em um debate sobre a sustentabilidade do varejo tradicional.
- Com novos endereços já definidos e datas de reabertura anunciadas, a Colombo demonstra que o movimento foi planejado — não uma fuga, mas um reposicionamento calculado.
- O setor observa com atenção: se uma rede consolidada considera inviável operar nos principais shoppings da cidade, outras podem estar fazendo as mesmas contas em silêncio.
A Lojas Colombo chegou a um ponto de ruptura com os shoppings centers de Porto Alegre. Após meses de tensão em torno de custos operacionais que a rede descrevia como insustentáveis, a empresa anunciou sua saída do Iguatemi e do Praia de Belas — dois dos maiores centros comerciais da cidade. As críticas foram diretas: as taxas cobradas pelos shoppings beiravam o absurdo e tornavam a operação economicamente inviável.
A decisão, porém, não foi apenas uma retirada. A Colombo buscou alternativas e encontrou novos endereços em Porto Alegre onde poderia operar com uma estrutura de custos mais equilibrada. O anúncio das datas de reabertura das novas unidades confirmou que a empresa apostava em manter sua presença na cidade — só que em outros termos.
O movimento carrega um significado mais amplo para o varejo gaúcho. Quando uma rede estabelecida decide que é mais prudente abandonar shoppings de primeira linha do que continuar arcando com suas exigências financeiras, o modelo tradicional começa a ser questionado em voz alta. A Colombo está testando se sua marca resiste fora do ambiente dos centros comerciais — e o resultado desse teste pode influenciar decisões de outras redes que observam o cenário com atenção crescente.
A Lojas Colombo tomou uma decisão que sinalizava frustração crescente com o modelo de negócio dos shoppings centers tradicionais. Depois de meses de tensão, a rede anunciou sua saída de dois dos maiores centros comerciais de Porto Alegre — o Iguatemi e o Praia de Belas — e agora já tem datas marcadas para reabrir em novos endereços.
O conflito que levou a essa mudança girava em torno de custos operacionais que a Colombo considerava insustentáveis. A rede foi explícita em suas críticas, descrevendo as taxas cobradas pelos shoppings como "impraticáveis" e afirmando que chegavam a "beirar o absurdo". Não era apenas uma negociação de rotina entre lojista e administrador de centro comercial — era uma questão fundamental sobre viabilidade econômica.
Essa disputa reflete uma tensão mais ampla no varejo tradicional. Os shoppings centers, que por décadas foram o modelo dominante para o comércio de rua, enfrentam pressão crescente de seus inquilinos. Varejistas como a Colombo estão questionando se os custos justificam a permanência nesses espaços, especialmente em um ambiente econômico mais desafiador.
A decisão da Colombo de sair não foi impulsiva. A rede buscou alternativas e encontrou novos locais em Porto Alegre onde poderia operar com uma estrutura de custos mais viável. O anúncio das datas de reabertura representa o próximo passo dessa estratégia de reposicionamento — um movimento que sinala que a empresa está confiante em sua capacidade de manter presença na cidade fora do ambiente dos shoppings.
O que torna esse movimento significativo é o que ele diz sobre o futuro do varejo em Porto Alegre. Quando uma rede estabelecida como a Colombo decide que é mais prudente sair de shoppings de primeira linha do que continuar pagando as taxas exigidas, isso sugere que o modelo tradicional está sendo reavaliado. Outras redes podem estar observando esse movimento com atenção, considerando se suas próprias operações em shoppings ainda fazem sentido financeiro.
A Colombo, ao anunciar as datas de abertura das novas unidades, está apostando que conseguirá manter sua base de clientes mesmo fora do ambiente dos shoppings. É um teste de força para a marca e uma indicação de que o varejo em Porto Alegre está em transição — menos dependente dos centros comerciais tradicionais e mais disperso pela cidade.
Citações Notáveis
Custos impraticáveis que beiram o absurdo— Lojas Colombo, sobre as taxas dos shoppings
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que a Colombo decidiu que era melhor sair dos shoppings do que negociar as taxas?
Porque em algum ponto, negociar deixa de fazer sentido. A rede estava pagando custos que ela considerava absurdos — não havia margem para continuar naquele modelo.
Mas sair de um shopping como o Iguatemi é arriscar perder visibilidade e fluxo de clientes.
É verdade. Mas se o custo de estar lá consome toda a margem de lucro, a visibilidade não vale nada. Às vezes é melhor estar em um lugar menos nobre mas ser lucrativo.
Isso significa que os shoppings estão cobrando demais?
Ou significa que o modelo dos shoppings não funciona mais para varejistas com essas margens. Os centros comerciais foram construídos para uma economia diferente.
E se a Colombo não conseguir atrair clientes nos novos endereços?
Então a aposta falha. Mas a rede acreditou que seus clientes a seguem — que a marca é forte o suficiente para funcionar fora do shopping.
Outras lojas vão fazer o mesmo?
Provavelmente. Quando uma rede estabelecida sai, outras começam a fazer contas. Se a Colombo conseguir, por que não elas?