Ele se tornou referência da mesclagem entre emoção e experimentação
Lô Borges, um dos fundadores do Clube da Esquina e figura central na renovação da música popular brasileira, morreu aos 73 anos em Belo Horizonte. Ao lado de Milton Nascimento, Beto Guedes e Toninho Horta, ele ajudou a construir uma linguagem musical que fundia rock, samba, jazz e psicodelia sem abrir mão da alma brasileira. Sua obra atravessou mais de cinco décadas e continua a inspirar gerações de artistas que encontram nela a prova de que emoção e experimentação não são caminhos opostos.
- A morte de Lô Borges aos 73 anos encerra uma das trajetórias mais inventivas da MPB, deixando um silêncio imenso onde havia décadas de sons inéditos.
- O álbum 'Clube da Esquina' de 1972, gravado com Milton Nascimento, permanece como um dos marcos mais perturbadores e belos da música brasileira — uma obra que ainda desafia quem a escuta pela primeira vez.
- Nos últimos seis anos, Lô lançou sete álbuns em colaboração com artistas distintos, revelando um músico que recusava o repouso e continuava em diálogo permanente com o presente.
- Seu legado ressoa em artistas de gerações muito diferentes — de Flávio Venturini ao Terno Rei —, confirmando que o que nasceu numa esquina de Belo Horizonte ainda não terminou de se expandir.
Lô Borges morreu aos 73 anos deixando mais de cinco décadas de música que redefiniu o que a MPB podia ser. Cantor, compositor, instrumentista e produtor, ele foi um dos fundadores do Clube da Esquina — o grupo de artistas mineiros que se encontrava nas ruas Divinópolis e Paraisópolis, no bairro Santa Tereza, em Belo Horizonte, para compor e ouvir música juntos. O que nasceu dali foi revolucionário: uma fusão de rock, samba, jazz e psicodelia dos Beatles, profundamente enraizada na cultura brasileira.
A parceria com Milton Nascimento rendeu, em 1972, o álbum 'Clube da Esquina', com clássicos como 'O Trem Azul' e 'Um Girassol da cor do seu cabelo'. Dois anos antes, Lô já havia composto 'Para Lennon e McCartney' com seu irmão Marcio Borges e Fernando Brant — canção que Milton eternizou. Após um período de afastamento e vida hippie, ele voltou em 1978 para 'Clube da Esquina 2' e, no ano seguinte, lançou 'A Via Láctea', seu segundo álbum solo.
Nos últimos seis anos de vida, entre 2019 e 2025, Lô lançou sete álbuns em colaboração com artistas como Zeca Baleiro, Marcio Borges e Nando Reis — uma produtividade tardia que revelava um músico sempre em busca de novas sonoridades. Seu legado inspira artistas de gerações muito diferentes e permanece como referência essencial da mesclagem entre emoção e experimentação na música brasileira.
Lô Borges morreu aos 73 anos deixando para trás mais de cinco décadas de trabalho que redefiniu o que a música brasileira podia ser. Mineiro de Belo Horizonte, ele foi cantor, compositor, instrumentista e produtor — um artista completo cuja influência atravessou gerações e continua viva em músicos que nem sequer nasceram quando ele começou.
No coração de sua obra está o Clube da Esquina, o grupo de artistas mineiros que transformou a cena musical brasileira nos anos 70. Lô foi um dos fundadores, ao lado de Milton Nascimento, Beto Guedes e Toninho Horta. Eles se encontravam nas ruas Divinópolis e Paraisópolis, no bairro Santa Tereza, em Belo Horizonte, para conversar, ouvir música e compor juntos. O nome do grupo veio exatamente desse lugar — a esquina onde tudo acontecia. O que saiu dali foi revolucionário: uma mistura de rock, samba e jazz temperada pela psicodelia dos Beatles, mas profundamente brasileira nas letras e nos acordes.
A parceria entre Lô e Milton Nascimento se tornou um dos marcos mais importantes da história musical do país. Em 1972, lançaram o álbum "Clube da Esquina", que incluía canções que viraram clássicos: "O Trem Azul", "Um Girassol da cor do seu cabelo" e "Trem de Doido". Dois anos antes, Lô havia composto "Para Lennon e McCartney" junto com seu irmão Marcio Borges e Fernando Brant — uma música que Milton eternizou com sua voz inconfundível.
Em 1972, Lô lançou seu primeiro álbum solo, que ficou conhecido popularmente como "O disco do tênis" por causa da imagem da capa. Depois disso, ele se afastou da carreira por alguns anos, vivendo um estilo de vida hippie. Voltou em 1978 para participar de "Clube da Esquina 2" e, no ano seguinte, lançou seu segundo álbum solo, "A Via Láctea", com faixas como "Vento de maio" e "Nau sem rumo". Continuou gravando e fazendo parcerias memoráveis, como "Dois Rios" com Nando Reis e o grupo Skank.
Nos últimos seis anos de vida, entre 2019 e 2025, Lô lançou sete álbuns — cada um deles uma colaboração com um grande artista: Nelson Angelo, Makely Ka, Marcio Borges, Patricia Maês, César Maurício, Manuela Costa e Zeca Baleiro. Essa produtividade tardia mostra um músico que nunca parou de buscar novas sonoridades e novas vozes com as quais dialogar.
Mas o legado de Lô vai muito além dos números. Ele se tornou uma das principais referências da mesclagem entre emoção e experimentação na música brasileira. Sua obra inspirou artistas de diferentes gerações — de Flávio Venturini à banda Terno Rei. O que ele fez nos anos 70 abriu portas que continuam abertas. Deixa uma coleção de clássicos da MPB e uma carreira tão brilhante quanto a cor de um girassol, a flor que deu origem a um de seus maiores sucessos.
Notable Quotes
Símbolo de liberdade criativa, Lô Borges traçou uma carreira cuja influência atravessa gerações há décadas— Descrição de seu legado
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que o Clube da Esquina foi tão importante? Havia outros grupos fazendo coisas parecidas na época?
O Clube da Esquina não era só um grupo — era um espaço de liberdade criativa em um momento em que a música brasileira estava se abrindo. Havia experimentação acontecendo em outros lugares, mas a mistura que eles fizeram de rock, samba, jazz e psicodelia, tudo isso com raízes profundamente brasileiras, foi singular. E o fato de ser em Minas Gerais, não no Rio ou em São Paulo, também importava.
Lô se afastou da música por alguns anos. O que o levou a fazer isso?
Ele viveu um estilo de vida hippie. Acho que era coerente com o espírito da época — aquela busca por liberdade, por sair do sistema. Mas ele voltou. Artistas assim não conseguem ficar longe da música por muito tempo.
E esses sete álbuns que ele lançou nos últimos anos — isso é comum em um músico dessa idade?
Não é comum. Mostra que ele continuava curioso, continuava querendo colaborar, continuava tendo coisas a dizer. Cada um desses álbuns era uma conversa com outro artista. Não era nostalgia, era trabalho vivo.
Como você explicaria a influência dele em artistas mais jovens?
Ele mostrou que era possível ser experimental sem deixar de ser brasileiro, ser emocional sem ser piegas, misturar referências internacionais sem perder a identidade. Isso é uma lição que nunca envelhece.
"Um Girassol da cor do seu cabelo" — por que essa música em particular ficou tão na memória das pessoas?
Porque ela tem tudo: melodia linda, letra poética, harmonia sofisticada. É simples e complexa ao mesmo tempo. É o tipo de música que você pode ouvir aos 15 anos e aos 50 e descobrir coisas novas nela.