As construtoras dispararam enquanto o petróleo caía
Num dia em que a diplomacia entre Washington e Teerão lançou uma sombra de esperança sobre os mercados, a bolsa de Lisboa respondeu com um avanço moderado mas significativo. O PSI encerrou a sessão de quinta-feira com um ganho de 0,76%, consolidando uma semana de recuperação que acumulou perto de 2%. A promessa de um acordo geopolítico não beneficia todos por igual — construtoras e bancos colheram os frutos, enquanto as energéticas pagaram o preço da queda do petróleo.
- Sinais de um acordo iminente entre os EUA e o Irão funcionaram como motor invisível da sessão, reanimando o apetite pelo risco nos mercados europeus.
- As construtoras Teixeira Duarte e Mota-Engil dispararam mais de 5%, liderando um índice em que 12 dos 16 títulos terminaram no verde.
- O BCP, peso pesado do PSI, subiu 3,62% e aproximou-se do euro por ação, amplificando o impacto positivo no índice nacional.
- O setor energético travou os ganhos mais amplos: a Galp caiu quase 3% e a EDP e EDPR também recuaram, pressionadas pela fraqueza do crude nos mercados internacionais.
- O mercado português fecha a semana com uma divisão clara — quem está exposto à conjuntura internacional ganhou; quem depende do petróleo perdeu.
A bolsa de Lisboa encerrou a semana em alta, acompanhando o otimismo que atravessava os mercados europeus. O catalisador foi a crescente expectativa de um acordo diplomático entre os Estados Unidos e o Irão, que reconfigurou os apetites dos investidores. O PSI ganhou 0,76%, fechando nos 9.093,82 pontos, numa segunda sessão consecutiva em terreno positivo e com ganhos semanais próximos dos 2%.
As construtoras foram as grandes protagonistas do dia. A Teixeira Duarte disparou 7,76% para 0,465 euros, e a Mota-Engil avançou 5,75% para 4,472 euros. Os CTT também se destacaram, com uma subida de 4,36%. Entre os pesos pesados, o BCP foi o principal impulsionador do índice, subindo 3,62% para 0,95 euros. As retalhistas Jerónimo Martins e Sonae registaram movimentos mais contidos, com ganhos abaixo de 1%.
O setor energético funcionou como travão. A Galp foi a maior deceção, caindo 2,77% para 19,12 euros, num contexto em que o petróleo recuava nos mercados internacionais. A EDP e a EDPR também encerraram no vermelho, refletindo a pressão do crude sobre o setor. A semana terminou com o mercado português a respirar melhor, mas com uma linha de divisão nítida entre os setores que beneficiam da distensão geopolítica e os que sofrem com a queda dos preços da energia.
A bolsa de Lisboa encerrou a semana em terreno positivo, acompanhando o otimismo que percorria os principais mercados europeus. O catalisador era simples mas poderoso: sinais crescentes de que um acordo entre os Estados Unidos e o Irão estava próximo de ser alcançado. Neste contexto, o PSI, o índice de referência nacional, ganhou 0,76%, fechando nos 9.093,82 pontos. Foi a segunda sessão consecutiva em alta, e ao longo de toda a semana o índice acumulou ganhos próximos dos 2%.
Dos 16 títulos que compõem o PSI, 12 terminaram o dia em verde. Mas nem todos contribuíram de forma igual. As construtoras foram as grandes protagonistas, beneficiando da sensibilidade que têm às dinâmicas internacionais. A Teixeira Duarte disparou 7,76%, atingindo os 0,465 euros por ação. A Mota-Engil não ficou muito atrás, com um ganho de 5,75% que a levou aos 4,472 euros. Os CTT também tiveram um desempenho notável, acelerando 4,36% para 5,99 euros.
Entre os pesos pesados do índice, o BCP foi o grande impulsionador. O banco subiu 3,62%, fechando nos 0,95 euros. Este ganho foi particularmente relevante dada a importância que o BCP tem na composição do PSI. As retalhistas, por seu lado, registaram movimentos mais contidos. A Jerónimo Martins avançou apenas 0,45% para 17,76 euros, enquanto a Sonae ganhou 0,51%, chegando aos 1,982 euros.
Nem tudo foi ganho, porém. O setor energético funcionou como um travão aos ganhos mais amplos do índice. A Galp foi a maior decepção do dia, caindo 2,77% para 19,12 euros, num contexto em que o petróleo recuava nos mercados internacionais. Dentro do grupo EDP, a empresa-mãe cedeu 0,33% para 4,467 euros, enquanto a EDPR recuou 0,73% para 13,73 euros. Estas quedas refletem a pressão que os preços do crude estão a exercer sobre o setor.
O que fica claro é que a perspetiva de uma resolução diplomática entre Washington e Teerão está a reconfigurar os apetites dos investidores. Os setores mais expostos à conjuntura internacional — como a construção — estão a ser recompensados. Ao mesmo tempo, a fraqueza do petróleo está a penalizar as energéticas. A semana terminou com o mercado português a respirar melhor, mas com uma divisão clara entre vencedores e vencidos.
Citas Notables
O índice subiu quase 2% ao longo de toda a semana— Dados do PSI
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Porque é que as construtoras subiram tanto quando o resto do mercado ganhou menos de 1%?
Porque estão muito expostas ao que acontece fora de Portugal. Um acordo entre EUA e Irão muda o cenário geopolítico global — menos tensão, mais confiança, mais investimento em infraestruturas. As construtoras sentem isso imediatamente.
E o BCP? Porque é que um banco sobe 3,62% num dia?
O BCP é o maior banco português e tem peso enorme no índice. Quando há otimismo global, os bancos ganham porque as pessoas e as empresas começam a pedir mais crédito. É um reflexo da confiança.
Mas as retalhistas quase não subiram. Porquê?
Porque não dependem tanto do que se passa lá fora. A Jerónimo Martins vende comida em Portugal e noutros sítios — é negócio mais local. Não beneficia tanto de um acordo geopolítico.
E a Galp caiu. Isso é mau para a economia portuguesa?
Não é mau para a economia, é mau para a Galp e para quem tem ações dela. A queda do petróleo é bom para as famílias e para muitas empresas — combustível mais barato. Mas a Galp ganha menos.
Então o mercado está a dizer que espera tempos melhores?
Está a dizer que espera tempos diferentes. Menos tensão geopolítica, mais investimento internacional, mais negócio para quem constrói. Mas também menos ganhos para quem vende petróleo. É um reposicionamento.