Lisa Cook defende política monetária do Fed em primeira declaração após demissão por Trump

Estamos em um momento em que os riscos para ambos os lados estão elevados
Cook reconhece a incerteza econômica enquanto aguarda decisão da Suprema Corte sobre sua permanência no Fed.

Em Washington, Lisa Cook — a primeira mulher negra a ocupar o cargo de governadora do Federal Reserve — voltou a falar publicamente após meses de silêncio forçado por uma tentativa inédita de demissão presidencial. Suas palavras, medidas e deliberadas, reafirmam um compromisso com a estabilidade dos preços num momento em que o próprio banco central está dividido sobre os rumos da economia americana. O caso dela, agora nas mãos da Suprema Corte, transcende uma disputa pessoal: é uma pergunta sobre até onde o poder executivo pode alcançar as instituições que a democracia construiu para serem independentes.

  • Cook quebrou um silêncio de meses para defender publicamente a política monetária do Fed, sinalizando que não recuará diante das pressões políticas que ameaçam seu cargo.
  • A batalha judicial com Trump — que a acusou de fraude hipotecária sem julgamento — transformou uma governadora do banco central no centro de um debate constitucional sobre independência institucional.
  • O Fed está mais dividido do que em anos: na última reunião, dois dirigentes votaram em sentidos opostos simultaneamente, algo que não ocorria desde 2019, revelando profunda incerteza sobre os efeitos das tarifas de Trump.
  • Sem dados governamentais atualizados — devido à paralisação do governo que se aproxima do recorde histórico — os dirigentes do Fed estão tomando decisões críticas quase às cegas.
  • A Suprema Corte decidirá em 2025 se um presidente pode demitir um governador do Fed, um veredicto que moldará o futuro da autonomia do banco central americano por décadas.

Lisa Cook, a primeira mulher negra a servir como governadora do Federal Reserve, rompeu seu silêncio público pela primeira vez desde que Donald Trump anunciou sua demissão em agosto. Em um evento em Washington, ela defendeu a política monetária atual, reafirmando seu compromisso com a meta de inflação de 2% e descrevendo as taxas de juros como "moderadamente restritivas" — uma posição que a coloca em desacordo com pressões por cortes mais agressivos dentro do próprio Fed.

O momento é carregado de tensão. Cook está no centro de uma batalha judicial sem precedentes: Trump tentou removê-la citando alegações de fraude hipotecária que nunca foram a julgamento, e ela processou o ex-presidente imediatamente. A Suprema Corte permitiu que ela permanecesse no cargo enquanto agenda argumentações orais para janeiro, quando decidirá o mérito da disputa — um caso que vai muito além de Cook, tocando na própria independência do banco central.

Sua reaparição ocorre num Fed profundamente dividido. Na reunião de taxas da semana anterior, o presidente Jerome Powell reconheceu "visões fortemente divergentes" entre os dirigentes. Dois deles votaram em sentidos opostos: Stephen Miran pediu um corte maior, enquanto Jeffrey Schmid preferiu manter as taxas — a primeira dissidência simultânea em direções opostas desde 2019. O debate reflete duas leituras irreconciliáveis: alguns temem o colapso do mercado de trabalho se o Fed não agir; outros alertam que a inflação, acima da meta há mais de quatro anos, ainda não foi domada.

Cook votou por reduções nas duas últimas reuniões, mas sua declaração mais recente foi equilibrada. "Estou comprometida em alcançar nossa meta de inflação de 2%", disse ela, acrescentando que vê as taxas atuais como apropriadas dado que a inflação ainda supera o objetivo. Ela também apontou sinais de tensão no mercado de trabalho, mas sugeriu que completar o trabalho sobre inflação é mais urgente do que cortar taxas preventivamente.

A tarefa do Fed ficou ainda mais difícil com a paralisação do governo, que suspendeu a divulgação de dados econômicos e deixa os dirigentes operando com visibilidade reduzida. "Estamos em um momento em que os riscos para ambos os lados do duplo mandato estão elevados", concluiu Cook. Enquanto isso, a Suprema Corte se prepara para uma decisão que estabelecerá precedentes duradouros sobre até onde o poder presidencial pode alcançar as instituições que foram desenhadas para ser independentes.

Lisa Cook, a primeira mulher negra a servir como governadora do Federal Reserve, quebrou seu silêncio público pela primeira vez desde que Donald Trump anunciou sua demissão em agosto. Em comentários preparados para um evento em Washington, ela defendeu a política monetária atual do banco central, reafirmando seu compromisso com a meta de inflação de 2% e descrevendo as taxas de juros presentes como "moderadamente restritivas" — uma posição que a coloca em desacordo com pressões crescentes dentro do Fed por cortes mais agressivos.

O timing das declarações de Cook é significativo. Ela está no meio de uma batalha judicial sem precedentes contra Trump, que tentou removê-la de seu cargo citando alegações de fraude hipotecária que nunca foram levadas a julgamento. Cook processou o ex-presidente imediatamente, transformando o caso em uma questão fundamental sobre o poder presidencial e a independência do banco central. A Suprema Corte permitiu que ela permanecesse em seu cargo enquanto o tribunal agenda argumentações orais para janeiro, quando decidirá o mérito da disputa.

Sua reaparição pública ocorre em um momento de profunda divisão dentro do Fed sobre como as políticas econômicas de Trump — particularmente suas tarifas agressivas — afetarão preços, emprego e crescimento. Na reunião de definição de taxas da semana anterior, o presidente Jerome Powell reconheceu "visões fortemente divergentes" entre os dirigentes. Dois deles registraram votos dissidentes por razões opostas: o governador Stephen Miran votou a favor de um corte maior de meio ponto percentual, enquanto Jeffrey Schmid, presidente do Fed de Kansas City, preferiu manter as taxas inalteradas. Foi a primeira vez desde 2019 que o Fed enfrentou dissidências simultâneas pedindo política monetária tanto mais frouxa quanto mais apertada.

O debate reflete duas visões irreconciliáveis sobre os riscos econômicos à frente. De um lado, vários dirigentes — muitos indicados por Trump — argumentam que qualquer inflação causada pelas tarifas será temporária e que o mercado de trabalho americano corre risco sério de colapso se o Fed não continuar reduzindo as taxas. Do outro lado, autoridades como Schmid apontam que a inflação permaneceu acima da meta de 2% por mais de quatro anos e que os riscos de uma alta mais persistente são maiores do que se reconhece. Em seu comunicado explicando sua dissidência, Schmid citou "preocupação generalizada sobre aumentos contínuos de custos e inflação" de pessoas em seu distrito, com custos de saúde e prêmios de seguros como principais preocupações.

Cook votou pela redução das taxas nas duas últimas reuniões do Fed, mas sua declaração mais recente não fez um apelo contundente por cortes adicionais. Em vez disso, ela ofereceu uma perspectiva equilibrada, apontando sinais de tensão no mercado de trabalho — incluindo aumento do desemprego entre negros — mas sugerindo que há mais urgência em completar o trabalho sobre inflação do que em reduzir as taxas para prevenir demissões em massa. "Deixe-me ser clara. Estou comprometida em alcançar nossa meta de inflação de 2%", disse ela. "Vejo a atual taxa de juros como moderadamente restritiva, o que é apropriado dado que a inflação permanece um pouco acima de nossa meta de 2%." Ela também expressou otimismo de que a inflação seguirá sua tendência em direção à meta de 2% assim que os efeitos das tarifas desaparecerem.

A tarefa de avaliar a economia tornou-se ainda mais difícil para o Fed devido à suspensão da divulgação de dados governamentais causada pela paralisação do governo, que se aproxima do recorde histórico de duração. Sem informações atualizadas sobre emprego, inflação e crescimento, os dirigentes do banco central estão operando com visibilidade reduzida em um momento de incerteza política e econômica significativa.

Cook encerrou suas observações reconhecendo a complexidade do momento. "Estamos em um momento em que os riscos para ambos os lados do duplo mandato estão elevados", disse ela, referindo-se aos objetivos gêmeos do Fed de preços estáveis e pleno emprego. "Todas as reuniões, incluindo a de dezembro, são reuniões ativas." Enquanto isso, a Suprema Corte se prepara para decidir em 2025 se Trump tem o poder de demiti-la — uma decisão que estabelecerá precedentes duradouros sobre a independência institucional do banco central.

Deixe-me ser clara. Estou comprometida em alcançar nossa meta de inflação de 2%. Vejo a atual taxa de juros como moderadamente restritiva, o que é apropriado dado que a inflação permanece um pouco acima de nossa meta de 2%.
— Lisa Cook, governadora do Federal Reserve
Os custos crescentes com saúde e prêmios de seguros são as principais preocupações
— Jeffrey Schmid, presidente do Fed de Kansas City, explicando sua dissidência
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que Cook escolheu falar agora, em meio a essa batalha legal?

Model

Porque o silêncio prolongado teria parecido uma capitulação. Os governadores do Fed têm a responsabilidade de comunicar suas visões sobre a economia ao público — é parte da transparência que sustenta a credibilidade da instituição. Ficar quieta enquanto Trump tentava removê-la teria enfraquecido sua posição.

Inventor

Mas suas declarações parecem moderadas, não combativas. Por que não atacar Trump diretamente?

Model

Porque Cook é uma autoridade monetária, não uma política. Se ela começasse a fazer declarações inflamadas, estaria confirmando exatamente o que Trump alega — que ela está agindo por motivos políticos em vez de econômicos. Sua força está em ser impecavelmente profissional.

Inventor

O Fed está realmente tão dividido assim?

Model

Mais do que em anos. Você tem dirigentes indicados por Trump argumentando por cortes agressivos, e outros dizendo que a inflação ainda é uma ameaça real. É uma divisão que reflete incerteza genuína sobre o que as tarifas farão à economia.

Inventor

E se as tarifas realmente causarem inflação duradoura?

Model

Então Cook estará certa em ser cautelosa. Mas se forem temporárias e o mercado de trabalho desabar, ela terá sido muito conservadora. Ninguém sabe. É por isso que ela diz que todas as reuniões são "ativas" — eles estão esperando para ver.

Inventor

Como a Suprema Corte pode resolver isso?

Model

Pode estabelecer que o presidente não pode demitir governadores do Fed por discordância política, ou pode dizer que pode. A primeira opção protege a independência do banco central. A segunda muda fundamentalmente o equilíbrio de poder em Washington.

Quieres la nota completa? Lee el original en CNN Brasil ↗
Contáctanos FAQ