Líderes mundiais apresentam compromissos climáticos na COP26; Costa ausente

Seis anos depois, era hora de prazos concretos
O Acordo de Paris completava seis anos e a COP26 exigia que os países transformassem promessas em metas mensuráveis.

Em Glasgow, no início de novembro de 2021, a comunidade internacional reuniu-se pela vigésima sexta vez sob a égide das Nações Unidas para transformar o Acordo de Paris em compromissos mensuráveis — prazos, financiamento e regras para um planeta que aquece. Entre os ausentes neste momento de prestação de contas coletiva, destacava-se António Costa, cujo silêncio deixou por responder uma pergunta que a história climática não costuma perdoar: onde estava Portugal quando os líderes colocaram as suas fichas na mesa?

  • Seis anos após Paris, a COP26 chegou com a urgência de quem sabe que as palavras já não bastam — era hora de datas, números e obrigações reais.
  • Dezenas de chefes de Estado subiram ao palco em Glasgow para anunciar planos de redução de emissões, numa cerimónia que reuniu desde Biden à chanceler alemã.
  • A ausência não explicada de António Costa — cujo nome constava da agenda — lançou uma sombra sobre o compromisso português com a agenda climática global.
  • O PÚBLICO tentou obter explicações junto do gabinete do primeiro-ministro antes e durante a abertura, sem obter qualquer resposta.
  • Com negociações previstas até 12 de novembro, Portugal ficou de fora do momento em que se definem regras para mercados de emissões e financiamento às nações mais vulneráveis.

Glasgow estava pronta para receber o mundo. No início de novembro de 2021, a cidade escocesa acolhia a 26.ª cimeira climática da ONU — um encontro carregado de expectativa e urgência. Seis anos depois do Acordo de Paris, era finalmente hora de passar das promessas aos números: prazos concretos, metas ambiciosas, transição real dos combustíveis fósseis para as energias renováveis.

Na segunda e terça-feira, dezenas de líderes mundiais subiriam ao palco para anunciar os seus planos de redução de emissões. O Reino Unido e a Itália eram os anfitriões, e a lista de oradores incluía o presidente dos Estados Unidos, o primeiro-ministro da Índia e representantes da União Europeia. A agenda era clara: financiamento para as nações mais pobres se adaptarem às alterações climáticas, regras para o mercado de licenças de emissões e a transformação de promessas em obrigações mensuráveis.

Mas havia uma ausência que não passava despercebida. António Costa, primeiro-ministro português, não estava em Glasgow — apesar de o seu nome constar da agenda como orador previsto. O PÚBLICO tentou obter uma explicação junto do seu gabinete nos dias anteriores e no próprio dia da abertura. Nenhuma resposta chegou.

A questão ficou suspensa no ar: por que razão Portugal estava ausente de um momento que se pretendia decisivo para o futuro climático do planeta? Com as negociações marcadas para se prolongarem até 12 de novembro, o país permanecia sem representação no instante em que os líderes mundiais colocavam as suas fichas na mesa.

Glasgow estava pronta. No início de novembro de 2021, a cidade escocesa acolhia a 26.ª conferência climática das Nações Unidas — um encontro que chegava carregado de expectativa e, também, de urgência. Seis anos tinham passado desde que quase todos os países do mundo assinaram o Acordo de Paris, um compromisso para travar o aquecimento global. Agora era hora de passar das palavras aos números: prazos concretos, metas ambiciosas, transições reais de combustíveis fósseis para energias renováveis.

Na segunda e terça-feira, dezenas de chefes de Estado e de governo subiriam ao palco para anunciar como planeavam acelerar a redução de emissões nos seus territórios. O Reino Unido, em parceria com a Itália, era o anfitrião. O primeiro-ministro britânico daria as boas-vindas numa cerimónia de abertura ao meio-dia, e a lista de oradores incluía nomes de peso: o presidente dos Estados Unidos, o primeiro-ministro da Índia, a chanceler da Alemanha, representantes da União Europeia. Havia também espaço para apresentações científicas sobre o estado do clima global e sobre o que aconteceria se o mundo falhasse em manter o aumento da temperatura em 1,5 graus centígrados acima dos níveis pré-industriais.

Mas havia uma ausência notável. António Costa, o primeiro-ministro português, não estava em Glasgow. O seu nome tinha figurado na agenda do evento — estava previsto que falasse — mas não compareceu. O PÚBLICO tentou obter uma explicação junto do gabinete de Costa nos dias anteriores e novamente no dia da abertura. Nenhuma resposta chegou.

A questão pairava no ar: por que razão Portugal, um país europeu com responsabilidades climáticas e compromissos internacionais, estava ausente de um momento que se pretendia decisivo para o cumprimento do Acordo de Paris? A conferência tinha uma agenda clara. Além dos discursos de abertura, os países precisavam de chegar a acordo sobre financiamento para ajudar as nações mais pobres a adaptarem-se às mudanças climáticas. Precisavam de definir regras para o mercado de licenças de emissões poluentes. Precisavam de transformar promessas em obrigações mensuráveis.

A COP26 estava marcada para terminar a 12 de novembro. Duas semanas de negociações, de pressões, de tentativas de consenso. E Portugal, por razões que permaneciam inexplicadas, não estava presente no momento em que os líderes mundiais colocavam as suas fichas na mesa.

O primeiro-ministro português estava ausente da cimeira, apesar de a sua intervenção ter constado na agenda do evento
— PÚBLICO
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que é que a ausência de Costa importa? Portugal é um país pequeno no contexto global.

Model

Porque Portugal é membro da União Europeia e tem uma voz naquele bloco. Porque assinou o Acordo de Paris e tem metas de redução de emissões. Porque quando um líder não comparece a um evento deste calibre, levanta perguntas sobre prioridades.

Inventor

Mas talvez houvesse uma razão legítima — uma crise doméstica, uma questão de saúde?

Model

Talvez. Mas o gabinete de Costa não explicou. Quando um jornalista pergunta duas vezes e não obtém resposta, o silêncio torna-se parte da história.

Inventor

O que é que Costa teria dito se tivesse ido?

Model

Não sabemos. Mas a sua presença teria sido um sinal de que Portugal leva a sério o combate às alterações climáticas. A sua ausência é o sinal oposto.

Inventor

E os outros líderes — estavam todos lá?

Model

Os grandes nomes estavam: Estados Unidos, Índia, Alemanha, a União Europeia como bloco. A maioria dos países representados. Portugal era a exceção.

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