Sem calçadas, pedestres dividem espaço com carros e lama acumulada
No bairro Lageado, em Campo Grande, a ausência de asfalto na Rua Sílvio Selingardi transformou uma via comum em símbolo de abandono institucional. Dias após as chuvas, a lama persiste, isolando residências e impedindo o trânsito seguro de pedestres e veículos. O que poderia ser uma questão técnica de infraestrutura revela, em sua essência, a distância entre o poder público e a vida cotidiana de quem depende de ruas dignas para existir com mobilidade e saúde.
- Uma aposentada de 59 anos não consegue mais visitar o próprio filho por causa de uma rua que se transforma em pântano a cada chuva.
- Poças com coloração esverdeada sinalizam risco sanitário real — um alerta silencioso de que a negligência viária pode se converter em crise de saúde pública.
- Sem calçadas, pedestres disputam espaço com veículos dentro da própria lama, sem separação, sem segurança, sem alternativa.
- Pelo menos três residências ficam praticamente isoladas nessas condições, reduzindo a mobilidade dos moradores a quem tem carro — e excluindo os demais.
- A prefeitura foi acionada por e-mail, mas até o momento nenhum posicionamento foi dado sobre a infraestrutura viária esquecida.
Maria Silva da Costa, aposentada de 59 anos, perdeu o acesso ao filho. Não por distância, mas por lama. A Rua Sílvio Selingardi, no bairro Lageado, em Campo Grande, não tem asfalto — e nos dias que se seguem a qualquer chuva, transforma-se em um lamaçal espesso que torna o trânsito impossível tanto a pé quanto de moto.
As imagens enviadas à reportagem mostram uma via tomada por poças de água estagnada com coloração esverdeada, sinal de decomposição orgânica e risco de proliferação de mosquitos. Valetas profundas e sulcos abertos pelos veículos que tentam desviar dos piores trechos completam o cenário de abandono. Não há calçadas: pedestres e carros dividem o mesmo espaço de lama e incerteza.
O impacto vai além do incômodo. Pelo menos três residências ficam isoladas nessas condições, e sair a pé deixou de ser uma opção segura ou higiênica para seus moradores. O isolamento físico se desdobra em isolamento social — visitas à família, compras próximas, deslocamentos simples tornam-se obstáculos concretos. A reportagem entrou em contato com a prefeitura e aguarda resposta sobre quando — e se — essa rua voltará a ser parte da cidade.
Maria Silva da Costa, uma dona de casa aposentada de 59 anos, não consegue mais visitar o filho que mora no bairro Lageado. A razão é simples e frustrante: a Rua Sílvio Selingardi virou um lamaçal intransitável. Mesmo dias depois de uma chuva, a via permanece coberta de água parada, lama espessa e lodo que torna impossível passar de moto ou a pé.
A rua, completamente desprovida de asfalto, apresenta um cenário de abandono que vai muito além do incômodo. Fotos e vídeos enviados à reportagem mostram uma via transformada em um vasto pântano de terra úmida. Em vários pontos, grandes poças de água estagnada dominam a pista, com uma coloração esverdeada que acende alertas sobre riscos à saúde pública e a proliferação de mosquitos. O cenário é de negligência visível: valetas e sulcos profundos sulcam o terreno, formados pela passagem desesperada de veículos tentando desviar dos buracos maiores.
Os pedestres enfrentam uma situação particularmente precária. Sem calçadas estruturadas, eles dividem o espaço com os carros e com a lama acumulada nas margens da via. Não há separação entre o trânsito e o caminho a pé — tudo é uma mistura de lama, água e risco. Pelo menos três residências ficam praticamente isoladas nessas condições, deixando seus moradores com uma única opção viável: sair de carro. Caminhar se tornou perigoso e anti-higiênico.
A situação se estende por toda a extensão visível da rua, afetando a mobilidade e a qualidade de vida de quem reside ou precisa transitar pela via. O isolamento não é apenas físico — é também um isolamento da vida normal, da possibilidade de visitar família, de sair a pé para comprar algo próximo, de ter segurança básica ao se deslocar. A reportagem acionou a prefeitura por e-mail e aguarda um posicionamento sobre essa infraestrutura viária negligenciada.
Citações Notáveis
Não é possível passar de moto na rua, mesmo dias após chuva, porque a água empoça, vira lama e cria lodo— Maria Silva da Costa, moradora
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que uma rua fica nessa situação? É falta de dinheiro ou falta de prioridade?
Provavelmente as duas coisas. Uma rua sem asfalto em um bairro não é invisível — é uma escolha de onde investir recursos. Quando chove, a realidade fica impossível de ignorar.
E as pessoas que moram lá — como lidam com isso no dia a dia?
Ficam presas. Maria não consegue visitar o filho. Outras três casas estão praticamente isoladas. Você não sai a pé porque é perigoso e sujo. Virar carro é a única opção, se você tiver um.
Qual é o risco real aqui além do incômodo?
Aquela água esverdeada nas poças não é só suja — é um criadouro de mosquitos. Dengue, zika. E crianças brincando naquilo, pessoas com mobilidade reduzida sem conseguir sair. É saúde pública.
A prefeitura sabe disso?
Agora sabe. A reportagem mandou e-mail. A pergunta é se vai responder e o que vai fazer.