Keiko Fujimori rejeita recontagem e anuncia viagem ao exterior em meio à apuração

Apenas 18.832 votos separavam os dois candidatos
A margem de vitória de Fujimori era tão estreita que qualquer mudança na apuração final poderia alterar o resultado.

No Peru, uma das eleições presidenciais mais disputadas desde a redemocratização aproxima-se de seu desfecho com menos de 19 mil votos separando os dois candidatos — uma fratura quase simbólica num país que conhece bem as cicatrizes da instabilidade política. Enquanto a apuração caminha para seu fim, Keiko Fujimori rejeita a recontagem solicitada por seu rival e anuncia viagem ao exterior, e o governo interino reposiciona sua agenda para vigiar a ordem pública, consciente de que margens tão estreitas raramente encerram disputas — apenas as deslocam.

  • Com 98,59% das atas apuradas, apenas 18.832 votos separam Fujimori de Sánchez — uma diferença tão pequena que qualquer irregularidade poderia inverter o resultado.
  • A campanha de Sánchez exige recontagem total, mas Fujimori descarta o pedido como juridicamente infundado, aprofundando a tensão entre os dois campos.
  • O anúncio de viagem de Fujimori justamente no momento mais crítico da apuração alimenta suspeitas e aumenta o clima de desconfiança pública.
  • O presidente interino Balcázar encurta sua agenda europeia para permanecer em Lima e coordenar pessoalmente as forças de segurança diante do risco de protestos.
  • O governo sinaliza cautela: quer garantir o direito de manifestação, mas sem provocações — reconhecendo que a rua pode se tornar o próximo campo de disputa eleitoral.

Com 98,59% das atas apuradas, o Peru vivia seu momento eleitoral mais tenso em décadas. Keiko Fujimori, da Fuerza Popular, mantinha uma vantagem de apenas 18.832 votos sobre Roberto Sánchez, do Juntos por el Perú — uma diferença de pouco mais de um décimo de ponto percentual numa das disputas presidenciais mais acirradas desde o retorno da democracia ao país.

No domingo à tarde, Fujimori anunciou que deixaria o Peru nos dias seguintes para cumprir um compromisso familiar prometido à filha. O momento da viagem — justamente quando a apuração chegava ao seu desfecho — não passou despercebido. Ela também respondeu ao pedido de recontagem total apresentado pela campanha adversária, rejeitando-o com firmeza: "Falta-lhes ler a lei", disse, argumentando que a solicitação não encontrava amparo na legislação eleitoral peruana.

Do outro lado, o governo interino se reposicionava. José María Balcázar havia planejado uma viagem oficial à Europa para a semana seguinte, mas decidiu encurtá-la diante do risco de protestos ligados ao resultado. Ele permaneceria em Lima na segunda e na terça para acompanhar o desfecho da apuração e coordenar com a polícia e as Forças Armadas, partindo apenas na quarta para uma audiência com o papa Leão XIV — figura com décadas de história no Peru — e retornando logo em seguida.

Balcázar deixou clara a preocupação com a ordem pública, pedindo que as forças de segurança respeitassem as manifestações sem provocações nem uso desnecessário da força. A mensagem era de cautela: o governo sabia que uma margem tão estreita, somada à possível contestação do resultado, tinha potencial para levar multidões às ruas. A segurança eleitoral havia se convertido, também, em questão de segurança pública.

A contagem dos votos no Peru chegou a seu momento mais tenso. Com 98,59% das atas apuradas, Keiko Fujimori, candidata da direita pela Fuerza Popular, mantinha uma vantagem mínima sobre Roberto Sánchez, do Juntos por el Perú — apenas 18.832 votos separavam os dois, numa divisão de 50,052% contra 49,948% dos votos válidos. Era uma das disputas presidenciais mais acirradas desde o retorno da democracia ao país.

No domingo à tarde, enquanto a apuração seguia seu curso final, Fujimori anunciou que sairia do Peru nos dias seguintes. Segundo ela, tratava-se de um compromisso familiar que havia prometido à filha, e a ausência seria breve. O timing da viagem — justamente quando a contagem chegava ao seu desfecho — não passou despercebido.

A candidata também respondeu ao pedido de recontagem total dos votos que havia sido apresentado pela campanha de Sánchez. Fujimori rejeitou a solicitação, argumentando que ela não tinha amparo na legislação eleitoral peruana. "Falta-lhes ler a lei", disse a líder da Fuerza Popular, descartando a possibilidade de uma revisão completa.

Enquanto isso, o governo peruano se preparava para o que poderia vir. José María Balcázar, presidente interino, havia planejado uma viagem oficial à Europa de segunda a sexta-feira da semana seguinte. Mas diante da possibilidade de protestos ligados ao resultado eleitoral, ele decidiu encurtar a jornada. Balcázar permaneceria em Lima na segunda e na terça para acompanhar o desfecho da apuração e coordenar com as forças de segurança e as Forças Armadas. Apenas na quarta-feira sairia do país, para uma audiência com o papa Leão XIV — que havia sido missionário e bispo no Peru durante décadas — e retornaria logo em seguida.

O presidente interino deixou clara a preocupação com a ordem pública. Ele afirmou que era necessário instruir a polícia para respeitar as manifestações ao máximo, mas sem provocações nem uso desnecessário da força, caso elas ocorressem. A mensagem era de cautela: o governo reconhecia que a margem apertada e a possível contestação do resultado poderiam levar às ruas um número significativo de pessoas. A segurança eleitoral havia se tornado também uma questão de segurança pública.

Falta-lhes ler a lei
— Keiko Fujimori, sobre o pedido de recontagem
Precisamos instruir a polícia para que, ao máximo, se respeitem as manifestações, mas sem provocações nem uso desnecessário da força
— José María Balcázar, presidente interino do Peru
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que Fujimori anunciaria uma viagem justamente agora, quando a contagem está no seu momento mais crítico?

Model

É uma jogada de risco calculado. Ela está à frente, ainda que por pouco. Sair do país pode ser uma forma de demonstrar confiança no resultado, ou simplesmente de se afastar de um ambiente que pode ficar muito tenso nos próximos dias.

Inventor

E a rejeição da recontagem? Isso não alimenta a desconfiança?

Model

Ela tem razão técnica — a lei eleitoral peruana não prevê recontagem total. Mas quando você lidera por menos de 19 mil votos em milhões de sufragados, a legalidade da posição importa menos que a percepção. Sánchez vai dizer que ela se recusa porque tem medo.

Inventor

O presidente interino está realmente preocupado com protestos?

Model

Ele está sendo prudente. Não é paranoia — é história. O Peru tem tradição de mobilizações eleitorais intensas. Ele quer estar lá para coordenar, para mostrar que o governo está atento, que não vai deixar as coisas saírem do controle.

Inventor

Qual é o cenário mais provável agora?

Model

Fujimori vence por essa margem mínima, mas o resultado é contestado. Pode haver protestos, mas provavelmente controlados. O que ninguém sabe é se a margem vai se manter até o final da contagem — ainda faltam pouco mais de 1% das atas.

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