A margem de 18 mil votos em uma eleição de milhões
Keiko recuperou a liderança com 50,051% dos votos, separada de Sánchez por pouco mais de 18.300 votos, com 98,59% da apuração concluída. Sánchez solicitou invalidação de 400 mil votos do exterior por irregularidades, mas o pedido foi rejeitado pelas autoridades eleitorais peruanas.
- Keiko Fujimori com 50,051% dos votos, Sánchez com 49,949%
- Margem de 18.300 votos separando os dois candidatos
- 98,59% dos votos apurados até segunda-feira
- Sánchez solicitou invalidação de 400 mil votos do exterior, pedido rejeitado
Keiko Fujimori amplia sua vantagem para 18.300 votos na disputa presidencial peruana com 50,051% dos votos apurados, impulsionada por cédulas do exterior, enquanto Sánchez questiona a recontagem.
A contagem de votos da eleição presidencial peruana segue seu curso tenso nesta segunda-feira, com Keiko Fujimori ampliando sua vantagem sobre o candidato de esquerda Pedro Sánchez para pouco mais de 18.300 votos. A filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que representa a direita no pleito, alcançou 50,051% dos votos apurados, enquanto Sánchez permanece com 49,949%. Até o momento, 98,59% das cédulas foram contabilizadas pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais do Peru, a Onpe.
A recuperação da liderança por Keiko ocorreu na semana anterior, impulsionada especialmente pelos votos vindos do exterior. Esse fluxo de cédulas internacionais provou ser decisivo em uma disputa que se tornou uma das mais acirradas da história política peruana. Os resultados oficiais finais, porém, ainda podem demorar dias ou até semanas para serem anunciados, conforme alertaram as autoridades eleitorais do país.
Sánchez não aceitou passivamente o cenário desfavorável. Na semana passada, solicitou que aproximadamente 400 mil votos do exterior fossem invalidados, argumentando que houve irregularidades no transporte das cédulas. A autoridade eleitoral rejeitou o pedido. Nos últimos dias, apoiadores do candidato de esquerda realizaram marchas nas ruas de Lima contra a Onpe, respondendo aos apelos de Sánchez para "defender o voto do povo". As manifestações, que reuniram centenas de participantes, transcorreram de forma pacífica.
No fim de semana, Sánchez viajou para Cusco, região andina que constitui um de seus principais redutos eleitorais, onde se encontrou com apoiadores e expressou suas "suspeitas" sobre o processo de recontagem em andamento. Sua candidatura tem gerado preocupação entre investidores privados, particularmente porque conta com o apoio do ex-presidente de esquerda Pedro Castillo, condenado a 11 anos de prisão por tentar dissolver o Congresso e concentrar poderes presidenciais amplos no final de 2022.
Observadores internacionais, porém, ofereceram uma perspectiva diferente sobre o processo eleitoral. Missões de observação tanto da Organização dos Estados Americanos quanto da União Europeia concordaram, em entrevistas separadas à imprensa, que a votação do segundo turno, realizada em 7 de junho, ocorreu dentro dos padrões normais. Diante dos resultados extremamente próximos, ambas as missões instaram o país a aguardar pacientemente a conclusão da apuração oficial. O cenário permanece em aberto, com a margem de vitória de Keiko dependendo ainda da revisão de cédulas contestadas que a Onpe iniciou na quinta-feira anterior.
Citas Notables
Sánchez expressou ter suspeitas sobre a recontagem dos votos durante visita a Cusco— Pedro Sánchez, candidato de esquerda
Missões de observação da OEA e União Europeia concordaram que a votação ocorreu dentro da normalidade— Observadores eleitorais internacionais
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que os votos do exterior fizeram tanta diferença nesta eleição?
Porque a disputa estava tão apertada que qualquer fluxo de votos concentrado em um candidato muda o jogo. Keiko estava atrás, depois os votos internacionais chegaram e a colocaram na frente. Em uma margem de 18 mil votos, isso é tudo.
Sánchez pediu para invalidar 400 mil votos. Por que as autoridades rejeitaram?
Ele alegou irregularidades no transporte, mas a Onpe não viu evidência suficiente para anular um volume tão grande. Se tivessem feito isso, teriam reescrito a eleição inteira.
As marchas em Lima parecem um sinal de que algo está errado?
Não necessariamente. Sánchez está questionando o resultado porque está perdendo. É política. Mas as missões internacionais disseram que a votação foi normal, o que importa.
Quanto tempo até sabermos o resultado final?
Dias ou semanas, segundo as autoridades. Eles estão revisando cédulas contestadas agora. A Onpe já apurou 98,59%, então estamos perto, mas não há pressa em anunciar enquanto houver dúvidas.
Por que investidores estão preocupados com Sánchez?
Porque ele é de esquerda e tem o apoio de Pedro Castillo, que tentou um golpe. Isso assusta quem tem dinheiro em jogo. Keiko representa a continuidade da direita.