Junho Roxo amplia conscientização sobre lipedema e reforça importância da avaliação individualizada

Aproximadamente 8,8 milhões de mulheres brasileiras podem apresentar sintomas sugestivos de lipedema, afetando qualidade de vida com dor, sensibilidade e limitações funcionais.
Duas pacientes com aparência semelhante podem ter necessidades completamente diferentes
Avaliação individualizada é essencial para definir a estratégia terapêutica adequada em cada caso de lipedema.

Lipedema é condição crônica do tecido adiposo frequentemente confundida com obesidade ou linfedema, afetando principalmente mulheres com sintomas como dor, edema e hematomas frequentes. Diagnóstico deve ser clínico e realizado por profissional habilitado; avaliação individualizada é essencial pois pacientes com aparência semelhante podem ter necessidades terapêuticas completamente diferentes.

  • Lipedema afeta entre 10% e 18% das mulheres no mundo
  • No Brasil, estudo aponta prevalência de 12,3% entre mulheres adultas, totalizando aproximadamente 8,8 milhões
  • Diagnóstico é exclusivamente clínico e deve ser realizado por profissional habilitado
  • Tecnologias complementares devem estar associadas a objetivos clínicos específicos, não a protocolos padronizados

Junho marca mês de conscientização sobre lipedema, condição crônica que afeta entre 10% e 18% das mulheres. No Brasil, estudo aponta prevalência de 12,3% entre adultas, reforçando importância de diagnóstico clínico adequado e avaliação individualizada.

Junho é o mês em que a atenção se volta para o lipedema, uma condição crônica do tecido adiposo que permanece amplamente desconhecida e frequentemente confundida com obesidade ou linfedema. A mobilização conhecida como Junho Roxo busca mudar esse cenário, trazendo à tona uma realidade que afeta entre 10% e 18% das mulheres em todo o mundo — uma proporção que ganhou visibilidade quando reportagem do Fantástico, em março de 2025, trouxe o tema para a televisão brasileira.

No Brasil, os números são significativos. Um estudo publicado no Jornal Vascular Brasileiro estimou que 12,3% das mulheres adultas apresentam a condição, o que se traduz em aproximadamente 8,8 milhões de brasileiras que poderiam estar vivendo com sintomas sugestivos de lipedema. Embora esse levantamento tenha sido conduzido por questionário e não represente diagnóstico clínico, ele oferece uma dimensão clara da relevância do tema para a saúde pública do país. O problema é que muitas dessas mulheres nunca recebem um diagnóstico adequado, continuando a lidar com dor, sensibilidade ao toque, sensação de peso, edema e hematomas frequentes sem saber o que as afeta.

O lipedema se manifesta de forma característica: aumento desproporcional do tecido adiposo, particularmente nos quadris e pernas, e em alguns casos nos braços. O diagnóstico é exclusivamente clínico e deve ser realizado por profissional habilitado, alguém capaz de investigar e diferenciar a condição de outras que apresentam características semelhantes. A condição pode ser classificada conforme a distribuição corporal e as alterações morfológicas do tecido — nos estágios iniciais, a pele pode parecer lisa, mas em fases posteriores surgem irregularidades, nódulos, fibrose e dobras de tecido que limitam a funcionalidade.

Para Franciele Doneda, biomédica, esteticista e cosmetóloga que criou o método LIPEN e coordena a formação homônima, a chave está em reconhecer que cada paciente é única. "É necessário avaliar dor, edema, sensibilidade, fibrose, mobilidade do tecido e flacidez. Duas pacientes com aparência corporal semelhante podem apresentar necessidades completamente diferentes", afirma. Essa observação é fundamental porque revela um erro comum na prática clínica: a tendência de aplicar protocolos padronizados sem considerar a realidade individual de cada pessoa.

O arsenal terapêutico disponível é variado. Pressoterapia, fotobiomodulação, correntes analgésicas, ultrassom terapêutico, tecarterapia e ondas de choque podem funcionar como ferramentas complementares, desde que selecionadas com base em avaliação cuidadosa e habilitação profissional adequada. Mas aqui reside outro ponto crítico: a tecnologia não é um fim em si mesma. "A tecnologia precisa estar associada a um objetivo clínico e à leitura do tecido, não à repetição de um protocolo padronizado. Um recurso destinado ao conforto e ao manejo da dor tem uma função diferente daquele utilizado para trabalhar fibrose ou qualidade tecidual", explica Doneda. Os equipamentos, por mais sofisticados que sejam, não substituem o diagnóstico médico, o acompanhamento contínuo nem as outras medidas que integram um cuidado verdadeiramente multidisciplinar.

Em junho de 2026, a IBRAMED desenvolve pela segunda vez consecutiva uma campanha vinculada ao Junho Roxo, oferecendo conteúdos educativos, condições comerciais diferenciadas para tecnologias e acesso temporário de 30 dias ao curso LIPEN: Abordagem Avançada no Gerenciamento do Lipedema. A formação aborda fundamentos da condição, avaliação clínica, tipos, estágios, diferenciação de outras doenças e critérios para uso de recursos tecnológicos. Ao reunir conscientização, formação profissional e discussão técnica, a iniciativa tenta ampliar o acesso dos profissionais a informações sobre uma condição ainda amplamente subdiagnosticada. O avanço do conhecimento sobre lipedema pode levar a avaliações mais criteriosas, encaminhamentos apropriados e condutas que respeitem os limites de atuação de cada profissão — e, mais importante, que coloquem a mulher e suas necessidades reais no centro do cuidado.

É necessário avaliar dor, edema, sensibilidade, fibrose, mobilidade do tecido e flacidez. Duas pacientes com aparência corporal semelhante podem apresentar necessidades completamente diferentes
— Franciele Doneda, biomédica e criadora do método LIPEN
A tecnologia precisa estar associada a um objetivo clínico e à leitura do tecido, não à repetição de um protocolo padronizado
— Franciele Doneda
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que o lipedema é tão frequentemente confundido com obesidade?

Model

Porque ambos resultam em aumento de volume nos membros inferiores. Mas no lipedema, o ganho de peso não é proporcional — a gordura se acumula de forma muito específica, principalmente em quadris e pernas. Uma mulher pode estar com peso normal e ainda assim ter lipedema. O problema é que muitos profissionais não foram treinados para reconhecer essa diferença.

Inventor

Se o diagnóstico é clínico, por que tantas mulheres não recebem um?

Model

Porque o diagnóstico clínico exige tempo, atenção e conhecimento específico. Não há exame de sangue, não há imagem que confirme. É preciso conversar com a paciente, examinar o tecido, entender a história dela. Muitos consultórios não têm esse tempo ou esse treinamento.

Inventor

A tecnologia então é um vilão nessa história?

Model

Não é vilã, mas é frequentemente usada de forma errada. Um equipamento de ultrassom é excelente se você sabe exatamente por que está usando — se quer reduzir dor ou trabalhar fibrose. Mas se você usa porque é o protocolo da clínica, sem avaliar o que a paciente realmente precisa, aí sim vira um problema.

Inventor

Qual é a diferença entre duas pacientes com a mesma aparência?

Model

Uma pode ter dor intensa e edema, precisando de manejo da inflamação. A outra pode ter fibrose avançada e limitação de movimento. Ou uma pode estar no estágio inicial e a outra em fase avançada. A aparência engana. Por isso a avaliação individualizada não é um luxo — é essencial.

Inventor

O que muda quando um profissional recebe formação adequada?

Model

Muda tudo. Ele aprende a fazer perguntas certas, a examinar com atenção, a diferenciar lipedema de linfedema ou outras condições. E mais importante: aprende que cada mulher merece um plano de tratamento pensado para ela, não um protocolo genérico.

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