Juliana Paes admite preconceito e defende vacinação contra HPV em crianças

Aproximadamente 20 mulheres morrem diariamente no Brasil por câncer de colo do útero, doença prevenível por vacinação contra HPV.
Um câncer que tem tratamento e vacina continua matando
Juliana Paes reflete sobre a contradição de uma doença prevenível que mata vinte mulheres por dia no Brasil.

No coração de São Paulo, a atriz Juliana Paes assumiu publicamente uma contradição que muitos pais carregam em silêncio: o preconceito contra a vacinação infantil do HPV. Ao tornar-se embaixadora do Março Lilás 2026, ela transforma a própria hesitação em argumento — lembrando que vinte mulheres morrem por dia no Brasil por uma doença que a ciência já sabe prevenir. É o gesto antigo de quem aprendeu algo difícil e decide que o aprendizado não pode ficar só para si.

  • Vinte mulheres morrem diariamente no Brasil por câncer de colo do útero, uma doença prevenível — e esse número persiste mesmo com vacina disponível no SUS.
  • Juliana Paes revelou que ela mesma resistiu à vacinação do filho de onze anos, expondo o preconceito silencioso que ainda atrasa a imunização de crianças e adolescentes.
  • A campanha Março Lilás 2026 mobiliza influenciadoras de diferentes perfis para transformar um tema técnico em conversa acessível ao longo de todo o ano.
  • O debate é ampliado para incluir meninos e homens como agentes ativos da prevenção, já que o HPV não distingue gênero e está ligado a múltiplos tipos de câncer.
  • A estratégia aposta na honestidade de quem errou e corrigiu o rumo — não em autoridade médica distante — como caminho mais eficaz para mudar comportamentos.

Na Casa Lilás, em São Paulo, Juliana Paes subiu ao palco para admitir algo que a constrangia: ela tinha preconceito contra a vacina do HPV em crianças. Agora embaixadora do Março Lilás 2026 — campanha promovida pela MSD dedicada à conscientização sobre o câncer de colo do útero —, a atriz usou a própria mudança de postura como argumento central.

Quando o pediatra recomendou a vacina para seu filho Antônio, então com onze anos, sua reação foi de recusa instintiva. Mas o médico tinha razão: aquela é exatamente a faixa etária ideal, pois a resposta imunológica é mais eficaz antes do início da vida sexual. Seus dois filhos, Pedro e Antônio, já estão vacinados. E ela passou a defender que o debate inclua meninos e homens — o vírus não escolhe gênero e está associado a tumores de ânus, pênis, vulva e orofaringe, além do colo do útero.

A campanha vai além de um único rosto. Mari Krüger coordena um grupo de criadoras de conteúdo — entre elas Aline Campos, Thaila Ayala, Amanda Meirelles e Marcela McGowan — que abordarão vacinação, exames preventivos e saúde feminina ao longo de 2026, com linguagem próxima do cotidiano. Fernando Cerino, diretor de vacinas da MSD Brasil, reforçou o dado que ancora tudo: vinte mortes diárias por uma doença prevenível.

Paes não se apresentou como figura distante. Admitiu que, como qualquer mulher, deixa o autocuidado para depois. Foi exatamente essa honestidade — e não a celebridade — que a fez aceitar o convite. 'É inacreditável que um câncer que tem tratamento e vacina continue matando tantas mulheres', disse, transformando sua experiência pessoal em convite à responsabilidade coletiva.

Juliana Paes estava em São Paulo, na Casa Lilás, quando decidiu falar sem filtro sobre algo que a constrangia admitir: ela própria tinha preconceito contra a vacinação do HPV em crianças. Agora, como embaixadora da campanha Março Lilás 2026, a atriz usava o palco para contar como mudou de ideia — e por quê isso importa para milhões de brasileiras.

O evento, promovido pela biofarmacêutica MSD no Alto de Pinheiros, marcava oficialmente o mês dedicado à conscientização sobre o câncer de colo do útero, doença causada pelo HPV que mata cerca de vinte mulheres por dia no país. Quando jornalistas e profissionais de saúde a cercaram com perguntas, Paes foi direta: seus filhos Pedro, de quinze anos, e Antônio, de doze, já tinham recebido a vacina. Mas nem sempre tinha sido assim.

Aos onze anos de Antônio, ela levou o menino ao pediatra e ouviu a recomendação de vacinação contra o HPV. Sua reação foi imediata e visceral — "o quê?! Que absurdo, os meninos são muito novos, são crianças ainda". Ela reconhecia, naquele momento, que o preconceito estava nela mesma. O médico tinha razão: aquela era exatamente a idade correta. Quanto mais cedo a vacinação acontecia, antes do início da vida sexual, melhor a resposta imunológica do corpo. O vírus não escolhe gênero — responde por quase cem por cento dos casos de câncer de colo do útero e também se relaciona a tumores de ânus, pênis, vulva, vagina e orofaringe. Por isso, ela insistia, o debate precisava incluir meninos e homens como parte ativa da solução, não como espectadores.

Segundo o Ministério da Saúde, crianças e adolescentes entre nove e dezenove anos precisam de duas doses com intervalo de seis meses. Depois dos vinte, o protocolo exige três aplicações. Paes questionava por que esperar: "são pra vida toda. Então, por que não trazer isso pra mais cedo?". A campanha estruturou uma estratégia que ia além de um único rosto. Mari Krüger liderava um grupo de criadoras de conteúdo — Aline Campos, Nath Finanças, Thaila Ayala, Amanda Meirelles, Marcela McGowan e Camila Coutinho — que abordariam vacinação, exames de rotina e diálogo familiar sobre saúde feminina ao longo de todo o ano. A linguagem seria acessível, transformando um assunto técnico em conversa cotidiana.

Fernando Cerino, diretor de vacinas da MSD Brasil, colocava números na mesa: vinte mulheres morrem diariamente no Brasil por uma doença que poderia ser prevenida. Esse cenário podia mudar com vacinação em massa, exames preventivos e tratamento de lesões pré-cancerígenas. Paes, porém, não se apresentava como uma heroína distante. Ela admitia que, apesar de estar na televisão e ter visibilidade no Carnaval — onde brilhou como rainha de bateria da Unidos do Viradouro — tinha atribulações como qualquer mulher. Ficava sem tempo para se cuidar. Deixava coisas para depois. Quando recebeu o convite da campanha, perguntou a si mesma por quê. A resposta veio da relação de proximidade e honestidade que mantinha com quem a acompanhava. "É inacreditável que um câncer que tem tratamento e vacina continue matando e tirando a vida de tantas mulheres", disse. Ao falar de vacinação, exames e autocuidado, ela transformava a própria experiência em ponte para ampliar o debate nacional sobre prevenção e responsabilidade coletiva.

Os homens são parte da solução desse problema, porque eles também são parte da cadeia de transmissão
— Juliana Paes
Óbvio que o preconceito da vacinação estava em mim. Mas essa é a idade correta
— Juliana Paes, sobre a vacinação de seu filho aos onze anos
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que você acha que o preconceito dela contra a vacinação de meninos é tão importante para a história?

Model

Porque mostra que não é ignorância — é resistência que vem de dentro, até de quem tem acesso à informação. Se Juliana Paes, com toda visibilidade, enfrentou isso, imagina quantas mães enfrentam sozinhas.

Inventor

E por que incluir homens e meninos nessa conversa muda as coisas?

Model

Porque quebra a ilusão de que é um problema só de mulheres. O HPV circula entre pessoas. Se você vacina só um lado, o ciclo continua. É matemática de saúde pública.

Inventor

Ela menciona que fica sem tempo para se cuidar, apesar de famosa. Isso é relevante para a campanha?

Model

Muito. Porque humaniza a mensagem. Não é "você deveria fazer isso". É "eu também tenho dificuldade, mas aqui está por que vale a pena".

Inventor

A campanha usa influenciadoras digitais. Por que isso funciona melhor que um anúncio tradicional?

Model

Porque conversa é mais poderosa que pregação. Quando Mari Krüger ou Nath Finanças falam sobre vacinação, não é um órgão de saúde falando — é alguém que você segue, que parece real.

Inventor

Vinte mulheres morrem por dia. Por que esse número não é mais conhecido?

Model

Porque morte por câncer é silenciosa. Não é acidente, não é violência. É uma doença que a gente aprendeu a aceitar como inevitável. Mas não é.

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