Juiz negacionista ataca Ferro Rodrigues e enfrenta novo processo disciplinar

Ataque direto à honra e integridade pessoal do presidente da Assembleia da República, com sugestões de auto-agressão.
Um magistrado a incitar alguém ao suicídio transforma isto num crime público
Ferro Rodrigues alertou que as declarações do juiz constituem um crime que vai além de uma questão pessoal.

Um magistrado já suspenso por negacionismo voltou a desafiar os limites da função judicial ao publicar um vídeo com insultos graves e sugestões de auto-agressão dirigidos ao presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues. O ato, rapidamente removido do YouTube por violar políticas contra assédio, não passou despercebido às instituições: o Conselho Superior da Magistratura reconheceu que os novos factos constituem matéria disciplinar de relevo. O episódio levanta uma questão mais funda sobre onde termina a liberdade de expressão de um juiz e onde começa a erosão da confiança que a justiça exige.

  • Um juiz suspenso publicou um vídeo chamando 'pedófilo' ao presidente da Assembleia da República e sugerindo que ele deveria tirar a própria vida — palavras que o YouTube removeu por violarem as suas políticas de assédio.
  • Ferro Rodrigues não ficou em silêncio: enviou formalmente o vídeo ao Conselho Superior da Magistratura, alertando para o que considera um crime público e um ataque direto à sua honra.
  • O timing agrava tudo — Rui Fonseca e Castro já estava suspenso e sob processo disciplinar por posições negacionistas sobre a pandemia, vacinas e medidas de confinamento, num caso ainda por concluir.
  • O CSM respondeu com rapidez, sinalizando que os novos factos serão integrados no processo em curso ou darão origem a um novo — a instituição já havia classificado a conduta do juiz como incompatível com o prestígio da magistratura.
  • O que começou como negacionismo pandémico transformou-se numa crise de conduta mais ampla, colocando em causa os limites do que um magistrado pode dizer publicamente, mesmo fora do tribunal.

Um juiz suspenso por negacionismo, Rui Fonseca e Castro, publicou no YouTube um vídeo em que insulta gravemente Eduardo Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República, usando o termo 'pedófilo' e sugerindo que deveria tirar a própria vida. A plataforma removeu o vídeo por violar as suas políticas contra assédio e bullying, mas não antes de Ferro Rodrigues tomar conhecimento do conteúdo e decidir agir formalmente.

O presidente da Assembleia da República enviou o vídeo ao Conselho Superior da Magistratura, através do seu presidente e do presidente do Supremo Tribunal de Justiça, classificando as declarações como um crime público e um ataque à sua honra pessoal que merecia investigação pelas autoridades competentes.

O momento é particularmente delicado para o magistrado, colocado no Tribunal de Odemira. Fonseca e Castro já se encontrava suspenso de funções pelo CSM devido a posições negacionistas sobre a pandemia: defendera publicamente que as máscaras eram prejudiciais à saúde, apelara ao incumprimento do confinamento e lançara suspeitas sobre as vacinas. O inspetor do inquérito concluíra que o juiz não agira com a reserva e sobriedade inerentes à magistratura, e que incitara os cidadãos ao incumprimento das regras do estado de emergência.

O CSM reagiu com celeridade ao novo episódio, declarando que os factos evidenciam matéria disciplinar a considerar no processo em curso ou num novo processo. A instituição já havia caracterizado as posições anteriores do magistrado como sustentadas em teorias de conspiração e incompatíveis com o prestígio da função judicial.

Fonseca e Castro tem um percurso marcado por ativismo público — pertenceu ao grupo 'juristas pela verdade' e mantém uma página no Facebook chamada Habeas Corpus. Com este novo vídeo, o juiz aprofunda a sua vulnerabilidade disciplinar e transforma o que era um caso de negacionismo numa questão mais ampla sobre os limites do que um magistrado pode dizer, mesmo quando fala fora do tribunal.

Um juiz suspenso por negacionismo publicou um vídeo no YouTube em que insulta gravemente o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, chamando-lhe "pedófilo" e sugerindo que deveria tirar a própria vida. O vídeo de Rui Fonseca e Castro foi removido pela plataforma por violar políticas contra assédio e bullying, mas não antes de Ferro Rodrigues tomar conhecimento do seu conteúdo e decidir agir.

Ferro Rodrigues enviou formalmente o vídeo ao Conselho Superior da Magistratura, através do seu presidente e do presidente do Supremo Tribunal de Justiça, sublinhando a gravidade das declarações e alertando para o facto de constituírem, na sua perspetiva, um crime público. O comunicado do presidente da Assembleia da República foi claro: tratava-se de um ataque à sua honra que merecia ser investigado pelas autoridades competentes.

O timing desta publicação é particularmente delicado porque Rui Fonseca e Castro já se encontrava sob escrutínio disciplinar. O magistrado, colocado no Tribunal de Odemira, tinha sido suspenso de funções pelo Conselho Superior da Magistratura por causa de posições negacionistas sobre a pandemia de covid-19. Tinha manifestado publicamente que o uso de máscaras era prejudicial à saúde, apelado ao incumprimento das medidas de confinamento e lançado suspeitas sobre a segurança das vacinas e os propósitos das campanhas de vacinação. O processo disciplinar decorrente dessas posições ainda não tinha sido concluído.

O Conselho Superior da Magistratura respondeu rapidamente, informando que os "novos factos evidenciam matéria disciplinar a ter em conta no processo disciplinar em curso ou num novo processo". A instituição tinha já considerado que a conduta do juiz se mostrava "prejudicial e incompatível com o prestígio e a dignidade da função judicial". Na decisão anterior, o órgão de gestão e disciplina dos juízes tinha aberto um processo disciplinar formal e aplicado uma suspensão preventiva de funções.

O inspetor do inquérito tinha sido contundente no seu relatório: Fonseca e Castro não tinha agido "com a reserva, prudência, sobriedade e prestígio especialmente inerentes às funções dos magistrados judiciais". As suas posições afetavam negativamente a imagem de respeito e consideração associada à magistratura e à administração da justiça. O magistrado sabia, segundo o relatório, que estava a incitar os cidadãos ao incumprimento das regras do estado de emergência, ameaçando com isso a saúde pública.

Rui Fonseca e Castro tem um percurso marcado por ativismo fora do tribunal. Exerceu advocacia antes de reentrar para a magistratura, pertenceu ao grupo "juristas pela verdade" e agora manifesta as suas opiniões numa página de Facebook denominada Habeas Corpus. O Conselho Superior da Magistratura tinha já caracterizado as suas posições negacionistas como "sustentadas em teorias de conspiração".

Com este novo vídeo, o juiz coloca-se numa posição ainda mais vulnerável. Não apenas continua sob investigação disciplinar por causa das suas posições sobre a pandemia, como agora enfrenta a possibilidade de um novo processo disciplinar decorrente do ataque direto a uma figura de Estado. O que começou como um caso de negacionismo durante a pandemia transformou-se numa questão mais ampla sobre a conduta apropriada de um magistrado e os limites do que é aceitável que um juiz diga publicamente, mesmo fora do tribunal.

As posições do juiz mostram-se prejudiciais e incompatíveis com o prestígio e a dignidade da função judicial
— Conselho Superior da Magistratura
O vídeo é atentatório da honra e constitui um crime público
— Eduardo Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Como é que um juiz suspenso consegue publicar vídeos no YouTube? Não deveria estar impedido de se expressar publicamente?

Model

A suspensão de funções significa que não pode exercer como juiz, mas não o priva dos direitos de cidadão. O problema é que o que ele diz em público afeta a credibilidade da magistratura inteira.

Inventor

Mas então o vídeo anterior, sobre máscaras e vacinas, já não tinha sido suficiente para uma ação mais severa?

Model

Tinha. Havia um processo disciplinar em curso. Mas ele continuou, e agora fez algo ainda mais grave — atacou pessoalmente o presidente da Assembleia da República.

Inventor

Porque é que Ferro Rodrigues decidiu enviar isto ao Conselho Superior da Magistratura em vez de ignorar?

Model

Porque não pode ignorar. Se o presidente da Assembleia da República deixasse passar um ataque destes, estaria a estabelecer um precedente perigoso. Além disso, as sugestões de auto-agressão transformam isto num crime público.

Inventor

O que significa exatamente "crime público"?

Model

Significa que não é apenas uma questão entre duas pessoas. É um crime que qualquer cidadão pode denunciar porque afeta a ordem pública. Neste caso, um magistrado a incitar alguém ao suicídio.

Inventor

E agora? O que acontece ao juiz?

Model

Enfrenta um novo processo disciplinar, provavelmente. O Conselho Superior da Magistratura já disse que isto é matéria disciplinar grave. Pode resultar em demissão ou em sanções ainda mais severas.

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