De brigadeiros escolares a confeitaria milionária: a trajetória de Júlia Cherem em Florianópolis

Ela nunca teve vergonha de vender. Essa postura simples permitiu transformar um hobby em identidade profissional.
Júlia enfrentou boatos no colégio, mas manteve confiança e transformou brigadeiros em marca milionária.

Em Florianópolis, o que começou como brigadeiros vendidos no intervalo escolar por uma adolescente de 15 anos tornou-se, ao longo de uma década, uma confeitaria com faturamento de quase R$ 1,9 milhão. Júlia Cherem não encontrou um atalho — encontrou consistência: ouviu o público, adaptou a marca, profissionalizou a estrutura e soube transformar cada aprendizado em estratégia. A história dela pertence a uma tradição antiga de ofícios que crescem quando quem os pratica recusa a vergonha de começar pequeno.

  • Uma adolescente que vendia doces no colégio enfrentou boatos e julgamentos, mas recusou a vergonha e transformou a resistência em identidade profissional.
  • A produção caseira chegou ao limite — madrugadas na cozinha, pedidos crescendo e uma grande encomenda que revelou o tamanho real da oportunidade.
  • A abertura de espaço próprio e, depois, de um café físico mais que dobrou o faturamento, transformando a loja em vitrine e porta de entrada para eventos e celebrações.
  • Vendas digitais, tráfego pago e datas sazonais como a Páscoa passaram a responder por 30% das encomendas, com uma semana chegando a R$ 120 mil sozinha.
  • Com projeção de superar R$ 2 milhões em 2025, Júlia planeja lançar um curso online para ajudar outros a se profissionalizarem sem repetir seus tropeços iniciais.

Aos 15 anos, Júlia Cherem vendia brigadeiros no intervalo das aulas em Florianópolis — não por necessidade, mas porque sabia fazer doces e percebeu que as pessoas queriam comprá-los. Com o dinheiro das primeiras vendas, comprou um celular novo. Ninguém imaginava que aquele hábito escolar se tornaria uma confeitaria com faturamento de quase R$ 1,9 milhão em 2024.

Os pedidos cresceram para datas especiais, mas vieram também os comentários desagradáveis — boatos de que ela vendia doces porque a família precisava de dinheiro. Não era verdade. O apoio das amigas e da família manteve sua confiança intacta, e ela nunca teve vergonha de vender. Essa postura simples foi decisiva: as pessoas passaram a falar no "docinho da Júlia", e quando chegou a hora de criar uma marca, ela usou o próprio nome — Júlia Cherem – Doces Momentos.

A cozinha de casa logo não comportou mais a demanda. Júlia produzia de madrugada, sem estrutura adequada, até que uma grande encomenda paga em dinheiro mostrou na prática o tamanho da oportunidade. O primeiro espaço próprio, no centro de Florianópolis, aumentou o faturamento em cerca de 50% e abriu caminho para casamentos, formaturas e eventos maiores.

A abertura do café em 2022 representou outro salto: o faturamento mais que dobrou. A loja física funcionou como vitrine — clientes que experimentavam no balcão voltavam com encomendas maiores. As vendas digitais também ganharam peso, respondendo por cerca de 30% das encomendas via site e iFood. Em uma semana de Páscoa de 2020, mesmo durante a pandemia, o faturamento chegou a R$ 120 mil; em 2025, o resultado da mesma data quase dobrou.

Para o futuro, Júlia planeja lançar um curso online de confeitaria voltado a iniciantes e a quem já faz doces em casa e quer se profissionalizar — reunindo receitas, organização financeira, marketing e gestão de clientes. A expansão para novas unidades existe como desejo, mas sem pressa: a prioridade é manter o padrão. O que a trajetória dela revela é que não houve viralização nem golpe de sorte — houve escuta, adaptação e a capacidade de transformar cada aprendizado em próximo passo.

Aos 15 anos, Júlia Cherem vendia brigadeiros no intervalo das aulas em Florianópolis. Não era um negócio planejado — era uma adolescente que sabia fazer doces, gostava de testar sabores e percebeu que as pessoas queriam comprar o que ela produzia. Com o dinheiro das primeiras vendas, conseguiu comprar um celular novo. Ninguém imaginava, naquele momento, que aquele hobby escolar se tornaria uma confeitaria que faturaria quase R$ 1,9 milhão em 2024.

Os brigadeiros escolares logo geraram pedidos para datas especiais — caixinhas com quatro ou seis docinhos, encomendas de Natal, presentes. Mas a exposição no colégio trouxe também comentários desagradáveis. Júlia ouviu boatos de que vendia doces porque seus pais precisavam de dinheiro. Não era verdade. O dinheiro ficava com ela. Numa adolescente em início de trajetória, isso poderia ter sido desestimulante. Não foi. O apoio das amigas, que a defendiam quando surgiam comentários, manteve sua confiança em pé. Ela nunca teve vergonha de vender. Essa postura simples — a recusa em se envergonhar — permitiu que os brigadeiros deixassem de ser uma renda pontual e se tornassem a base de uma identidade profissional. As pessoas começaram a falar em "docinho da Júlia". Quando chegou a hora de criar uma marca, ela decidiu usar o próprio nome: Júlia Cherem – Doces Momentos.

Antes de ter um espaço próprio, a produção caseira atingiu seus limites. Júlia produzia doces de madrugada, sem estrutura adequada, enquanto os pedidos cresciam. Um episódio marcante foi uma grande encomenda feita por um amigo do pai, paga em dinheiro, que a surpreendeu pelo valor movimentado. Aquele momento mostrou na prática o tamanho real da oportunidade. Doces personalizados e encomendas para eventos poderiam formar um negócio muito maior do que ela imaginava. A cozinha de casa não comportava mais a demanda. O primeiro espaço próprio ficava na rua José Boiteux, no centro de Florianópolis — uma cozinha de produção pequena com recepção para retirada de encomendas, sem área para consumo. Mesmo assim, a mudança representou um passo importante na profissionalização. O faturamento cresceu cerca de 50%. A partir dali, a marca entrou com mais força em casamentos, formaturas e encomendas maiores, que já não podiam ser feitas com segurança dentro de casa.

A abertura do café em 2022 marcou outro salto. O faturamento mais do que dobrou depois da loja física. O motivo não foi apenas a venda direta no balcão, mas o papel do espaço como vitrine para o trabalho da confeitaria. Clientes que experimentavam produtos no café passavam a fazer encomendas maiores. A loja deixou de ser apenas ponto de venda e passou a funcionar como porta de entrada para festas, eventos e celebrações. A marca manteve foco em bolos e doces personalizados, mas sem abandonar a origem nos brigadeiros. Júlia também buscava atualização constante — viajava para acompanhar tendências, renovava o cardápio com novidades a cada seis meses.

As vendas digitais passaram a ter participação relevante. Aproximadamente 30% das encomendas vinham pelo site ou pelo iFood. Tráfego pago e stories com link ajudaram a impulsionar os pedidos. As datas comemorativas também tinham papel expressivo. Em 2020, durante uma semana de Páscoa, Júlia faturou R$ 120 mil, mesmo no contexto da pandemia. Para 2025, o resultado da Páscoa foi quase o dobro. Em 2024, a confeitaria quase chegou a R$ 1,9 milhão. Para 2025, a estimativa era crescer 15% e ultrapassar R$ 2 milhões.

A trajetória da marca também deve avançar para educação. Júlia planejava lançar um curso online de confeitaria voltado a iniciantes e pessoas que já fazem doces em casa, mas querem se profissionalizar. A proposta incluiria receitas, organização financeira, produção, marketing e contato com clientes. O objetivo era ajudar outras pessoas a não passarem pelos mesmos desafios enfrentados por ela no começo. Esse movimento transforma a experiência prática da confeiteira em produto educacional. Quando um negócio ganha reputação, a história da fundadora, os processos e os aprendizados passam a ter valor próprio.

Sobre expansão, Júlia afirmou que existe vontade de abrir novas unidades, mas sem um plano específico de quantidade. A prioridade é manter o padrão do negócio. A trajetória dela mostra como um negócio pode nascer de uma habilidade simples, ganhar força com consistência e se profissionalizar sem apagar sua origem. Não houve viralização ou sorte — houve teste de produto, escuta do público, apoio próximo, adaptação de marca, presença digital, aproveitamento de datas sazonais e investimento em experiência de compra. A combinação entre produção artesanal e visão comercial foi o que permitiu transformar um hobby em negócio milionário. Ao mesmo tempo, a história mantém um ponto humano: uma adolescente que começou vendendo doces ouviu comentários, produziu em casa durante madrugadas e precisou mudar de estrutura conforme a demanda crescia. O mérito está menos no sacrifício e mais na capacidade de transformar aprendizado em estratégia.

O faturamento mais que dobrou depois da loja física aberta em 2022, porque o café funcionou como vitrine para o trabalho da confeitaria
— Júlia Cherem, em entrevista ao Economia SC
Quer expandir para novas unidades, mas sem um plano específico de quantidade; a prioridade é manter o padrão do negócio
— Júlia Cherem
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que você acha que Júlia não desistiu quando ouviu aqueles boatos no colégio?

Model

Porque ela nunca teve vergonha de vender. Isso é raro em uma adolescente. A maioria teria se retraído, teria deixado de levar os doces para a escola. Mas ela tinha amigas que a defendiam, e isso fez diferença.

Inventor

E a produção de madrugada — isso não é um sinal de que o negócio estava insustentável?

Model

Era insustentável, sim. Mas ela viu aquilo como um sinal de que precisava mudar de estrutura, não como razão para desistir. Quando recebeu aquela grande encomenda do amigo do pai, ela entendeu que havia mercado real ali.

Inventor

O café em 2022 foi um risco? Ela já tinha dinheiro acumulado?

Model

A fonte não diz isso explicitamente. Mas o fato de o faturamento ter mais que dobrado depois da loja sugere que foi uma decisão certa. O café funcionou como vitrine — as pessoas experimentavam, gostavam, e depois faziam encomendas maiores.

Inventor

E as vendas online — isso veio naturalmente ou foi uma estratégia deliberada?

Model

Parece ter sido deliberada. Ela usava tráfego pago, stories com link. Não era apenas estar no iFood. Havia pensamento comercial por trás. Mas também havia flexibilidade — ela se adaptava conforme via o que funcionava.

Inventor

O curso online que ela quer lançar — isso é um sinal de que ela já atingiu o teto de crescimento na confeitaria?

Model

Não necessariamente. É mais um sinal de que ela quer diversificar receita e também compartilhar o que aprendeu. Muitos empreendedores fazem isso quando ganham reputação. A história dela virou produto.

Inventor

Mas ela quer expandir para novas unidades. Como ela vai manter qualidade se crescer?

Model

Essa é a tensão que ela mesma nomeou. Ela disse que quer expandir, mas sem um plano específico de quantidade. A prioridade é manter o padrão. Isso sugere que ela sabe que crescimento rápido pode matar o que a marca é.

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