José Maria Neves eleito Presidente de Cabo Verde com 51,5% dos votos

O povo falou e a democracia triunfou
Declaração de Carlos Veiga reconhecendo a derrota e felicitando o vencedor na noite eleitoral.

Num arquipélago atlântico que construiu reputação de estabilidade democrática em África, José Maria Neves foi eleito quinto Presidente de Cabo Verde à primeira volta, com 51,5% dos votos, encerrando um ciclo eleitoral de um ano. Antigo primeiro-ministro por quinze anos e hoje professor universitário, Neves representa a continuidade de uma tradição política madura — uma nação pequena que, desde a independência em 1975, tem renovado o poder com serenidade e legitimidade reconhecida internacionalmente.

  • Com 97% das mesas apuradas, Neves ultrapassou a barreira dos 50% sem necessidade de segunda volta, resolvendo a disputa numa única noite eleitoral.
  • Carlos Veiga, adversário histórico com três derrotas presidenciais consecutivas, reconheceu o resultado com dignidade e telefonou pessoalmente ao vencedor — um gesto que sublinha a maturidade democrática do país.
  • A abstenção de 51,7% entre os 398.864 eleitores inscritos lança uma sombra sobre o entusiasmo popular, mesmo num momento de decisão histórica.
  • A presença de sete candidatos — recorde absoluto nas presidenciais cabo-verdianas — e de 104 observadores internacionais da União Africana, CEDEAO e Estados Unidos reforçou a visibilidade e legitimidade do processo.
  • Neves chega à presidência apoiado pelo PAICV, partido que lidera há décadas mas que se encontra na oposição, criando uma coabitação institucional com o governo do MpD que moldará os próximos anos políticos do arquipélago.

José Maria Neves tornou-se o quinto Presidente de Cabo Verde ao conquistar 51,5% dos votos nas sétimas eleições presidenciais diretas do país, decididas à primeira volta. Com 93.149 votos contabilizados quando 97% das mesas estavam apuradas, o antigo primeiro-ministro e professor universitário de 61 anos venceu uma disputa que reuniu sete candidatos — um recorde histórico para o arquipélago.

Carlos Veiga, ex-primeiro-ministro apoiado pelo MpD e pela UCID, ficou em segundo lugar com 42,6% dos votos. Foi a sua terceira derrota consecutiva em eleições presidenciais, depois de 2001 e 2006. Ainda assim, reconheceu o resultado com elegância, declarando que "o povo falou e a democracia triunfou" e felicitando Neves por telefone.

O percurso de Neves é o de uma vida entregue à política cabo-verdiana: quarenta anos de militância no PAICV, passagens pela câmara de Santa Catarina, pelo parlamento e pelos ministérios, e quinze anos à frente do governo, entre 2001 e 2016. Os restantes cinco candidatos dividiram entre si menos de 7% dos votos, com resultados que variaram entre 1,8% e 0,8%.

A participação ficou aquém de metade do eleitorado — dos 398.864 inscritos, apenas 186.991 votaram, numa abstenção de 51,7%. A votação decorreu sob protocolos sanitários rigorosos devido à pandemia. Cento e quatro observadores internacionais, da União Africana, da CEDEAO e dos Estados Unidos, acompanharam o processo, reforçando a credibilidade de um país que se distingue pela solidez democrática na África Ocidental.

Esta eleição encerrou um ciclo que começou nas autárquicas de outubro de 2020 e passou pelas legislativas de abril de 2021. Jorge Carlos Fonseca, impedido constitucionalmente de se recandidatar após dois mandatos, deixa a presidência a um sucessor que chega com o apoio do partido da oposição — abrindo um novo capítulo de coabitação na história política de Cabo Verde.

José Maria Neves, aos 61 anos, tornou-se o quinto Presidente da República de Cabo Verde no domingo, conquistando 51,5% dos votos numa eleição decidida à primeira volta. Com 93.149 votos contabilizados quando 97% das mesas tinham sido apuradas, o antigo primeiro-ministro e atual professor universitário venceu de forma clara, embora não esmagadora, um escrutínio que reuniu sete candidatos — um recorde para as eleições presidenciais diretas do país.

Carlos Veiga, que também já havia sido primeiro-ministro entre 1991 e 2000, ficou em segundo lugar com 77.018 votos, equivalente a 42,6%. Para Veiga, apoiado pelo Movimento para a Democracia e pela União Caboverdiana Independente e Democrática, foi a terceira derrota consecutiva em eleições presidenciais — havia perdido também em 2001 e 2006. Ainda assim, reconheceu o resultado com dignidade, afirmando que "o povo falou e a democracia triunfou" e telefonando pessoalmente a Neves para o felicitar.

Neves chega à presidência com um currículo político extenso. Militante do Partido Africano da Independência de Cabo Verde há cerca de quarenta anos, foi presidente do partido, deputado nacional, presidente da câmara de Santa Catarina e ministro. Mais recentemente, liderou o PAICV como primeiro-ministro durante quinze anos, de 2001 a 2016, antes de se dedicar à vida académica. Desta vez, concorreu com o apoio explícito do seu antigo partido, que se encontra na oposição.

Os restantes cinco candidatos obtiveram resultados marginais. Casimiro de Pina conquistou 3.254 votos (1,8%), Fernando Rocha Delgado 2.509 votos (1,4%), Hélio Sanches 2.102 votos (1,2%), Gilson Alves 1.546 votos (0,9%) e Joaquim Monteiro 1.365 votos (0,8%). A presença de sete candidatos marca um ponto de viragem — até agora, o máximo havia sido quatro, registado em 2001 e 2011.

O escrutínio refletiu uma participação moderada. Dos 398.864 cabo-verdianos inscritos para votar — 342.777 nos vinte e dois círculos eleitorais do país e 56.087 nos dezasseis círculos no estrangeiro — apenas 186.991 compareceram às urnas, resultando numa taxa de abstenção de 51,7%. A votação decorreu sob protocolos de segurança sanitária rigorosos, com obrigatoriedade de máscara e desinfeção à entrada das assembleias, devido à pandemia de covid-19.

Esta eleição encerrou um ciclo eleitoral que começou em outubro de 2020 com as autárquicas e prosseguiu em abril com as legislativas. Jorge Carlos Fonseca, que cumpria o segundo e último mandato constitucional como Presidente, não concorreu à reeleição. Desde a independência de Portugal em 1975, Cabo Verde teve quatro Presidentes antes de Neves: Aristides Pereira (1975-1991), eleito indiretamente; António Mascarenhas Monteiro (1991-2001), primeiro eleito por sufrágio direto; Pedro Pires (2001-2011); e Jorge Carlos Fonseca (2011-2021).

A eleição foi acompanhada por 104 observadores internacionais — trinta da União Africana, sob liderança do diplomata angolano Ismael Gaspar Martins; setenta e um da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental; e três da embaixada dos Estados Unidos. A presença internacional reforçou a legitimidade do processo num país que se tem distinguido pela estabilidade democrática na região.

O povo falou e a democracia triunfou
— Carlos Veiga, candidato derrotado
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Porque é que Neves venceu com apenas 51,5% quando tinha o apoio do seu antigo partido?

Model

Porque Cabo Verde é um país onde a política não se resume a lealdades partidárias. Neves é respeitado como figura independente — professor, não apenas político — e isso contou. Mas 51,5% não é um mandato esmagador. É uma vitória clara, mas não uma aprovação unânime.

Inventor

E Carlos Veiga, que perdeu pela terceira vez? Como é que um antigo primeiro-ministro não consegue vencer?

Model

Veiga tinha o poder — o partido no governo apoiava-o. Mas talvez isso tenha sido um peso. Os cabo-verdianos queriam mudança, ou pelo menos uma voz diferente. Neves representava continuidade com o passado, mas também renovação.

Inventor

A abstenção de 51,7% é alta. O que diz isso sobre o interesse dos cabo-verdianos?

Model

Diz que metade do país não se importou o suficiente para votar. Pode ser cansaço — três eleições em menos de um ano. Pode ser desconfiança. Ou simplesmente a vida quotidiana: trabalho, família, outras prioridades.

Inventor

Sete candidatos é um recorde. Significa mais democracia?

Model

Significa mais opções, sim. Mas também significa que nenhum deles conseguiu mobilizar uma base forte. Os cinco menores candidatos juntos não chegaram a 10%. A fragmentação pode ser saudável, mas também pode indicar que ninguém oferecia uma alternativa verdadeiramente convincente.

Inventor

Neves tem 61 anos e uma carreira longa. O que o torna diferente agora?

Model

Agora é presidente, não primeiro-ministro. É um cargo diferente — mais simbólico, menos executivo. Depois de quinze anos a governar, talvez isso seja o que Cabo Verde queria: alguém com experiência, mas sem o desgaste do poder diário.

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