José Dirceu: arma mais poderosa de Bolsonaro é o medo

O medo é uma arma poderosa, e a única resposta é derrotá-lo pela luta
Dirceu compara a estratégia de Bolsonaro com a da ditadura militar, ambas baseadas em cultivar pânico social.

Em setembro de 2021, o ex-ministro José Dirceu sentou-se diante das câmeras para nomear aquilo que via como o principal instrumento do governo Bolsonaro: o medo. Veterano da clandestinidade sob a ditadura militar, Dirceu reconhecia na estratégia bolsonarista um padrão antigo — o de fabricar ameaças imaginárias para paralisar adversários e consolidar poder. Sua mensagem era, ao mesmo tempo, um diagnóstico histórico e um chamado à resistência.

  • Dirceu alerta que o medo fabricado — do comunismo, da invasão de lares, da destruição da família — está sendo usado como arma política da mesma forma que a ditadura militar o usou décadas atrás.
  • Milícias, armamentismo crescente e um discurso de ódio amplificam esse clima de tensão, tornando a intimidação não apenas retórica, mas concreta e cotidiana.
  • A direita sustenta uma narrativa de que o PT é ateu e inimigo da família, acusação que Dirceu rejeita citando a origem do partido nas Comunidades Eclesiais de Base e as políticas sociais dos governos petistas.
  • Para Dirceu, o verdadeiro medo não é o do comunismo, mas o da fome, do desemprego e da perda de direitos — medos que o PT enfrentou com políticas concretas como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida.
  • A resposta que propõe não é defensiva, mas ativa: não ceder ao pânico, reconhecer a estratégia do adversário e resistir — apontando o 7 de setembro como prova de que a mobilização popular é possível.

Em setembro de 2021, José Dirceu concedeu entrevista à TV 247 com uma tese central: o Brasil estava sendo governado pelo medo. Para o ex-ministro, que havia vivido a clandestinidade durante a ditadura militar e os anos de poder nos governos petistas, a estratégia de Bolsonaro não era nova — era a mesma que os militares haviam utilizado décadas antes para conter aspirações populares.

O medo, argumentava Dirceu, funcionava. Funcionava quando a ditadura o usava, quando a direita o mobilizava contra Lula, e funcionava agora, amplificado por milícias, pelo armamentismo crescente e por um discurso que cultivava o ódio. O medo do comunismo, da invasão dos lares, da destruição da família — tudo mentira construída e repetida até se tornar verdade na cabeça das pessoas. Dirceu sabia o que era insegurança de verdade: fome, migração forçada, desemprego, perda de liberdade. Aquele era o medo que importava.

Na frente das narrativas, Dirceu rebatia a acusação de que o PT seria ateu e contrário à família. Desde sua origem, o partido havia mantido laços estreitos com as Comunidades Eclesiais de Base e pastorais diversas — rezava-se antes das reuniões, lembrava ele. E nenhum governo havia feito mais pelas famílias brasileiras do que os governos petistas: emprego, salários, Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, direitos das mulheres e das empregadas domésticas. Havia hipocrisia, dizia, em um presidente que pregava valores de família sendo ele próprio um mau exemplo deles.

O que Dirceu propunha era resistência — não se intimidar diante das ameaças, derrotar o medo pela luta. A esquerda brasileira, concluía, precisava reconhecer que enfrentava uma estratégia antiga e testada, e que a única resposta era não ceder ao pânico que tentavam plantar.

José Dirceu sentou-se diante das câmeras da TV 247 em setembro de 2021 com uma mensagem clara: o Brasil estava sendo governado pelo medo. O ex-ministro, que havia passado pela clandestinidade durante a ditadura militar e pelos corredores do poder durante os governos petistas, enxergava em Jair Bolsonaro uma estratégia política tão antiga quanto eficaz — a mesma que os militares haviam usado décadas antes. Não era novidade, dizia Dirceu. Era repetição.

A tese que defendia era simples e perturbadora: o medo funcionava. Funcionava quando a ditadura o usava para conter aspirações populares. Funcionava quando a direita liberal o mobilizava contra Lula. E funcionava agora, sob Bolsonaro, amplificado pelas milícias, pelo crescente armamentismo da sociedade brasileira e por um discurso que cultivava o ódio. O medo de perder a casa, de ter o apartamento invadido, de que o comunismo tomasse conta — tudo mentira construída, repetida até virar verdade na cabeça das pessoas. Dirceu havia vivido isso na pele. Sabia o que era insegurança de verdade: ver filhos passando fome, migrar num caminhão, desemprego, não poder pagar educação, perder a liberdade. Aquele era o medo que importava. Mas havia também o medo pessoal, o que podia transformar alguém em irresponsável e aventureiro se deixasse levar pelo impulso. Ele havia passado por essas situações, assim como milhões de brasileiros.

Mas havia outra frente nessa guerra narrativa. A direita vendia uma mentira específica: a de que o Partido dos Trabalhadores era ateu, que não respeitava religiões e igrejas. Dirceu rebatia com história. Desde sua origem, o PT havia mantido ligação estreita com as Comunidades Eclesiais de Base, com pastorais, com comunidades religiosas diversas. Quando ele chegou ao partido, rezava-se antes das reuniões. Não era um detalhe menor — era a prova de que a acusação era falsa.

O mesmo valia para a família. Ninguém havia feito mais pelas famílias brasileiras do que os governos petistas, argumentava Dirceu. O crescimento do emprego, dos salários, da previdência. O Bolsa Família. O Minha Casa Minha Vida. Os direitos das mulheres. A defesa das empregadas domésticas. Não era caridade — era obrigação cumprida. A nação era cristã, era realidade. A família era uma das coisas mais importantes. Mas havia hipocrisia no ar. A direita queria impor uma visão de família, e o próprio presidente que queria impor era um péssimo exemplo disso.

O que Dirceu propunha, então, era resistência. Não se intimidar diante das ameaças violentas. Derrotar o medo pela luta — e ele apontava para o que havia acontecido no dia 7 de setembro como prova de que era possível. A esquerda brasileira precisava entender que estava diante de uma estratégia antiga, testada, eficaz. E que a única resposta era não ceder ao pânico que tentavam plantar.

O medo é uma arma poderosa, usada no Brasil pela ditadura militar e também pela direita liberal contra o Lula. A arma mais poderosa do Bolsonaro é impor o medo na sociedade, com as suas milícias, com o armamentismo e com a violência e com o ódio.
— José Dirceu
Eles querem impor uma visão de família, e o próprio presidente que quer impor é um péssimo exemplo. Tem muita hipocrisia nisso.
— José Dirceu
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Quando você diz que o medo é a arma mais poderosa de Bolsonaro, está falando de algo que ele faz deliberadamente, ou é mais um efeito colateral do seu governo?

Model

É deliberado. Ele constrói o medo. Usa as milícias, o armamentismo, a violência, o ódio. É a mesma tática que a ditadura usava — você cria pânico para derrotar as aspirações das pessoas.

Inventor

Mas por que as pessoas acreditam nessas narrativas sobre o PT ser ateu ou contra a família? Não é fácil verificar que são falsas?

Model

Porque a mentira é repetida o tempo todo, em todos os lugares. E porque toca em coisas que as pessoas realmente temem — perder sua casa, sua segurança, seus valores. A verdade é mais chata: o PT sempre trabalhou com comunidades religiosas, sempre defendeu políticas para as famílias. Mas verdade não grita como mentira.

Inventor

Você menciona o dia 7 de setembro como um momento em que a esquerda derrotou o medo. O que aconteceu lá?

Model

Houve manifestações, mobilização. As pessoas saíram às ruas apesar do clima de violência e ameaça. Mostraram que era possível resistir, que o medo não era absoluto.

Inventor

E agora? Como se derrota o medo de verdade?

Model

Pela luta. Pela organização. Pela recusa em aceitar as mentiras. Mas também reconhecendo que há medos legítimos — fome, desemprego, falta de educação. Esses não são construídos. São reais. E precisam ser enfrentados com políticas, não com discurso.

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