Os pais já têm gastos suficientes. Não vai ser a usar o site que eles vão ter outro gasto.
Quando a paternidade iminente encontra a engenhosidade, nascem ferramentas que transcendem o uso pessoal. Joaquim Cabral, com 28 anos e um filho a caminho, transformou a frustração de procurar creche em Portugal numa plataforma gratuita que mapeia mais de 2.500 estabelecimentos em todo o país. Creches.app surge como resposta a um vazio de informação que afecta milhares de famílias, construída em duas semanas com o auxílio de inteligência artificial e oferecida sem custo a quem mais precisa.
- Procurar creche em Portugal é um labirinto sem mapa — até agora: a ausência de um recurso centralizado deixava os pais a gerir contactos dispersos e informação fragmentada.
- Em apenas duas semanas, um engenheiro transformou uma necessidade doméstica numa plataforma com mais de 2.591 instituições mapeadas em todos os distritos do país.
- O lançamento gerou tracção imediata: mil visitas em três dias e pedidos de creches para serem adicionadas ao mapa, expandindo organicamente a base de dados.
- O criador absorve os custos do servidor e do domínio por conta própria, recusando cobrar aos pais, enquanto pondera um modelo de destaque pago para instituições privadas.
- Ironicamente, o filho de Joaquim nasce em Setembro e a creche ainda não está escolhida — prova de que a ferramenta resolve o processo, mas não elimina o desafio.
Joaquim Cabral tinha 28 anos e um filho a caminho quando percebeu que procurar creche em Portugal era um exercício de paciência sem recompensa garantida. Sem nenhum lugar centralizado para comparar opções ou registar contactos já feitos, o engenheiro decidiu construir o que não existia. Duas semanas depois, Creches.app estava no ar, reunindo mais de 2.500 creches, infantários, instituições de solidariedade social e jardins de infância espalhados por todos os distritos do país.
A lógica foi directa: depois de montar a estrutura para uso próprio, partilhá-la não custava nada. A plataforma não exige registo, permite filtrar por distrito, tipo de instituição e faixa etária, e apresenta para cada estabelecimento descrição, localização, contacto e website. Os dados vêm de fontes públicas como o OpenStreetMap e a Carta Social da Segurança Social, e podem ser corrigidos pelos próprios utilizadores. O site inclui ainda artigos explicativos sobre como escolher creche e as diferenças entre instituições públicas e privadas.
A velocidade de construção é o que mais surpreende: Cabral recorreu a ferramentas de inteligência artificial para desenvolver tudo em quinze dias, numa tendência que descreve como recente hábito de resolver os seus próprios problemas com código. Desde o lançamento, várias creches pediram para ser adicionadas, e o número de entradas já ultrapassou as 2.591 instituições.
Quanto ao modelo de negócio, Cabral é claro: os pais não pagam, agora nem nunca. É ele quem suporta os custos do domínio e do servidor. No futuro, admite permitir que creches privadas paguem para se destacar na plataforma — uma forma de publicidade dirigida a quem está exactamente na fase de procura. Os primeiros números dão alento: mil visitas nos últimos três dias. O filho, esse, nasce em Setembro. A creche ainda não está escolhida.
Joaquim Cabral estava à espera de ser pai quando se deparou com um problema que muitos reconhecem: procurar creche em Portugal é um labirinto. Sem um lugar centralizado onde consultar opções, comparar instituições ou simplesmente registar quais já tinha contactado, o engenheiro de 28 anos decidiu construir uma solução. Duas semanas depois, lançava Creches.app, uma plataforma que reúne mais de 2.500 creches, infantários, instituições de solidariedade social e jardins de infância espalhados por todos os distritos do país.
A ferramenta nasceu de uma necessidade pessoal. "Quando percebi que aquilo ia dar algum trabalho, decidi fazer uma aplicação para ajudar a mim e à minha mulher a registar com quais creches tínhamos falado e em que fase do processo estávamos", explica Cabral. Mas depois de montar a estrutura para uso próprio, o raciocínio foi simples: por que não partilhar? O site está disponível gratuitamente, sem necessidade de registo, e permite aos pais filtrar estabelecimentos por distrito, tipo de instituição e faixa etária das crianças.
A plataforma funciona de forma intuitiva. Abre-se o mapa de Portugal, clica-se numa creche e surgem descrição, localização, contacto e website da instituição. Os dados provêm de fontes públicas como o OpenStreetMap e a Carta Social da Segurança Social, mas podem ser corrigidos pelos utilizadores através de um botão de reporte em cada entrada. Além do mapa, o site inclui artigos informativos sobre como escolher creche, o que é uma instituição de solidariedade social e as diferenças entre creches privadas e públicas.
O que torna Creches.app particularmente notável é a velocidade de desenvolvimento. Cabral recorreu a ferramentas de inteligência artificial para construir a plataforma em apenas duas semanas. "Comecei a mexer bastante em inteligência artificial nos últimos meses e por isso agora tenho feito aplicações para tudo o que preciso", refere. Desde o lançamento, várias creches pediram para ser adicionadas através do formulário disponível, pelo que o número de estabelecimentos mapeados já ultrapassou as 2.591 instituições.
O modelo de negócio, por enquanto, é simples: não existe. Cabral garante que a plataforma será sempre gratuita para os pais. "Os pais já têm gastos suficientes. Não vai ser a usar o site que eles vão ter outro gasto", afirma. O engenheiro admite que não ganha dinheiro com a iniciativa e que é ele próprio a pagar o domínio e o servidor. Porém, tem uma estratégia em mente para o futuro: permitir que creches privadas paguem para se destacarem na plataforma, funcionando como um serviço de publicidade direccionado a pais em fase de procura.
Os números iniciais são promissores. Desde o lançamento há cerca de duas semanas, a plataforma registou mil visitas nos últimos três dias. Quanto ao filho de Joaquim, que nasce no final de Setembro, o processo de procura de creche ainda está em curso — uma prova de que nem mesmo o criador da ferramenta consegue escapar aos desafios que ela pretende resolver.
Citações Notáveis
Quando percebi que aquilo ia dar algum trabalho, decidi fazer uma aplicação para ajudar a mim e à minha mulher a registar com quais creches tínhamos falado— Joaquim Cabral, criador da plataforma
Comecei a mexer bastante em inteligência artificial nos últimos meses e por isso agora tenho feito aplicações para tudo o que preciso— Joaquim Cabral
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Porque é que um engenheiro decide gastar duas semanas a construir um mapa de creches?
Porque estava à espera de ser pai e percebeu que o processo era caótico. Não havia um lugar onde consultar tudo de uma vez. Então fez para si e para a mulher, e depois pensou: por que não partilhar?
A inteligência artificial foi essencial para conseguir fazer isto tão depressa?
Foi crucial. Sem IA, duas semanas seria impossível. Com ela, conseguiu reunir dados de múltiplas fontes públicas, estruturar a plataforma e lançá-la. É um exemplo de como estas ferramentas podem resolver problemas reais muito rapidamente.
Mas como é que ele ganha dinheiro?
Por enquanto, não ganha. Ele próprio paga o domínio e o servidor. A ideia é que no futuro as creches privadas paguem para se destacarem, mas os pais nunca pagam.
Isso não é arriscado? Investir do próprio bolso sem receita?
É, mas ele está convencido de que há valor aqui. Mil visitas em três dias após o lançamento sugerem que os pais realmente precisam disto. É um aposta no crescimento futuro.
E se outras plataformas fizerem o mesmo?
É possível. Mas ele chegou primeiro, tem 2.500 instituições mapeadas, e os utilizadores já estão a corrigir dados. Há uma vantagem de primeiro-mover aqui.
O filho dele já tem creche?
Não. Nasce em Setembro e o processo ainda está em curso. É irónico: o criador da ferramenta ainda está a usá-la para resolver o seu próprio problema.