Nenhum presidente conseguiu completar um mandato inteiro
No dia 3 de julho, o Júri Nacional Eleitoral do Peru formalizou a vitória de Keiko Fujimori sobre Roberto Sánchez, encerrando semanas de apuração em um país que carrega uma década de instabilidade política. Fujimori, filha de um ex-presidente e agora em sua quarta candidatura, assume o poder em um momento em que quase metade dos peruanos duvida que qualquer líder consiga cumprir um mandato inteiro. Sua eleição não é apenas um resultado eleitoral — é um teste sobre se o Peru consegue, enfim, encontrar alguma continuidade.
- A confirmação oficial demorou dias além do esperado, pois Sánchez sinalizou que não aceitaria o resultado, alimentando a desconfiança já enraizada na política peruana.
- O país chega a este momento com uma sequência sombria: nenhum presidente completou mandato nos últimos dez anos, e a população está exausta de crises institucionais.
- Fujimori herdará um Congresso fragmentado, índices de criminalidade em alta e uma economia sufocada pela burocracia — um conjunto de problemas que exige mais do que discurso.
- Seu plano de governo aposta em tecnologia e linha dura: centros de vigilância com inteligência artificial, fortalecimento da Controladoria e corte de custos para pequenas empresas.
- Se conseguir completar os cinco anos de mandato, já será uma conquista inédita para os padrões recentes do Peru — e talvez o maior símbolo de que algo mudou.
Na sexta-feira, 3 de julho, o JNE — Júri Nacional Eleitoral do Peru — confirmou oficialmente o que os números já indicavam desde 24 de junho: Keiko Fujimori venceu Roberto Sánchez no segundo turno presidencial. A contagem havia sido encerrada dias antes, mas a validação formal exigiu mais uma semana, em um processo que testou a paciência de uma nação acostumada à turbulência política.
A disputa foi acirrada do início ao fim. Sánchez deixou claro que não aceitaria o resultado, postura que reflete a desconfiança crônica que permeia as instituições peruanas. No primeiro turno, em abril, Fujimori havia conquistado pouco menos de 30% dos votos — um resultado modesto diante de um eleitorado fragmentado — mas suficiente para avançar.
O Peru que ela herda carrega o peso de uma década sem estabilidade. Nenhum presidente completou mandato nos últimos dez anos, e quase metade da população já duvida que o próximo líder consiga fazê-lo. É neste cenário que Fujimori, aos 51 anos, assume pela primeira vez a presidência — em sua quarta tentativa.
Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, morto em 2024, ela não planejava seguir a carreira política. Formada em Administração e com mestrado nos Estados Unidos, sonhava em ser empresária. Mas mudou de rumo. 'Nunca esteve nos meus planos ser política. Mas, uma vez que decidi, tinha que fazer direito', disse em vídeo publicado em seu canal no YouTube.
Sua campanha evocou o legado do pai e prometeu linha dura contra o crime, com centros de vigilância equipados com inteligência artificial, fortalecimento da Controladoria-Geral e redução da burocracia para pequenas empresas. O desafio real, porém, vai além dos planos: é restaurar a confiança em instituições abaladas. Completar o mandato, pelos padrões recentes do Peru, já seria uma vitória histórica.
Na sexta-feira, 3 de julho, a autoridade eleitoral peruana formalizou o que já era esperado há dias: Keiko Fujimori, candidata de direita, venceu Roberto Sánchez, deputado de esquerda, na disputa pelo comando do país. A confirmação veio do JNE, o Júri Nacional Eleitoral, após semanas de apuração que testaram a paciência de uma nação já exausta. O Escritório Nacional de Processos Eleitorais havia encerrado a contagem em 29 de junho, mas foi preciso esperar mais alguns dias para que a corte eleitoral validasse oficialmente o resultado.
A campanha entre os dois foi acirrada do começo ao fim. Sánchez, porém, já havia deixado claro que não aceitaria o desfecho — uma postura que reflete a desconfiança que permeia a política peruana. Desde o dia 24 de junho, quando Fujimori conquistou uma vantagem que não podia mais ser revertida, o resultado era matematicamente certo. Ainda assim, o processo formal levou mais uma semana para se completar.
O Peru chega a este momento carregando o peso de uma década de caos político. Nenhum presidente conseguiu completar um mandato inteiro nos últimos dez anos. A instabilidade é tão profunda que quase metade da população já duvida que o próximo líder conseguirá cumprir seus cinco anos no cargo. É neste cenário que Fujimori assume.
A trajetória até aqui foi longa. No primeiro turno, em 12 de abril, ela conquistou pouco menos de 30% dos votos — um resultado modesto que refletia a fragmentação do eleitorado. Mais de dois terços dos votantes apoiavam outras opções. Mesmo assim, ela avançou para o segundo turno, onde enfrentou Sánchez em uma disputa que se mostrou mais competitiva do que muitos esperavam.
Fujimori, aos 51 anos, nascida em Lima em 25 de maio de 1975, é a filha mais velha de Alberto Fujimori, ex-presidente que faleceu em 2024, e de Susana Higuchi, morta em 2021. Esta é sua quarta candidatura à presidência. Ela não nasceu para a política — ou assim acreditava. Estudou Administração de Empresas e fez mestrado nos Estados Unidos, sonhando em ser empresária. Mas em algum momento mudou de rumo. "Nunca esteve nos meus planos ser política. Mas, uma vez que decidi, tinha que fazer direito", explicou em um vídeo publicado em seu canal no YouTube.
Sua campanha evocou constantemente o legado do pai, posicionando-se como defensora de uma linha dura contra o crime. Seu plano de governo para segurança inclui a criação de centros de comando e vigilância interligados em todo o país, equipados com mapas de criminalidade em tempo real e inteligência artificial para análises preditivas e coordenação de emergências. Para combater a corrupção, propõe fortalecer os processos de controle orçamentário e expandir os poderes da Controladoria-Geral da República. Na economia, busca reduzir a burocracia para pequenas e médias empresas, eliminando o que chama de "custos desnecessários".
O que Fujimori herda é um Congresso fragmentado, uma criminalidade em alta e uma população cética. O desafio não é apenas governar, mas restaurar a confiança em instituições que foram abaladas por anos de turbulência. Se conseguir completar seu mandato, já será uma vitória para os padrões recentes do Peru.
Citações Notáveis
Nunca esteve nos meus planos ser política. Mas, uma vez que decidi, tinha que fazer direito— Keiko Fujimori
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que levou tanto tempo para confirmar um resultado que já era claro desde o dia 24?
Porque no Peru, a formalidade importa quando a confiança está em frangalhos. Cada passo do processo precisa ser documentado, verificado, validado. Não é só sobre números — é sobre legitimidade.
Sánchez disse que não reconheceria o resultado. O que isso significa na prática?
Significa que ele vai contestar, provavelmente na justiça, talvez mobilizar seus apoiadores. Mas matematicamente, ele perdeu. A questão é se consegue transformar essa rejeição em algo que desestabilize ainda mais o país.
Fujimori é a quarta vez que ela tenta. Por que agora funcionou?
Porque o Peru estava desesperado por alguém que prometesse ordem. Ela invocou o pai, falou em segurança dura, em inteligência artificial contra o crime. As pessoas votaram menos nela e mais contra o caos.
E se ela também não completar o mandato?
Então o Peru entra em um ciclo ainda mais profundo. Quase metade da população já acha que vai acontecer. Se acontecer, a desconfiança nas instituições vira desespero.
Qual é o maior desafio que ela enfrenta no primeiro dia?
Convencer um Congresso fragmentado a trabalhar com ela. Sem maioria, sem coesão, ela vai precisar negociar cada voto. E isso, historicamente, é onde os presidentes peruanos começam a fracassar.