Itaú é convocado pela Câmara de SP para explicar dívida de R$ 19 bilhões

Dezenove bilhões em tributos pendentes, e ninguém sabe quando será pago
O Itaú lidera a lista de devedores de impostos de São Paulo, com uma dívida que permanecia pendente até março deste ano.

Em São Paulo, a tensão entre o poder público municipal e as grandes instituições financeiras ganhou forma institucional esta semana, quando a Câmara Municipal convocou executivos do Itaú, Bradesco, Santander e Caixa para responder por dezenas de bilhões em impostos não pagos. O Itaú lidera esse passivo com cerca de R$ 19 bilhões pendentes, numa disputa que revela não apenas um conflito fiscal, mas uma divergência profunda sobre quem tem autoridade para definir o que é devido — a prefeitura, os tribunais ou o escrutínio público. A questão que paira sobre os corredores da câmara é antiga: quando o poder econômico e o poder político se encontram, qual deles cede primeiro?

  • A Câmara Municipal de São Paulo escalou o confronto ao transformar convites ignorados em convocações formais, sinalizando que a paciência institucional tem limite.
  • O Itaú, com R$ 19 bilhões em débitos municipais, encarna a magnitude do problema — um único banco deve mais do que muitas cidades brasileiras arrecadam em anos.
  • Meta, Hapvida, Tim e Claro somam mais de R$ 8 bilhões em impostos pendentes e já haviam ignorado chamados anteriores, forçando a comissão a endurecer o tom.
  • O Banco do Brasil compareceu, mas seus representantes negaram os valores cobrados e remeteram a disputa à Justiça, deixando vereadores sem respostas e o presidente da CPI insatisfeito.
  • O impasse aponta para um campo de batalha que se estende além da câmara: com dezenas de bilhões em jogo, o desfecho moldará como São Paulo enfrenta grandes devedores nos próximos anos.

A Câmara Municipal de São Paulo decidiu esta semana elevar o tom na disputa com os maiores devedores de impostos da capital. Uma comissão parlamentar aprovou a convocação formal de executivos do Itaú, Bradesco, Santander e Caixa Econômica Federal — instituições que acumulam bilhões em tributos não pagos ao município.

O Itaú ocupa o topo da lista, com cerca de R$ 19 bilhões pendentes até março deste ano. Gabriel Amado de Moura, diretor de finanças do banco, foi nomeado para comparecer e explicar a situação. Bradesco, Santander e Caixa apresentam débitos menores, mas ainda expressivos: R$ 555 milhões, R$ 386 milhões e R$ 922 milhões, respectivamente.

A investigação se estende além do setor bancário. Meta, Hapvida, Tim e Claro — que juntas devem mais de R$ 8 bilhões — foram intimadas após ignorarem convites anteriores, numa escalada deliberada da comissão.

O Banco do Brasil já prestou depoimento, mas seus representantes negaram reconhecer os valores cobrados pela prefeitura e afirmaram que a disputa pertence aos tribunais. A incapacidade de responder a perguntas básicas dos vereadores levou o presidente da comissão, Sansão Pereira, a convocar o próprio chefe de finanças da instituição para um depoimento mais aprofundado.

O que se desenha é um conflito de fundo: os bancos contestam as cobranças e preferem o Judiciário; a câmara quer explicações públicas e pressão para negociar. Com dezenas de bilhões em disputa, o desdobramento dessas audiências pode redefinir a relação entre São Paulo e seus maiores devedores.

A Câmara Municipal de São Paulo moveu-se esta semana para confrontar alguns dos maiores devedores de impostos da capital. Na quinta-feira, uma comissão parlamentar aprovou a convocação de executivos do Itaú, Bradesco, Santander e Caixa Econômica Federal — instituições financeiras que acumulam bilhões em tributos não pagos aos cofres municipais.

O Itaú ocupa o topo da lista de inadimplentes. Segundo dados da prefeitura, o banco deve cerca de dezenove bilhões de reais ao município, uma quantia que permanecia pendente até março deste ano. Gabriel Amado de Moura, diretor de finanças da instituição, foi nomeado para comparecer e explicar a situação. Os demais bancos convocados apresentam débitos menores mas ainda substanciais: Bradesco com quinhentos e cinquenta e cinco milhões, Santander com trezentos e oitenta e seis milhões, e Caixa com novecentos e vinte e dois milhões.

A investigação não se limita ao setor bancário. Vereadores também decidiram intimar executivos de empresas que ignoraram convites anteriores. Meta, Hapvida, Tim e Claro figuram entre os convocados, e juntas essas companhias devem mais de oito bilhões de reais em impostos. A estratégia da comissão parece ser elevar o tom, passando de convites para intimações formais quando as empresas não comparecem voluntariamente.

O Banco do Brasil já compareceu à comissão nesta semana, oferecendo um vislumbre do que pode estar por vir. A instituição, que supostamente deve dois bilhões e oitocentos milhões de reais, enviou representantes que negaram reconhecer os valores que São Paulo cobra. Segundo eles, a questão está sendo discutida nos tribunais, não na câmara municipal. Os representantes do banco não conseguiram responder a várias perguntas formuladas pelos vereadores, uma lacuna que levou o presidente da comissão, Sansão Pereira, a solicitar que o chefe de finanças da instituição, Marco Geovanne Tobias da Silva, seja convocado para um depoimento mais detalhado.

O que emerge desses procedimentos é um quadro de desentendimento fundamental entre grandes instituições financeiras e a prefeitura sobre quanto é realmente devido. Os bancos argumentam que as cobranças são contestáveis e que a Justiça é o foro apropriado para resolver a disputa. A câmara municipal, por sua vez, parece determinada a forçar explicações públicas e, potencialmente, a pressionar essas organizações a negociar ou pagar. Com dezenas de bilhões em jogo, o resultado dessa série de depoimentos pode ter implicações significativas para o orçamento municipal e para como São Paulo lida com grandes devedores no futuro.

Representantes do Banco do Brasil afirmaram que a instituição não reconhece os valores cobrados e que a questão é discutida na Justiça
— Banco do Brasil, em depoimento à CPI
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que a câmara está convocando esses bancos agora, depois de tanto tempo?

Model

A comissão foi criada especificamente para investigar grandes devedores. O Itaú com dezenove bilhões é tão grande que não dá para ignorar — é dinheiro que a cidade precisa.

Inventor

Os bancos dizem que estão discutindo isso na Justiça. Isso não deveria resolver tudo?

Model

Teoricamente sim, mas enquanto isso está na Justiça, a câmara quer respostas públicas. Quer saber por que não pagam, como chegaram a essa situação, se há alguma negociação possível.

Inventor

E se os bancos simplesmente disserem que não podem falar porque há processos em andamento?

Model

É possível. O Banco do Brasil já fez algo parecido — enviou representantes que não souberam responder. Por isso agora querem convocar os chefes de finanças, pessoas com mais autoridade e conhecimento.

Inventor

Qual é o risco real para a cidade se esses valores nunca forem pagos?

Model

São bilhões que poderiam ir para educação, saúde, infraestrutura. É dinheiro que a prefeitura deixa de arrecadar enquanto espera a Justiça decidir.

Inventor

Isso é comum no Brasil — grandes empresas com dívidas fiscais?

Model

Muito comum. Por isso a comissão também convocou Meta, Hapvida, Tim e Claro. Não é só banco. É um padrão.

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