Israel marcará eleições em 27 de outubro; votação é referendo sobre Netanyahu

É possível convencer que uma eleição foi fraudada, mesmo que não tenha sido
Autoridade eleitoral israelense explica por que transmitirá ao vivo a contagem de votos.

Pela primeira vez desde o ataque do Hamas em outubro de 2023, Israel convocou eleições gerais para 27 de outubro — um momento em que o ato de votar transcende a escolha entre partidos e se torna um veredicto coletivo sobre Benjamin Netanyahu, o líder que mais tempo governou o país. Com 18 anos acumulados no poder, Netanyahu enfrenta simultaneamente um processo por corrupção, uma popularidade em declínio e a sombra das falhas de segurança que marcaram o início da guerra. O que está em jogo não é apenas um mandato, mas a narrativa que Israel escolherá para si mesma ao sair de quase três anos de conflito contínuo.

  • A data de 27 de outubro carrega um peso simbólico imenso: será a primeira vez que os israelenses votarão desde que combatentes do Hamas cruzaram suas fronteiras, e a ferida daquele dia ainda não cicatrizou.
  • Netanyahu governa sob uma pressão tripla — um processo por corrupção nos tribunais, pesquisas que mostram maioria querendo sua saída e a acusação de que prometeu uma 'vitória total' que nunca chegou.
  • O ex-chefe do Exército Gadi Eisenkot surge como alternativa concreta, canalizando o desejo de renovação de uma sociedade exausta pela guerra e pela polarização.
  • A percepção de que Netanyahu foi marginalizado nas negociações do cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos aprofundou a sensação de que o país perdeu influência nos assuntos que definem sua própria segurança.
  • Antecipando um clima de desconfiança, a Comissão Central de Eleições planeja transmitir ao vivo toda a apuração — um gesto que revela o quanto a legitimidade do processo democrático já está sendo disputada antes mesmo do primeiro voto.

Israel marcou suas eleições gerais para 27 de outubro, o primeiro pleito desde a invasão do Hamas em 7 de outubro de 2023. Para muitos observadores, a votação funcionará menos como uma disputa entre programas políticos e mais como um julgamento direto sobre Benjamin Netanyahu — se o país quer que ele continue ou se é hora de seguir adiante.

Netanyahu, aos 76 anos, acumula 18 anos no poder em diferentes períodos, tornando-se o primeiro-ministro com mais tempo no cargo na história de Israel. Ele lidera o Likud, enfrenta um processo por corrupção e governa um país em guerra há quase três anos. As pesquisas indicam que a maioria dos israelenses quer sua saída, e seu principal adversário, o ex-chefe do Exército Gadi Eisenkot, emerge como alternativa viável.

O desgaste tem raízes múltiplas: as falhas de segurança que permitiram a entrada dos combatentes do Hamas, a promessa não cumprida de uma 'vitória total' contra o Hamas e o Hezbollah, e a percepção de que Netanyahu foi deixado de lado nas negociações do cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos — acordo visto por amplos setores israelenses como prejudicial ao país.

Diante de um clima de desconfiança, a Comissão Central de Eleições estuda transmitir ao vivo toda a apuração dos votos. O chefe interino do órgão, Din Livne, reconheceu que, embora seja tecnicamente impossível fraudar uma eleição em Israel, é perfeitamente possível convencer parte da população de que ela foi roubada. A transmissão ao vivo surge, portanto, como antídoto contra teorias da conspiração — e como espelho fiel da polarização que define o país neste momento.

Israel marcará suas eleições gerais para 27 de outubro, o primeiro pleito desde que combatentes do Hamas invadiram o território israelense em 7 de outubro de 2023. Para muitos observadores, a votação funcionará menos como uma escolha entre programas políticos e mais como um julgamento direto sobre Benjamin Netanyahu — se o país quer que ele continue no poder ou se é hora de seguir adiante.

Netanyahu, aos 76 anos, é o primeiro-ministro que mais tempo permaneceu no cargo na história de Israel. Ao longo de diferentes períodos não consecutivos, acumula 18 anos no poder. Ele lidera o partido de direita Likud e enfrenta simultaneamente um processo por corrupção, uma queda acentuada de popularidade e um país que vive há quase três anos em estado de guerra contínuo. A combinação desses fatores criou um cenário político frágil, onde sua permanência no cargo está longe de ser garantida.

As pesquisas mais recentes indicam que a maioria dos israelenses deseja que ele deixe o poder. Seu principal adversário é Gadi Eisenkot, ex-chefe do Exército, que emerge como alternativa viável. O desgaste de Netanyahu tem raízes múltiplas. As falhas de segurança que permitiram a entrada dos combatentes do Hamas continuam pesando sobre sua reputação — uma ferida que não cicatrizou. Além disso, parte significativa da população acredita que ele não cumpriu sua promessa de alcançar uma "vitória total" contra o Hamas e o Hezbollah, o grupo libanês alinhado ao Irã.

Há ainda uma terceira camada de insatisfação. Muitos israelenses sentem que Netanyahu foi deixado de lado nas negociações que resultaram em um acordo de cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos. Esse acordo, visto por amplos setores da sociedade israelense como prejudicial aos interesses do país, reforçou a percepção de que o primeiro-ministro perdeu influência nos assuntos internacionais que definem a segurança de Israel.

Antes mesmo da votação, as autoridades eleitorais já se preparam para um cenário de desconfiança. No início de julho, Din Livne, chefe interino da Comissão Central de Eleições de Israel, anunciou que o órgão estuda transmitir ao vivo toda a apuração dos votos. A medida é explicitamente voltada para combater tentativas de desacreditar os resultados. Livne reconheceu que, embora seja tecnicamente impossível "roubar" uma eleição em Israel, é perfeitamente possível convencer parte da população de que ela foi fraudada. A transmissão ao vivo, portanto, funciona como um antídoto contra teorias da conspiração — qualquer pessoa que queira acompanhar a contagem poderá fazê-lo, e qualquer alegação de fraude poderá ser verificada em tempo real. É um reflexo da polarização política que caracteriza Israel neste momento.

Quem quiser acompanhar a contagem poderá fazê-lo. É um pouco entediante, mas qualquer pessoa que espalhe teorias da conspiração poderá ver que elas não têm fundamento.
— Din Livne, chefe interino da Comissão Central de Eleições de Israel
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Inventor

Por que essa eleição é tão diferente das anteriores em Israel?

Model

Porque é a primeira desde o ataque de outubro de 2023, e o país ainda está em guerra. Netanyahu prometeu vitória total e não entregou. As pessoas estão cansadas.

Inventor

As pesquisas mostram que ele vai perder?

Model

Mostram que a maioria quer que ele saia. Mas pesquisas não elegem. O que importa é se seus apoiadores vão às urnas e se a oposição consegue se unir em torno de uma alternativa.

Inventor

Gadi Eisenkot é realmente uma ameaça para Netanyahu?

Model

É o principal adversário que aparece nas pesquisas. Ex-chefe do Exército, então tem credibilidade em segurança — exatamente a área onde Netanyahu está mais vulnerável.

Inventor

E esse acordo de cessar-fogo com o Irã? Por que prejudicou Netanyahu?

Model

Porque muitos israelenses acham que ele foi deixado de fora das negociações. Sentiram que Israel perdeu influência. Para um primeiro-ministro que construiu sua carreira em segurança, é uma humilhação política.

Inventor

A transmissão ao vivo da apuração vai realmente mudar algo?

Model

Não vai mudar o resultado. Mas mostra que as autoridades estão preocupadas com a confiança nas instituições. Se as pessoas acreditarem que a eleição foi roubada, o país fica ainda mais dividido.

Inventor

Netanyahu pode vencer mesmo assim?

Model

Pode. Tem uma base de apoiadores leal. Mas precisa de coalizões, e seus parceiros tradicionais também estão desgastados. Tudo está em aberto.

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