Israel e Líbano acordam cessar-fogo sob pressão de Trump

Centenas de milhares de libaneses deixaram suas casas devido ao conflito; ocupação militar israelense de faixa de 10 km no sul do Líbano desde março.
O cessar-fogo é condição essencial para qualquer acordo de paz
Declaração do porta-voz iraniano sobre a importância do fim dos ataques ao Líbano para as negociações regionais.

Entre ruínas históricas e capitais sob tensão, Israel e Líbano firmaram um cessar-fogo mediado por Donald Trump, condicionado à retirada do Hezbollah ao norte do rio Litani — um acordo que revela tanto a fragilidade das alianças regionais quanto o peso da diplomacia americana sobre um conflito que deslocou centenas de milhares de pessoas. O entendimento não encerra a guerra, mas suspende seu avanço mais imediato, enquanto questões nucleares iranianas e ameaças israelenses de retomada dos ataques pairam sobre a trégua como sombras ainda não resolvidas.

  • Israel avançou mais fundo no Líbano do que em 26 anos, capturando um castelo cruzado e bombardeando os subúrbios de Beirute pela primeira vez desde abril — a escalada que forçou a urgência do acordo.
  • Trump pressionou Netanyahu publicamente e em privado, chegando a chamá-lo de 'louco', enquanto prometia bloquear o avanço israelense até a capital libanesa.
  • O Irã condicionou qualquer acordo nuclear com Washington ao fim dos ataques ao Líbano, tornando o cessar-fogo libanês uma peça indispensável de um tabuleiro diplomático muito maior.
  • O acordo exige que o Hezbollah cesse todos os disparos e retire seus membros da faixa ao sul do Litani — mas Netanyahu já avisou que retomará os ataques se o grupo não cumprir os termos.
  • Centenas de milhares de libaneses permanecem deslocados, e Israel mantém ocupação militar de uma faixa de dez quilômetros no sul do país, sinalizando que a trégua é frágil e condicional.

A mediação de Donald Trump resultou em um cessar-fogo entre Israel e o Líbano, assinado dois dias após conversas diretas do presidente americano com Benjamin Netanyahu e representantes do Hezbollah. O acordo tem duas exigências centrais: o Hezbollah deve cessar completamente seus disparos e retirar todos os seus membros da região ao sul do rio Litani, zona ocupada militarmente por Israel desde março.

A pressão de Trump sobre Netanyahu foi intensa e, por vezes, áspera. O presidente americano garantiu publicamente que impediria o avanço israelense até Beirute e, em seguida, admitiu ter chamado o primeiro-ministro de 'louco' durante as conversas. Netanyahu respondeu que continuará atacando alvos em Beirute caso o Hezbollah não respeite o cessar-fogo, e que as forças israelenses seguirão operando na faixa sul do Líbano.

O conflito havia escalado dramaticamente nas semanas anteriores. Em março, após ataques com foguetes do Hezbollah, Israel invadiu o sul do Líbano. No fim de semana anterior ao acordo, as tropas israelenses capturaram o castelo de Beaufort — uma fortaleza da época das Cruzadas — marcando a incursão mais profunda em território libanês em 26 anos. Ataques aéreos atingiram os subúrbios de Beirute pela primeira vez desde abril, e centenas de milhares de libaneses fugiram de suas casas.

O Irã, aliado do Hezbollah, condicionou explicitamente qualquer acordo de paz com Washington ao fim das operações israelenses no Líbano. O porta-voz iraniano Esmaeil Baghaei reafirmou que o cessar-fogo libanês é 'uma condição essencial para qualquer acordo destinado a acabar com a guerra'. Ao mesmo tempo, o principal negociador iraniano criticou os Estados Unidos por descumprir compromissos anteriores.

As negociações nucleares entre Irã e Estados Unidos permanecem suspensas. Baghaei deixou claro que nenhuma discussão sobre o programa nuclear ocorreu nas conversas recentes, e que a prioridade atual é encerrar a guerra. O cessar-fogo libanês representa, portanto, um passo intermediário em negociações muito mais amplas — com as questões nucleares adiadas para uma fase ainda incerta.

A mediação do presidente americano Donald Trump resultou em um acordo de cessar-fogo entre Israel e o Líbano, selando um acordo que ambos os lados assinaram dois dias após conversas diretas do republicano com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e representantes do Hezbollah. O acordo condiciona o fim dos ataques a duas exigências centrais: o Hezbollah deve cessar completamente seus disparos e retirar todos os seus membros da região ao sul do rio Litani, a zona que Israel havia ocupado militarmente desde março.

O timing do acordo reflete a pressão diplomática que Trump exerceu sobre Netanyahu. Na segunda-feira, o presidente americano havia garantido publicamente que impediria o avanço das tropas israelenses até Beirute e bloquearia ataques aos subúrbios da capital, redutos conhecidos do Hezbollah. Dois dias depois, Trump admitiu ter adotado um tom severo na conversa com Netanyahu, chegando a chamá-lo de "louco". Netanyahu, por sua vez, respondeu que continuará atacando alvos em Beirute caso o Hezbollah não respeite o cessar-fogo, e que as forças armadas israelenses seguirão operando "normalmente" na faixa de dez quilômetros do sul libanês que ocupam desde março.

O conflito havia escalado dramaticamente nos meses anteriores. Em março, após ataques com foguetes do Hezbollah contra o norte de Israel, as forças israelenses invadiram o sul do Líbano. No sábado anterior ao acordo, Israel capturou o castelo de Beaufort, uma fortaleza histórica construída na época das Cruzadas, marcando a incursão mais profunda das tropas israelenses no território libanês em 26 anos. No domingo, ataques aéreos atingiram os subúrbios de Beirute pela primeira vez desde abril. Centenas de milhares de libaneses fugiram de suas casas durante o conflito.

O acordo também reflete as exigências do Irã, aliado do Hezbollah e negociador paralelo com os Estados Unidos. Teerã havia declarado explicitamente que não assinaria qualquer acordo de paz com Washington enquanto Israel continuasse operando no Líbano. O porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baghaei, reafirmou em sua coletiva de imprensa que o cessar-fogo libanês é "uma condição essencial para qualquer acordo destinado a acabar com a guerra". Mohammad Bagher Ghalibaf, principal negociador iraniano e presidente do Parlamento, criticou duramente Trump nas redes sociais, acusando os Estados Unidos de descumprir o cessar-fogo através do bloqueio naval e da "escalada dos crimes de guerra no Líbano por Israel".

As negociações nucleares entre o Irã e os Estados Unidos, o ponto de maior divergência histórica entre os dois países, permanecem suspensas. Baghaei deixou claro que nenhuma discussão sobre o programa nuclear iraniano ocorreu nas conversas recentes. "Nesta etapa, nossa prioridade é encerrar a guerra", afirmou o porta-voz iraniano, mesmo após Trump declarar ter obtido garantias de que o Irã não desenvolverá armas nucleares. O acordo de cessar-fogo libanês, portanto, representa um passo intermediário em negociações muito mais amplas que buscam reconfigurar a dinâmica de poder no Oriente Médio, deixando questões nucleares para uma fase posterior.

Insistimos que um cessar-fogo no Líbano é uma condição essencial para qualquer acordo destinado a acabar com a guerra
— Esmaeil Baghaei, porta-voz da diplomacia iraniana
Nesta etapa, nossa prioridade é encerrar a guerra
— Esmaeil Baghaei, sobre as negociações nucleares iranianas
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que Trump precisou intervir pessoalmente nessas negociações? Não havia canais diplomáticos já estabelecidos?

Model

Trump viu uma oportunidade de resolver uma crise que ameaçava descarrilar suas negociações maiores com o Irã. O Irã havia deixado claro que não assinaria nada enquanto Israel atacasse o Líbano. Era um bloqueio diplomático que só Trump tinha poder político para quebrar.

Inventor

E por que ele chamou Netanyahu de "louco"? Isso não prejudica a relação entre EUA e Israel?

Model

Trump estava exercendo pressão real. Netanyahu queria continuar expandindo as operações, mas Trump precisava mostrar ao Irã que estava controlando Israel. O insulto era uma mensagem pública de que havia limites.

Inventor

O Hezbollah realmente vai respeitar esse cessar-fogo?

Model

Ninguém sabe. Netanyahu deixou claro que voltará a atacar Beirute se o Hezbollah disparar. O acordo é frágil porque depende de confiança mútua em um cenário onde ninguém confia em ninguém.

Inventor

E o Irã? Está satisfeito?

Model

Parcialmente. Conseguiu o que queria no Líbano, mas está furioso com o bloqueio naval americano e acusa Trump de descumprir o acordo. O Irã está usando isso como moeda de troca para as negociações nucleares.

Inventor

As negociações nucleares vão acontecer agora?

Model

Não imediatamente. O Irã disse que a prioridade agora é encerrar a guerra. As questões nucleares ficam para depois. É uma estratégia: primeiro consolidar a paz regional, depois voltar aos temas mais difíceis.

Inventor

Quantas pessoas foram deslocadas por esse conflito?

Model

Centenas de milhares de libaneses deixaram suas casas. É um número enorme de gente vivendo em incerteza, esperando saber se podem voltar.

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