Irritabilidade, euforia e pouca necessidade de dormir podem indicar episódio de mania

Episódios maníacos podem resultar em perda de emprego, contração de doenças sexualmente transmissíveis, negligência de filhos, envolvimento em brigas, danos financeiros graves e comprometimento severo da qualidade de vida pessoal e profissional.
Para ela, tudo faz sentido. Só os outros é que não enxergam.
Como pessoas em mania percebem suas próprias decisões e comportamentos, segundo o neuropsicólogo.

Em algum momento entre a euforia e o abismo, existe um estado que a medicina chama de mania — não uma alegria excessiva, mas uma ruptura do equilíbrio interno que arrasta consigo empregos, relacionamentos e economias. O neuropsicólogo Cásio Barreto lembra que o maior obstáculo não é o diagnóstico, mas o fato de que quem está dentro desse estado raramente consegue enxergá-lo. Reconhecer os sinais — no outro ou em si mesmo — é o primeiro ato de cuidado possível.

  • A mania não avisa: chega disfarçada de produtividade, criatividade e energia invejável, tornando difícil distingui-la de uma boa fase de vida.
  • Sem os freios normais dos impulsos, a pessoa pode gastar todas as economias em horas, abandonar o emprego, negligenciar filhos e se expor a riscos sexuais e físicos graves.
  • Familiares e colegas são frequentemente os primeiros a perceber a mudança, mas enfrentam o desafio de agir sem provocar confronto com alguém que acredita estar perfeitamente bem.
  • O tratamento existe e é eficaz — combinando estabilizadores de humor com Terapia Cognitivo-Comportamental —, mas o preconceito em torno dos transtornos mentais continua atrasando diagnósticos e afastando pessoas do cuidado.

Você dormiu duas horas e se sente completamente descansado. A mente dispara, as ideias parecem todas urgentes, a fala não consegue acompanhar o pensamento. Para você, tudo faz sentido perfeito. Para quem está ao redor, algo mudou radicalmente.

Esse é o retrato clínico do episódio maníaco, descrito pelo neuropsicólogo Cásio Barreto como um estado de euforia anormalmente elevada, com pensamento acelerado, redução drástica do sono e uma autoconfiança que pode beirar o delírio. Não se trata de alegria intensa — trata-se de uma ruptura. A pessoa quer fazer tudo ao mesmo tempo, perde os freios que controlam os impulsos e se expõe a riscos reais: gastos que destroem finanças, comportamentos sexuais imprudentes, negligência com filhos, envolvimento em brigas, perda de emprego.

A diferença entre mania e alegria genuína está na duração e no dano. Uma promoção traz alegria — que passa. A euforia maníaca persiste, intensifica-se e deixa rastros graves na vida social, profissional e financeira. Barreto também distingue mania de hipomania: na primeira, até desconhecidos percebem que algo está errado; na segunda, a pessoa parece apenas estar em uma fase excelente — só quem convive de perto nota o tom levemente fora do lugar.

A mania é mais comum no transtorno bipolar, mas pode surgir em outras condições — esquizofrenia, TDAH, hipotireoidismo, deficiências de vitaminas ou como efeito colateral de medicamentos e drogas. O grande obstáculo ao tratamento é que muitos pacientes não reconhecem estar doentes: para eles, os planos fazem sentido, as compras serão pagas, só os outros é que não enxergam.

Barreto orienta que familiares observem três eixos — mudanças na rotina, na comunicação e no comportamento financeiro — e busquem ajuda profissional sem confronto direto. O tratamento mais eficaz combina medicação com Terapia Cognitivo-Comportamental. Mas para que funcione, é preciso também enfrentar o preconceito: a crença de que bipolaridade significa violência, ou que os remédios dopam para sempre, ainda afasta muita gente do cuidado que poderia mudar o curso de suas vidas.

Você acorda com uma energia que não sente há meses. Dormiu apenas duas horas, mas se sente completamente descansado. A mente dispara — ideias sobre projetos, planos, possibilidades que parecem todas urgentes e viáveis. Você fala rápido, pula de assunto em assunto. Compra coisas sem pensar. Toma decisões que normalmente nunca tomaria. Para você, tudo faz sentido perfeito. Para quem está ao seu redor, algo mudou radicalmente.

Esse estado é o que os profissionais de saúde mental chamam de episódio maníaco — um período em que o humor sobe a níveis anormalmente elevados, acompanhado por uma energia intensa que marca praticamente tudo o que a pessoa faz. Segundo Cásio Barreto, neuropsicólogo, muita gente ainda confunde mania com um simples comportamento estranho ou uma alegria extrema. Mas a realidade clínica é bem mais específica: é um estado de euforia exagerado, caracterizado por pensamento acelerado, redução drástica da necessidade de sono e uma confiança em si mesmo que beira o delírio. "O pensamento é tão acelerado que a fala se torna muito rápida para tentar acompanhar o que se passa dentro da mente", explica Barreto.

Quem está em mania experimenta o mundo de forma muito particular. A pessoa perde a capacidade de manter o foco em uma única atividade — quer fazer tudo ao mesmo tempo. Sem os freios normais que controlam os impulsos, ela se coloca em risco financeiro (gastando sem planejamento, fazendo investimentos precipitados), dirige de forma irresponsável, tem comportamentos sexuais imprudentes, abusa de álcool ou drogas. O neuropsicólogo cita exemplos concretos: limpar a casa de madrugada com energia frenética; comprar tanto que estoura o cartão de crédito; negligenciar a própria higiene ou deixar de tomar medicamentos; reagir com irritabilidade quando contrariado; fazer planos absurdos como largar o emprego para perseguir uma celebridade.

O ponto crucial é que essa "felicidade" não é a mesma coisa que alegria genuína. Quando você ganha uma competição ou recebe uma promoção, sente alegria — mas ela passa. A euforia do episódio maníaco persiste, intensifica-se, e causa danos graves na vida social, profissional e acadêmica. "O que marca é justamente o exagero", diz Barreto. Os riscos são reais e múltiplos: contrair doenças sexualmente transmissíveis por sexo irresponsável; perder o emprego por assédio ou abandono do trabalho; ficar com o nome sujo no mercado por não pagar contas; esquecer filhos na escola; envolver-se em brigas na rua. Tudo pode acontecer.

Familiares e colegas de trabalho costumam ser os primeiros a notar a mudança. Barreto aponta três eixos principais para observar: alterações na rotina diária, mudanças na forma de se comunicar e comportamentos financeiros ou sociais fora do padrão. Mas existe uma diferença importante entre mania e hipomania. Na mania, o comportamento fica completamente desconectado da realidade habitual — a pessoa pode acreditar que tem poderes especiais ou missões divinas, gastar todas as economias em poucas horas. Até desconhecidos percebem que algo está errado. Na hipomania, a versão é mais atenuada: a pessoa fica muito produtiva, sociável, criativa, cheia de energia. Socialmente, parece estar em uma fase excelente. Apenas amigos muito próximos ou familiares conseguem notar que aquela euforia está um tom acima do normal.

Mania é mais frequente em quem tem transtorno bipolar, mas pode ocorrer em outras condições — esquizofrenia, TDAH, após acidentes vasculares cerebrais, em casos de hipotireoidismo, deficiências severas de vitaminas como B12, ou como efeito colateral de medicamentos e drogas ilícitas. Quando alguém começa a mostrar sinais de um episódio maníaco, a orientação é que familiares e amigos procurem ajuda profissional sem entrar em confronto direto. O desafio, porém, é real: muitas pessoas em mania não percebem que estão doentes. Para elas, tudo faz sentido. Elas conseguem pagar aquelas compras inconsequentes. Os planos megalomaníacos vão dar certo. Só os outros é que não enxergam.

Os tratamentos mais eficazes combinam medicação (estabilizadores de humor, antipsicóticos, sedativos) com terapia psicológica, sendo a Terapia Cognitivo-Comportamental a que apresenta melhores resultados. Mas um obstáculo persiste: o preconceito e os mitos que cercam transtornos mentais. Muita gente acredita que quem tem bipolaridade é violento, que mania é só alegria intensa, ou que os remédios deixam a pessoa dopada para sempre. Barreto enfatiza que o acompanhamento adequado com profissionais capacitados é essencial não apenas para tratar o episódio, mas para desconstruir essas falsas ideias que dificultam o diagnóstico e o tratamento.

Em psicopatologia, mania é a representação de um estado de humor exageradamente elevado, anormal, caracterizado por uma energia intensa
— Cásio Barreto, neuropsicólogo
Diferente da alegria intensa que sentimos em situações específicas, a mania causa grave prejuízo na vida social, profissional ou acadêmica do indivíduo
— Cásio Barreto, neuropsicólogo
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Como alguém sabe que está em mania e não apenas tendo um dia muito bom?

Model

A diferença está na duração e no impacto. Um dia bom passa. Mania persiste, intensifica-se, e destrói coisas — relacionamentos, finanças, emprego. A pessoa em mania não dorme, mas não se sente cansada. Isso é anormal.

Inventor

Por que é tão difícil convencer alguém em mania a procurar ajuda?

Model

Porque para ela, tudo faz perfeito sentido. Ela acredita que consegue pagar aquelas compras loucas, que os planos vão dar certo. Ela não se vê como doente. Vê os outros como não compreendendo sua visão.

Inventor

Qual é a diferença prática entre mania e hipomania?

Model

Na mania, a pessoa está completamente fora da realidade — pode acreditar que tem poderes especiais, gasta tudo em horas. Todos veem que algo está muito errado. Na hipomania, ela está apenas muito produtiva e criativa. Parece estar em uma fase excelente. Só quem a conhece bem percebe que está um tom acima do normal.

Inventor

Se alguém próximo está mostrando esses sinais, o que fazer?

Model

Não confronte diretamente. Procure um profissional. O confronto só piora as coisas porque a pessoa não reconhece que está doente. Você precisa de ajuda especializada para levar ela até o tratamento.

Inventor

Mania só acontece em pessoas com transtorno bipolar?

Model

Não. Pode ocorrer em esquizofrenia, TDAH, após um acidente vascular cerebral, em hipotireoidismo, deficiências de vitaminas, ou como efeito de medicamentos e drogas. Mas bipolar é o mais comum.

Inventor

E o tratamento funciona?

Model

Sim. Medicação combinada com terapia psicológica — especialmente Terapia Cognitivo-Comportamental — apresenta bons resultados. Mas o maior desafio não é o tratamento em si. É o preconceito que faz as pessoas resistirem a procurar ajuda.

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