Mensagens revelam proximidade entre Flávio Bolsonaro e banqueiro investigado por fraude bilionária

Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa
Mensagem enviada por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro um dia antes da prisão do banqueiro por fraude bilionária.

No limiar entre o poder político e o sistema financeiro, mensagens obtidas pelo Intercept Brasil revelam que o senador Flávio Bolsonaro mantinha laços estreitos com Daniel Vorcaro, banqueiro preso por uma fraude que teria causado um rombo de R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito. A correspondência, que inclui cobranças sobre repasses milionários para um filme inspirado na trajetória de Jair Bolsonaro, expõe uma cumplicidade que vai além do que havia sido publicamente admitido. Quando as instituições vacilam e os bastidores emergem à luz, a distância entre o discurso e os fatos se torna, ela própria, uma forma de revelação.

  • Um dia antes de ser preso, Vorcaro recebeu de Flávio Bolsonaro uma mensagem de lealdade incondicional — 'Irmão, estou e estarei contigo sempre' —, tornando impossível sustentar a narrativa de distanciamento.
  • A fraude atribuída ao Banco Master abriu um rombo de R$ 47 bilhões no FGC e levou o Banco Central a liquidar a instituição no dia seguinte à prisão do banqueiro.
  • Áudios revelam o senador cobrando ativamente repasses para o filme Dark Horse, alertando sobre o risco de 'dar calote' em atores e diretores internacionais de renome como Jim Caviezel.
  • Pelo menos 10,6 milhões de dólares foram transferidos para um fundo no Texas ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro, com orçamento total do projeto previsto em até 24 milhões de dólares.
  • Confrontado pela reportagem, Flávio Bolsonaro negou as informações, mas o Intercept afirma ter cruzado os diálogos com registros bancários, inquéritos policiais e dados telefônicos.
  • As revelações ampliam os pedidos de investigação sobre as relações entre a extrema direita brasileira, o Banco Master e Daniel Vorcaro, intensificando a pressão sobre o entorno bolsonarista.

Um dia antes de ser preso, Daniel Vorcaro recebeu uma mensagem de Flávio Bolsonaro pelo WhatsApp: 'Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente.' Vinte e quatro horas depois, o banqueiro era detido acusado de orquestrar uma fraude que teria aberto um rombo de R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito. O Banco Central liquidou o Banco Master no dia seguinte.

As mensagens, obtidas pelo Intercept Brasil e reveladas em maio de 2026, expõem uma relação muito mais próxima entre o senador e o banqueiro do que havia sido publicamente reconhecido. Os registros mostram comunicação frequente, incluindo discussões sobre o financiamento de Dark Horse, filme inspirado na trajetória de Jair Bolsonaro. Para tratar de assuntos sensíveis, Vorcaro recorria a mensagens de visualização única — aquelas que desaparecem após a leitura.

Flávio não apenas acompanhava o projeto: cobrava ativamente pelos repasses. Em áudios divulgados pelo Intercept, o senador demonstra preocupação com atrasos e alerta sobre as consequências de não honrar compromissos com o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh. 'Agora que é a reta final que a gente não pode vacilar', disse ele em determinado momento.

O orçamento do filme chegava a 24 milhões de dólares. Documentos analisados pelo Intercept indicam que pelo menos 10,6 milhões foram transferidos entre fevereiro e maio de 2025 para o fundo Havengate Development Fund LP, no Texas, ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro. Confrontado pela reportagem nas proximidades do STF, Flávio negou tudo: 'De onde você tirou essa informação? É mentira.'

A negativa não conteve o impacto das revelações. O Intercept afirma ter verificado os diálogos por meio de cruzamento com registros bancários, inquéritos policiais e dados telefônicos. A proximidade exposta — comunicação constante, financiamento milionário, uso de mensagens que desaparecem — levanta questões sobre o que o senador sabia das operações de Vorcaro e sobre a origem dos recursos destinados ao filme.

Um dia antes de ser preso, o senador Flávio Bolsonaro enviou uma mensagem ao banqueiro Daniel Vorcaro pelo WhatsApp. "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente", escreveu o filho do ex-presidente. Vinte e quatro horas depois, Vorcaro foi detido acusado de orquestrar uma fraude que teria aberto um rombo de R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito, o FGC. No dia seguinte à prisão, o Banco Central liquidou o Banco Master, a instituição que Vorcaro controlava.

Essas mensagens, obtidas pelo Intercept Brasil e reveladas em maio de 2026, expõem uma relação muito mais próxima entre o senador e o banqueiro investigado do que havia sido publicamente reconhecido. Os registros mostram comunicação frequente e direta entre os dois, incluindo discussões sobre o financiamento de um filme chamado Dark Horse, uma produção inspirada na trajetória de Jair Bolsonaro. Como teria ocorrido também em conversas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, o banqueiro utilizava mensagens de visualização única — aquelas que desaparecem após serem lidas — para tratar de assuntos que considerava sensíveis.

Flávio Bolsonaro não apenas recebia informações sobre o projeto cinematográfico: ele cobrava ativamente pelos repasses financeiros. Em áudios divulgados pelo Intercept, o senador demonstra preocupação com atrasos nos pagamentos e alerta Vorcaro sobre as consequências de não honrar compromissos com atores e diretores internacionais de renome. "Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos lá no cinema americano e mundial. Pô, ia ser muito ruim", disse Flávio, referindo-se ao ator Jim Caviezel e ao diretor Cyrus Nowrasteh. Em outro momento, acrescenta: "Agora que é a reta final que a gente não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos aqui, porque senão a gente perde tudo".

O filme Dark Horse tinha orçamento previsto de até 24 milhões de dólares — aproximadamente R$ 134 milhões na cotação de 2025. Segundo documentos analisados pelo Intercept, pelo menos 10,6 milhões de dólares foram transferidos entre fevereiro e maio de 2025 para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio. Os registros indicam que Vorcaro acompanhava pessoalmente o cronograma de pagamentos e tratava o projeto como prioridade.

Quando abordado pela reportagem nas proximidades do Supremo Tribunal Federal, Flávio Bolsonaro negou tudo. "De onde você tirou essa informação? É mentira", respondeu o senador. A negativa pública, porém, não diminuiu o impacto das revelações. O Intercept afirma ter verificado os diálogos por meio de cruzamento de informações bancárias, registros públicos, inquéritos policiais e dados telefônicos.

As mensagens e áudios intensificaram a pressão política sobre o entorno bolsonarista e ampliaram os pedidos de investigação sobre as relações entre integrantes da extrema direita, o Banco Master e Daniel Vorcaro. A proximidade revelada entre o senador e o banqueiro — comunicação frequente, financiamento de um projeto cinematográfico de grande vulto, uso de mensagens que desaparecem — levanta questões sobre o conhecimento de Flávio Bolsonaro acerca das operações de Vorcaro e sobre a origem dos recursos utilizados para financiar o filme.

Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos lá no cinema americano e mundial. Pô, ia ser muito ruim
— Flávio Bolsonaro, em áudio divulgado pelo Intercept
De onde você tirou essa informação? É mentira
— Flávio Bolsonaro, ao ser questionado pelo Intercept
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que essas mensagens importam agora, em 2026? Vorcaro já não está preso?

Model

Importam porque revelam uma relação muito mais profunda do que se sabia. Não é apenas que Flávio conhecia Vorcaro — é que ele cobrava ativamente por transferências de dinheiro para um filme, dias antes da prisão do banqueiro. A questão é: de onde vinha esse dinheiro?

Inventor

E o filme Dark Horse, ele foi feito?

Model

Não sabemos ao certo pelo que a reportagem divulga. O que sabemos é que pelo menos 10,6 milhões de dólares foram transferidos para um fundo nos Estados Unidos entre fevereiro e maio de 2025. Flávio estava monitorando esses pagamentos muito de perto.

Inventor

Flávio nega tudo. Como o Intercept verificou essas mensagens?

Model

Cruzou informações bancárias, registros públicos, inquéritos policiais e dados telefônicos. Não é apenas uma conversa de WhatsApp isolada — há um padrão documentado de transferências e comunicações.

Inventor

O que mais chama atenção nas mensagens?

Model

A intimidade. "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente." Isso não é uma relação comercial distante. É alguém muito próximo. E o uso de mensagens que desaparecem sugere que ambos sabiam que havia algo que não deveria ficar registrado.

Inventor

Qual é o próximo passo?

Model

Investigações. A reportagem intensificou os pedidos por apurações sobre as relações entre o entorno bolsonarista, o Banco Master e Vorcaro. Agora há documentação pública disso.

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