Irão abandona negociações com EUA após ameaças de Trump na Suíça

Por mais que falem, nós é que agimos
Resposta do líder iraniano Mohammad Bagher Ghalibaf às ameaças de Trump durante as negociações.

Em Bürgenstock, na Suíça, a delegação iraniana abandonou as negociações com os Estados Unidos no domingo, depois de Donald Trump ameaçar retomar ataques aéreos e fechar o Estreito de Ormuz caso o Irão não controlasse o Hezbollah. O gesto reflete uma tensão mais profunda: dois poderes que chegaram à mesa sem a confiança necessária para nela permanecer. O memorando assinado dias antes, que parecia abrir uma janela diplomática, ficou suspenso entre a promessa e o colapso.

  • Após apenas 80 minutos de sessão multilateral, as ameaças de Trump — retomar bombardeamentos e fechar o Estreito de Ormuz — fizeram desmoronar o que o vice-presidente JD Vance havia descrito como 'grandes avanços'.
  • A agência estatal iraniana IRNA classificou as declarações do presidente norte-americano como 'uma mensagem insultuosa', e a delegação levantou-se da mesa imediatamente após reunião com o mediador catari.
  • O chefe da delegação iraniana, Mohammad Bagher Ghalibaf, respondeu com desafio calculado: desvalorizou as ameaças e avisou Washington a 'ter cuidado com as palavras', garantindo que as Forças Armadas estão prontas para agir.
  • O nó central permanece por desatar: o Irão exige o fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, enquanto os EUA usam a pressão militar como alavanca para forçar Teerão a conter o Hezbollah.
  • O regresso à mesa depende agora de se alguma das partes — ou os mediadores do Catar e do Paquistão — está disposta a absorver o choque e reconstruir as condições mínimas de diálogo.

A delegação iraniana abandonou as negociações em Bürgenstock, na Suíça, no domingo, numa decisão imediata e simbólica: uma resposta direta às ameaças proferidas por Donald Trump durante as próprias conversações. Segundo a agência estatal IRNA, a retirada ocorreu após uma reunião com o mediador catari, que tentava manter as discussões em movimento.

As negociações tinham começado com encontros separados entre o Irão e os países mediadores — Catar e Paquistão — seguidos de uma sessão multilateral. O objetivo era implementar um memorando de entendimento assinado na quarta-feira anterior, com foco no encerramento da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano. O vice-presidente norte-americano JD Vance chegara a falar em 'grandes avanços'. Mas ao fim de 80 minutos, tudo desmoronou.

Trump advertiu que, se o Irão não impedisse o Hezbollah de 'causar problemas', os EUA retomariam ataques aéreos 'com muita força'. Numa entrevista à Fox News, foi ainda mais longe, evocando o possível encerramento do Estreito de Ormuz e sugerindo que o Irão 'não teria mais um país'. A IRNA descreveu as palavras como 'uma mensagem insultuosa'. A delegação retirou-se.

Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do parlamento iraniano e chefe da equipa de negociação, respondeu com desafio: desvalorizou as ameaças, garantiu que as Forças Armadas estão preparadas e deixou um aviso a Washington — 'por mais que falem, nós é que agimos'. O que acontece a seguir dependerá de se alguém está disposto a voltar à mesa.

A delegação iraniana levantou-se da mesa de negociações em Bürgenstock, na Suíça, no domingo, e saiu do recinto. A decisão foi imediata e clara: uma resposta às ameaças que Donald Trump havia acabado de proferir contra a República Islâmica durante as conversações que estavam em curso. Segundo a agência de notícias estatal iraniana IRNA, o abandono ocorreu após uma reunião com o mediador catari, que tentava manter as discussões em movimento.

As negociações tinham começado na manhã desse domingo com encontros separados entre a delegação iraniana e os países mediadores — Catar e Paquistão — seguidos de uma sessão multilateral. O foco era implementar um memorando de entendimento assinado na quarta-feira anterior, particularmente no que dizia respeito ao encerramento da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, uma exigência explícita de Teerão. Tudo parecia estar a progredir. O vice-presidente norte-americano JD Vance, que liderava a delegação de Washington, havia relatado "grandes avanços" nas conversações antes das ameaças emergirem.

Mas após apenas 80 minutos de discussões, as coisas desmoronaram. Trump, em declarações durante as negociações, advertiu o Irão de que se o país não impedisse o Hezbollah — seu aliado libanês — de "causar problemas", os Estados Unidos retomariam os ataques aéreos "com muita força" contra o regime iraniano. A mensagem era direta e não deixava espaço para ambiguidade. Depois, numa entrevista à Fox News, Trump foi ainda mais longe, alertando Teerão sobre a possibilidade de encerramento do Estreito de Ormuz, uma das rotas comerciais mais críticas do mundo. Se isso acontecesse, disse ele, o Irão "não teria mais um país e nem sequer poderia regressar ao seu" — uma aparente referência à própria equipa de negociação iraniana.

A IRNA descreveu as negociações como tendo "entrado numa fase difícil" após a publicação do que chamou de "uma mensagem insultuosa" do presidente norte-americano. Essa foi a gota de água. A delegação iraniana retirou-se.

Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do parlamento iraniano e chefe da equipa de negociação do Irão, respondeu às ameaças com uma postura de desafio calculado. Desvalorizou as palavras de Trump, afirmando que as Forças Armadas iranianas estavam preparadas para responder a qualquer ação de Washington. "É melhor terem cuidado com as palavras", advertiu Ghalibaf aos Estados Unidos, acrescentando uma frase que resumia a posição iraniana: "Por mais que falem, nós é que agimos".

O que estava em jogo era claro. O Irão exigia que os EUA aceitassem o fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, onde o Hezbollah opera como uma força política e militar significativa. Trump, por sua vez, estava a usar a ameaça de retomar ataques aéreos e de bloquear uma das rotas comerciais mais importantes do mundo como alavanca para forçar o Irão a controlar seu aliado. O memorando assinado na quarta-feira anterior tinha sido apresentado como um passo em frente, mas agora parecia estar em risco.

A cena em Bürgenstock refletia a fragilidade das negociações entre potências que não confiam uma na outra. Um lado faz uma ameaça, o outro responde com uma retirada simbólica. As palavras duras são trocadas. E a questão de fundo — como encerrar conflitos regionais que envolvem aliados poderosos e interesses estratégicos profundos — permanece sem resposta. O que acontece a seguir dependerá de se alguém está disposto a voltar à mesa.

É melhor terem cuidado com as palavras
— Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do parlamento iraniano
Grandes avanços nas negociações
— JD Vance, vice-presidente dos EUA, antes das ameaças de Trump
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que é que Trump escolheu ameaçar o Irão precisamente durante as negociações, quando o vice-presidente Vance estava a relatar progressos?

Model

Porque as ameaças eram o ponto. Trump estava a tentar forçar o Irão a aceitar condições que não tinha concordado — especificamente, o controlo do Hezbollah. Quando a negociação não avança como ele quer, a ameaça torna-se a ferramenta.

Inventor

E o Estreito de Ormuz? Por que é que isso importa tanto?

Model

É uma das rotas comerciais mais críticas do mundo. Cerca de um terço do petróleo marítimo passa por ali. Se o Irão o fechasse, seria uma crise global. Trump estava a dizer: se vocês não cooperarem, nós destruímos-vos e vocês nem conseguem voltar para casa.

Inventor

Mas o Irão saiu da mesa. Isso não enfraquece a sua posição?

Model

Não necessariamente. Saíram porque queriam mostrar que têm linhas vermelhas, que não aceitam ser humilhados. Ghalibaf respondeu dizendo que as Forças Armadas estão prontas. É uma forma de dizer: podemos falar, mas não sob ameaça.

Inventor

O memorando assinado na quarta-feira — o que é que prometia?

Model

Prometia o fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano. Mas Trump quer mais: quer que o Irão controle o Hezbollah. O Irão diz que não pode fazer isso, que o Hezbollah é independente. É o ponto de rutura.

Inventor

Então isto vai regressar à violência?

Model

Depende. Se alguém voltar à mesa com uma proposta realista, talvez não. Mas se as ameaças continuarem e ninguém ceder, sim, é possível. O Irão já disse que está preparado para responder.

Fale Conosco FAQ