Irão anuncia encerramento de Ormuz após ataques israelitas ao Líbano

Pelo menos 32 pessoas mortas em ataques israelitas no Líbano no sábado, incluindo civis em bombardeamentos a edifícios residenciais; desde março, os ataques mataram mais de 4057 pessoas e feriram mais de 12 mil.
O cessar-fogo durou menos de um dia
Israel retomou ataques aéreos poucas horas após a entrada em vigor do acordo entre Israel e Hezbollah.

Israel retomou bombardeamentos no Sul do Líbano poucas horas após entrada em vigor do cessar-fogo, matando pelo menos 32 pessoas e violando o acordo provisório com os EUA e Irão. O Irão descreveu o encerramento de Ormuz como resposta a crimes israelitas e violações do memorando de entendimento, alertando para possíveis escaladas caso a agressão prossiga.

  • Pelo menos 32 pessoas mortas em ataques israelitas no Líbano no sábado
  • Irão anunciou encerramento do estreito de Ormuz ao tráfego marítimo
  • Delegações dos EUA e Irão reúnem-se no domingo na Suíça para conversações técnicas
  • Desde março, ataques israelitas mataram mais de 4057 pessoas no Líbano

Após ataques israelitas que mataram 32 pessoas no Líbano, o Irão anunciou o encerramento do estreito de Ormuz ao tráfego marítimo como primeiro passo de resposta, ameaçando novas medidas se a agressão continuar.

O cessar-fogo durou menos de um dia. Na sexta-feira à tarde, quando o acordo entre Israel e o Hezbollah entrou em vigor, as negociações pareciam ter criado um espaço frágil mas real para o silêncio. Poucas horas depois, aviões e drones israelitas voltaram a sobrevoar o Sul do Líbano. Pelo menos 32 pessoas morreram nos ataques de sábado — civis em casarões destruídos, pessoas nas ruas, gente que acreditava que o pior tinha passado.

Em Qannarit, no distrito de Sidon, sete pessoas foram mortas num único bombardeamento. Em Barish, um edifício de três andares desabou sobre uma família: um casal e os seus dois filhos. Em Arabsalim, três mortos. Em Deir ez-Zahrani, mais um. Os ataques concentraram-se sobretudo no Sul, na região de Nabatieh, onde as Forças de Defesa de Israel destruíram edifícios residenciais e habitações, mas também atingiram o Vale do Bekaa, a leste de Beirute. Segundo a agência estatal libanesa, foi um sábado de morte contínua.

Israel justificou-se dizendo que estava a responder a mais de 50 projécteis lançados pelo Hezbollah durante a madrugada, e que os seus militares apenas visavam alvos do movimento apoiado pelo Irão, não civis. Mas o Hezbollah respondeu acusando Israel de centenas de violações da trégua em vigor. O movimento xiita libanês alertou que os ataques, bem como qualquer tentativa de tomar território ou expandir a ocupação, não ficariam sem resposta. Apelou também aos Estados Unidos para que pressionassem o Governo de Netanyahu a cessar os bombardeamentos.

Em Teerão, a resposta foi imediata e de grande alcance. O comando militar conjunto iraniano, Khatam Al-Anbiya, anunciou que iria encerrar o estreito de Ormuz ao tráfego marítimo — uma das rotas comerciais mais críticas do mundo, por onde passa uma percentagem significativa do petróleo global. Os Guardas da Revolução confirmaram a medida e deixaram um alerta para que as embarcações que navegam na região não se aproximassem do estreito. Teerão descreveu o encerramento como apenas o "primeiro passo" em resposta ao que chamou de "crimes" israelitas e violações do memorando de entendimento assinado esta semana entre os EUA e o Irão. O acordo previa, no seu primeiro ponto, a cessação imediata e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo no Líbano, garantindo a integridade territorial e a soberania libanesa. Israel tinha violado isso em poucas horas.

O Irão avisou que poderia adoptar novas medidas caso a agressão continuasse. Não era uma ameaça vaga. O encerramento de Ormuz é um acto de consequências globais — afecta o comércio mundial, os preços da energia, a estabilidade económica de dezenas de países. Teerão estava a mostrar que não aceitaria mais violações do acordo.

Mas as negociações continuavam. Neste sábado, delegações dos EUA e do Irão viajaram para a Suíça para dar início às "conversações técnicas" previstas no memorando. O primeiro encontro estava marcado para domingo em Bürgenstock. Steve Witkoff, enviado especial de Donald Trump para o Médio Oriente, e Jared Kushner, genro do Presidente, chegaram à Suíça para "gerir alguns elementos técnicos da negociação". O vice-presidente J.D. Vance estava também a caminho, e disse aos jornalistas que, apesar das manchetes, as coisas estavam a melhorar no Líbano e a acalmar um pouco. Mais cedo, tinha descrito o processo como "um delicado bailado de coordenação e protocolos diplomáticos", e garantido que as coisas estavam a correr bem.

De Teerão, Abbas Araghchi, chefe da diplomacia iraniana, confirmou a sua presença. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano disse que as conversações visavam exigir o cumprimento dos compromissos da outra parte e clarificar como os EUA pretendiam cumprir as suas obrigações. O Paquistão e o Qatar atuariam como mediadores.

O acordo provisório entre os Estados Unidos e o Irão previa um período de 60 dias de negociações para resolver divergências sobre o programa nuclear iraniano e outras questões regionais. Incluía também promessas de alívio de sanções económicas, descongelamento de activos iranianos avaliados em dezenas de milhares de milhões de dólares, e incentivos financeiros, incluindo um fundo de investimento privado de 300 mil milhões de dólares. Trump tinha defendido o acordo nas redes sociais contra críticas de concessões excessivas ao Irão, garantindo que Teerão não receberia dinheiro. Mas os ataques de sábado mostravam que o processo continuava dependente da situação no terreno. Se a trégua no Líbano falhar, as negociações entre Washington e Teerão poderiam ficar novamente em suspenso. Desde março, quando a guerra se estendeu ao Líbano, os ataques israelitas tinham matado pelo menos 4057 pessoas e ferido mais de 12 mil. O sábado foi apenas mais um dia nessa contagem.

É sempre um delicado bailado de coordenação e protocolos diplomáticos
— J.D. Vance, vice-presidente dos EUA
Na Suíça, estão planeadas conversações para exigir o cumprimento dos compromissos da outra parte
— Esmail Baghaei, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Porque é que o Irão escolheu fechar Ormuz especificamente? Não é uma resposta desproporcional?

Model

Ormuz é o ponto de estrangulamento do comércio global de petróleo. Fechar o estreito afecta toda a gente — não apenas Israel, mas o mundo inteiro. É uma forma de dizer que as consequências da violação do acordo não serão apenas locais.

Inventor

Mas Israel diz que estava apenas a responder a ataques do Hezbollah. Não há espaço para essa narrativa?

Model

Israel tem sempre uma narrativa de resposta defensiva. O problema é que o acordo dizia claramente: cessação imediata e permanente das operações militares. Não há espaço para "mas eles começaram". O acordo foi violado.

Inventor

E os EUA? Estão a tentar salvar as negociações enquanto tudo desaba?

Model

Sim. Witkoff e Kushner estão na Suíça a tentar gerir a situação técnica, mas a realidade é que ninguém controla o que acontece no terreno. Se Israel continuar a bombardear, o Irão continuará a escalar. As negociações dependem de algo que ninguém consegue garantir.

Inventor

Qual é o risco real aqui?

Model

Se a trégua no Líbano falhar completamente, as negociações entre Washington e Teerão desabam. E se desabarem, o Irão tem já mostrado que está disposto a usar armas de grande alcance — Ormuz é apenas o primeiro passo.

Inventor

Portanto, tudo isto é frágil.

Model

Tudo isto é muito frágil. Um cessar-fogo que dura menos de um dia, um acordo que depende de atores que não assinaram, negociações que correm em paralelo com bombardeamentos. É um sistema à beira do colapso.

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