Irã anuncia funeral de Ali Khamenei para 6 de julho com procissões no Iraque

Ali Khamenei, líder supremo do Irã por 36 anos, foi morto em ataques aéreos de EUA e Israel em 28 de fevereiro de 2026.
O corpo será enterrado pouco mais de quatro meses após sua morte
O atraso refletiu a guerra entre Irã e EUA que impediu cerimônias fúnebres imediatas.

Quatro meses após ser morto em ataques aéreos americanos e israelenses, Ali Khamenei — que governou a República Islâmica do Irã por 36 anos — terá seu funeral iniciado em 6 de julho, com sepultamento em Mashhad no dia 9. O atraso, incomum segundo a lei islâmica, refletiu a realidade de um país que esteve em guerra e só agora, com um acordo de paz recém-assinado, encontrou condições para despedir seu líder. A data foi ajustada para evitar coincidência com o feriado americano de Independência — um gesto simbólico que diz muito sobre o momento frágil em que o Irã encerra um capítulo de 36 anos e abre outro sob seu filho e sucessor, Mojtaba Khamenei.

  • O corpo de Khamenei permaneceu sem sepultamento por mais de quatro meses — uma violação do preceito islâmico que exige enterro rápido, tornada possível apenas pela exceção prevista em tempos de guerra.
  • A data original, 4 de julho, foi silenciosamente descartada: iniciar o funeral no Dia da Independência dos EUA seria um gesto de provocação incompatível com o acordo de paz recém-firmado entre os dois países.
  • O roteiro fúnebre cruza fronteiras — de Teerã a Qom, depois a Najaf e Karbala no Iraque, antes do sepultamento em Mashhad — transformando o funeral em uma procissão geopolítica pelo mundo xiita.
  • O sucessor designado, Mojtaba Khamenei, ainda não apareceu em público e tem saúde desconhecida, deixando o futuro da liderança iraniana envolto em incerteza no exato momento em que o país tenta se reorganizar.

O Irã anunciou que as cerimônias fúnebres de Ali Khamenei começarão em 6 de julho, com o corpo percorrendo Teerã, Qom e, no dia 8, as cidades iraquianas de Najaf e Karbala — em resposta a pedidos do povo iraquiano, que o via como mártir da Revolução Islâmica. O sepultamento ocorrerá em Mashhad, cidade natal do líder, no dia 9 de julho.

A data foi alterada: o governo havia anunciado inicialmente o início para 4 de julho, o que coincidiria com o Dia da Independência dos Estados Unidos. Com um acordo de paz entre Irã e EUA assinado na semana anterior, a coincidência foi considerada inoportuna, e o cronograma foi deslocado dois dias.

Khamenei tinha 86 anos quando morreu nos ataques de 28 de fevereiro de 2026. Havia governado a República Islâmica por 36 anos, desde a morte do aiatolá Khomeini em 1989. O atraso no funeral — incomum segundo a lei islâmica, que recomenda sepultamento em até 24 horas — foi justificado pelo estado de guerra que o Irã viveu por mais de três meses, até o cessar-fogo de meados de abril.

Ao longo de seu governo, Khamenei construiu estruturas paralelas de poder, como a Guarda Revolucionária, e enfrentou ondas de protestos reprimidas com violência. Uma investigação da Reuters em 2018 apontou que controlava um império financeiro de 95 bilhões de dólares, acusação que seu gabinete contestou. Seu filho, o aiatolá Mojtaba Khamenei, já foi designado como sucessor, mas ainda não apareceu publicamente e tem estado de saúde desconhecido — uma incógnita que paira sobre o Irã enquanto o país se prepara para enterrar o homem que o definiu por mais de três décadas.

O Irã marcou para 6 de julho o início das cerimônias fúnebres de Ali Khamenei, seu líder supremo morto em ataques aéreos americanos e israelenses no final de fevereiro. O corpo será levado em procissão por Teerã naquele dia, depois por Qom no dia seguinte, e atravessará a fronteira para cidades iraquianas — Najaf e Karbala — no dia 8 de julho, antes do sepultamento final em Mashhad, no nordeste iraniano, no dia 9.

A mudança de data não foi pequena. O governo havia anunciado inicialmente que o funeral começaria em 4 de julho, data que coincidiria com o Dia da Independência dos Estados Unidos. Iman Attarzadeh, porta-voz do comitê organizador, explicou que a data foi adiada para o dia 6, mantendo o sepultamento no dia 9. A inclusão de procissões no Iraque, segundo Attarzadeh, respondeu a pedidos repetidos do povo iraquiano para receber o corpo do líder que consideravam mártir da Revolução Islâmica.

Khamenei tinha 86 anos quando morreu nos ataques de 28 de fevereiro. Havia comandado a República Islâmica por 36 anos, desde que foi escolhido como líder supremo em 1989, após a morte do aiatolá Ruhollah Khomeini. Seu filho, o aiatolá Mojtaba Khamenei, já foi designado como sucessor, embora ainda não tenha feito aparições públicas e seu estado de saúde permaneça desconhecido.

O atraso no funeral refletiu a situação política do país. O Irã estava em guerra com os Estados Unidos por pouco mais de três meses, conflito que entrou em cessar-fogo em meados de abril. Um acordo de paz foi assinado apenas na semana anterior ao anúncio do funeral, o que permitiu ao governo iraniano finalmente organizar as cerimônias sem temor de novos ataques. A lei islâmica exige que o sepultamento ocorra o mais rápido possível, idealmente dentro de 24 horas, mas permite exceções em tempos de guerra. Mesmo com o cronograma de quatro dias, o corpo estará enterrado pouco mais de quatro meses após a morte.

Khamenei nasceu em Mashhad em 1939 e se envolveu cedo nos movimentos contra o xá Mohammad Reza Pahlevi. Aproximou-se de Khomeini durante estudos em Qom e ajudou a organizar a Revolução Islâmica de 1979. Em junho de 1981, sofreu um atentado com bomba que deixou seu braço direito permanentemente paralisado. Quatro meses depois, foi eleito presidente com 95% dos votos, cargo que manteve até a morte de Khomeini.

Ao longo de seus 36 anos no poder, Khamenei construiu estruturas paralelas dentro do Estado iraniano — como a Guarda Revolucionária — que espelhavam instituições tradicionais como o Exército e as agências de inteligência, permitindo-lhe maior controle sobre elas. Uma investigação da Reuters em 2018 afirmou que controlava um império financeiro avaliado em 95 bilhões de dólares, baseado em confiscos de propriedades de iranianos comuns, incluindo minorias. Seu gabinete contestou a reportagem na época.

Durante seu governo, Khamenei enfrentou diversas ondas de protestos, todas reprimidas com violência. Seu regime foi acusado de matar opositores exilados e de reprimir jornalistas e intelectuais não alinhados ao sistema. Manteve uma política de linha dura em relação aos costumes e fomentou um culto à sua personalidade que cresceu ao longo dos anos. Com a morte e o funeral agora marcado, o Irã entra em um novo capítulo sob a liderança de seu filho.

O governo iraniano levará o corpo para o Iraque em resposta a repetidos pedidos do povo iraquiano para receber o líder martirizado da Revolução Islâmica
— Iman Attarzadeh, porta-voz do comitê organizador do funeral
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que o Irã decidiu incluir procissões no Iraque? Parece uma escolha política deliberada.

Model

Exatamente. O porta-voz disse que foi em resposta a pedidos do povo iraquiano. Mas há mais: Khamenei era visto como um símbolo da Revolução Islâmica, e o Iraque tem uma população xiita significativa que o considerava importante. É também uma forma de demonstrar influência regional.

Inventor

E a mudança da data de 4 para 6 de julho — isso foi apenas para evitar a coincidência com o Dia da Independência americano?

Model

Provavelmente não era só isso. Mudar para 4 de julho teria parecido provocador, especialmente porque o acordo de paz tinha acabado de ser assinado. Adiar dois dias permitiu ao governo mostrar que estava respeitando a nova realidade política.

Inventor

Khamenei controlava um império financeiro de 95 bilhões de dólares. Como isso não gerou mais instabilidade?

Model

Porque a estrutura de poder que ele construiu — a Guarda Revolucionária, as agências paralelas — permitia que ele mantivesse controle mesmo com protestos. A riqueza financiava suas ações políticas, não luxos pessoais. Isso legitimava seu poder aos olhos de seus apoiadores.

Inventor

E agora seu filho assume. Sabemos algo sobre Mojtaba?

Model

Quase nada. Ele não fez aparições públicas desde a morte do pai. Ninguém sabe realmente como está sua saúde ou se tem a mesma capacidade de controlar as estruturas que seu pai construiu. É um período de incerteza real.

Inventor

O funeral em quatro dias após quatro meses de morte — isso é significativo?

Model

Sim. A lei islâmica quer sepultamento rápido, mas o Irã estava em guerra. Agora que há paz, podem fazer as cerimônias. Mas esperar quatro meses inteiros mostra que a situação política era tão instável que nem podiam enterrar seu próprio líder.

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